Brasil de Lula fica maior na cena mundial
Diplomacia ativa na vizinhança, na África e no Oriente Médio tropeçou nos direitos humanos
Em oito anos de mandato, Luiz Inácio Lula da Silva deixou de ser para o mundo apenas o sindicalista que virou presidente de um país exótico para se tornar, também, um ator importante nas relações internacionais.
Lula evitou golpes e causou polêmicas
Para especialistas ouvidos pelo R7, Lula ajudou a ampliar as fronteiras de influência do Brasil, que agora organiza a Copa do Mundo e a Olimpíada. O presidente também Consolidou a presença brasileira na América do Sul. Mas também deu vários tropeços no campo dos direitos humanos e entrou em temas polêmicos, como o Oriente Médio.
O R7 conversou com três professores de relações internacionais sobre alguns pontos da diplomacia de Lula. São eles Hector Saint Pierre, da UNESP (Universidade Estadual Paulista), Maria Helena de Castro Santos, da UNB (Universidade de Brasília) e Paulo Edgard Resende da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).
Todos concordam que o Brasil ganhou mais relevância no mundo, mas não dão crédito exclusivo ao presidente.
Segundo os três, o crescimento econômico favoreceu o Brasil, que passou de apenas global trader (comerciante mundial) para também global player (ator mundial). Lula, dizem, não foi tão inventivo. Continuou, de algum modo, a política externa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).
A diferença é que apimentou a diplomacia com seu carisma, apertou a mão do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (que defende o apedrejamento de Sakineh e teima em desenvolver um polêmico programa nuclear). Também abraçou o quase folclórico Hugo Chávez, que limita rádios e televisões da oposição e quer ficar eternamente no poder na Venezuela.
Lula conta a mesma história de maneira diferente: diz que apertou a mão do “amigo Ahmadinejad” porque alguém teria de falar com ele, pontua Maria Helena. Recebeu, inclusive, uma carta de Barack Obama, presidente dos EUA, incentivando um acordo nuclear com o Irã, algo que as potências mundiais tentavam há tempos e não conseguiam.
O presidente conseguiu, junto com a Turquia, um “acordo histórico”, em maio de 2010 - na prática ignorado pelos EUA, que no outro dia reuniu o Conselho de Segurança da ONU para impor sanções ao Irã.
Sobre Hugo Chávez, o site WikiLeaks recentemente mostrou que o governo do Brasil acha que o presidente da Venezuela ladra, mas não morde. Lula contrabalanceou a América do Sul, ressalta Saint Pierre, muito amparado no seu próprio carisma (resta saber se Dilma Rousseff terá o mesmo traquejo).
Relações com os EUA não foram ruins
Lula falou com Chávez e tomou uma “aguardente” com o arquirrival do venezuelano, o ex-presidente Álvaro Uribe da Colômbia. Abraçou todos os líderes latino-americanos.
Ele nunca deixou de falar com os EUA, seja com o republicano George W. Bush - ex-presidente dos EUA que liderou a invasão ao Iraque em 2003 -, seja com o atual Barack Obama, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2009. Obama chegou a dizer, inclusive, que Lula era “o cara”. As relações com o EUA nunca estiveram de fato ruins, diz Resende.
A conclusão é que Lula falou com todo mundo: com o Ahmadinejad do Irã, com Shimon Perez de Israel, com o amigo Nicolas Sarkozy da França (este de olho na venda bilionária de caças Rafale para a FAB), com Hu Jintao da China e com vários ditadores africanos.
Lula também defendeu a ditadura os irmãos Fidel e Raúl Castro em Cuba e foi criticado por não apoiar os presos políticos do regime comunista. Ainda assim, foi tratado como celebridade por jornais estrangeiros, como o espanhol El País e o francês Le Monde.
Lula só não falou com Honduras
Em setembro de 2009, Manuel Zelaya, presidente de Honduras foi deposto num golpe meio fora de moda (ao estilo das ditaduras latino-americanas dos anos 1960 e 1970), buscou refúgio na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Lula foi jogado no centro da crise hondurenha.
O Brasil e a maior parte da América Latina não reconheceram as eleições realizadas pelo governo golpista que derrubou Zelaya - a votação teve apoio dos EUA. Acabou prevalecendo a posição americana. Para Saint Pierre e Resende, o Brasil tomou a posição correta. Maria Helena diz que a atuação brasileira foi “um desastre”.
Em oito anos, Lula fez 262 viagens ao exterior, visitou 81 países e três territórios e abriu 44 embaixadas e 21 consulados. Sempre andou acompanhado de Celso Amorim, o ministro das Relações Exteriores que mais tempo esteve à frente do Itamaraty (superando o Barão do Rio Branco, o pai da diplomacia brasileira). Também esteve ao lado de seu polêmico assessor especial, Marco Aurélio Garcia.
No dia 1º de janeiro de 2011, Lula entrega o governo, mas, ao que tudo indica, sua atuação externa e suas andanças pelo mundo vão continuar. Resta saber o que está guardado para o futuro ex-presidente.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Agnelo se mudará para a Residência Oficial
GDF em 31/12/2010 às 9:45
Agnelo
A um dia da posse, o governador eleito Agnelo Queiroz (PT) se prepara para mudar para a Residência Oficial de Águas Claras já na próxima segunda-feira (3). Acompanhado da esposa, Ilza Maria, o petista deixará sua casa no Lago Sul para ocupar a moradia oficial do governador do DF. Agnelo teria pedido para limparem o local e deixar a casa ‘habitável’, uma vez que o espaço foi pouco utilizado por Rogério Rosso. Para o petista, a Residência Oficial faz parte da história política de Brasília e deve ser utilizada pelo governador. “Em Águas Claras, vou poder trabalhar 24 horas por dia, sem misturar o particular com o institucional. Fazer jantares, reuniões e trabalhar pelo DF”, disse o governador eleito.
A residência é mobiliada e Agnelo deve levar apenas os pertences pessoais. Apaixonado por artes plásticas, sua casa atual tem muitos quadros de artistas brasileiros. Caso não leve nenhuma obra para a nova residência, Agnelo sentirá falta das paredes decoradas. (Por Marcella Oliveira)
GDF em 31/12/2010 às 9:45
Agnelo
A um dia da posse, o governador eleito Agnelo Queiroz (PT) se prepara para mudar para a Residência Oficial de Águas Claras já na próxima segunda-feira (3). Acompanhado da esposa, Ilza Maria, o petista deixará sua casa no Lago Sul para ocupar a moradia oficial do governador do DF. Agnelo teria pedido para limparem o local e deixar a casa ‘habitável’, uma vez que o espaço foi pouco utilizado por Rogério Rosso. Para o petista, a Residência Oficial faz parte da história política de Brasília e deve ser utilizada pelo governador. “Em Águas Claras, vou poder trabalhar 24 horas por dia, sem misturar o particular com o institucional. Fazer jantares, reuniões e trabalhar pelo DF”, disse o governador eleito.
A residência é mobiliada e Agnelo deve levar apenas os pertences pessoais. Apaixonado por artes plásticas, sua casa atual tem muitos quadros de artistas brasileiros. Caso não leve nenhuma obra para a nova residência, Agnelo sentirá falta das paredes decoradas. (Por Marcella Oliveira)
Mau tempo pode fazer Dilma desfilar em carro fechado
Agência Brasil
Publicação: 31/12/2010 09:12 Atualização:
Brasília – A Esplanada dos Ministérios, por onde a presidenta eleita, Dilma Rousseff, desfilará amanhã (1º), já está preparada para a festa. Se a chuva persistir, o trajeto em carro aberto – um Rolls-Royce – será substituído por um automóvel coberto. Dilma e o vice-presidente eleito, Michel Temer, sairão, em carros separados, por volta das 14h15, da Catedral rumo ao Congresso Nacional, depois ao Palácio do Planalto e em seguida ao Itamaraty.
A expectativa é que cerca de 1,7 mi pessoas compareçam ao Congresso, número que deve ser semelhante no Planalto, e cerca de 2,5 mil no coquetel que será oferecido no Itamaraty. No Congresso, Dilma fará o compromisso constitucional, quando dará a palavra que vai honrar e desempenhar da melhor forma possível o cargo de presidente da República. Ela pretende fazer um discurso de 40 minutos.
Em seguida, Dilma e Temer vão para o Planalto. Na rampa do palácio, Dilma será recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por volta das 16h30. No parlatório, que fica do lado de fora do prédio, Dilma recebe a faixa presidencial de Lula. No local, ela faz um discurso à nação, no qual deve relacionar suas prioridades e compromissos para os quatro anos de gestão.
O parlatório fica de frente para a Praça dos Três Poderes, onde deverá estar a maior concentração de pessoas de toda a Esplanada dos Ministérios. Ainda no Planalto, Dilma dará posse ao novo ministério e posa para a foto oficial com a toda a equipe. Convidados estrangeiros e brasileiros poderão acompanhar, mas não terão tempo para cumprimentá-la.
Os apertos de mão e eventuais abraços e beijos ficarão para o coquetel no Itamaraty – na chamada Sala Duas Épocas, que fica no 3º andar. Porém, cada autoridade terá, no máximo, 30 segundos para conversar com a presidenta.
No Itamaraty, o coquetel para cerca de 50 autoridades estrangeiras e mais de 2 mil brasileiras serão servidos vinho nacional – da Casa Valduga -, refrigerantes, sucos e pratos leves. A previsão é que as comemorações acabem por volta das 21h.
Agência Brasil
Publicação: 31/12/2010 09:12 Atualização:
Brasília – A Esplanada dos Ministérios, por onde a presidenta eleita, Dilma Rousseff, desfilará amanhã (1º), já está preparada para a festa. Se a chuva persistir, o trajeto em carro aberto – um Rolls-Royce – será substituído por um automóvel coberto. Dilma e o vice-presidente eleito, Michel Temer, sairão, em carros separados, por volta das 14h15, da Catedral rumo ao Congresso Nacional, depois ao Palácio do Planalto e em seguida ao Itamaraty.
A expectativa é que cerca de 1,7 mi pessoas compareçam ao Congresso, número que deve ser semelhante no Planalto, e cerca de 2,5 mil no coquetel que será oferecido no Itamaraty. No Congresso, Dilma fará o compromisso constitucional, quando dará a palavra que vai honrar e desempenhar da melhor forma possível o cargo de presidente da República. Ela pretende fazer um discurso de 40 minutos.
Em seguida, Dilma e Temer vão para o Planalto. Na rampa do palácio, Dilma será recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por volta das 16h30. No parlatório, que fica do lado de fora do prédio, Dilma recebe a faixa presidencial de Lula. No local, ela faz um discurso à nação, no qual deve relacionar suas prioridades e compromissos para os quatro anos de gestão.
O parlatório fica de frente para a Praça dos Três Poderes, onde deverá estar a maior concentração de pessoas de toda a Esplanada dos Ministérios. Ainda no Planalto, Dilma dará posse ao novo ministério e posa para a foto oficial com a toda a equipe. Convidados estrangeiros e brasileiros poderão acompanhar, mas não terão tempo para cumprimentá-la.
Os apertos de mão e eventuais abraços e beijos ficarão para o coquetel no Itamaraty – na chamada Sala Duas Épocas, que fica no 3º andar. Porém, cada autoridade terá, no máximo, 30 segundos para conversar com a presidenta.
No Itamaraty, o coquetel para cerca de 50 autoridades estrangeiras e mais de 2 mil brasileiras serão servidos vinho nacional – da Casa Valduga -, refrigerantes, sucos e pratos leves. A previsão é que as comemorações acabem por volta das 21h.
Futuro chanceler aproveitará ministros estrangeiros na posse para reuniões
Agência Brasil
Publicação: 31/12/2010 09:14 Atualização:
Brasília – Nomeado para ser o novo ministro das Relações Exteriores, o embaixador Antonio Patriota quer evitar a perda de tempo. Antes mesmo de ser empossado no cargo – o que ocorrerá amanhã (1º) -, o diplomata já começa a trabalhar. Patriota se reúne hoje (31) à tarde com o chanceler de Cuba, Bruno Rodréguez Parrilla e, em seguida com o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive. Com os países caribenhos, o Brasil mantém estreitos vínculos de cooperação.
No dia 1º, pela manhã, Patriota conversa com o ministro da Defesa da França, Alain Juppé. Um dos temas em discussão, segundo assessores, deve ser a compra dos 36 caças que o Brasil pretende comprar. A França disputa a venda com a Suécia e os Estados Unidos.
Em novembro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o francês Nicolas Sarkozy discutiram sobre o assunto durante rápido encontro em Seul, na Coreia do Sul. Na ocasião, o presidente da França afirmou que estava confiante, mas que a decisão dependia das autoridades brasileiras.
Lula e Sarkozy assinaram, em novembro, um acordo de defesa estratégica incluindo a compra de helicópteros e submarinos convencionais e de energia nuclear.
No domingo (2), Patriota se reúne com o chanceler da Argentina, Héctor Timerman. No encontro, eles deverão rever os principais temas da relação entre os dois países. Timerman disse que, durante a conversa, quer sugerir a realização de uma reunião em Buenos Aires, já no o primeiro trimestre de 2011.
Agência Brasil
Publicação: 31/12/2010 09:14 Atualização:
Brasília – Nomeado para ser o novo ministro das Relações Exteriores, o embaixador Antonio Patriota quer evitar a perda de tempo. Antes mesmo de ser empossado no cargo – o que ocorrerá amanhã (1º) -, o diplomata já começa a trabalhar. Patriota se reúne hoje (31) à tarde com o chanceler de Cuba, Bruno Rodréguez Parrilla e, em seguida com o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive. Com os países caribenhos, o Brasil mantém estreitos vínculos de cooperação.
No dia 1º, pela manhã, Patriota conversa com o ministro da Defesa da França, Alain Juppé. Um dos temas em discussão, segundo assessores, deve ser a compra dos 36 caças que o Brasil pretende comprar. A França disputa a venda com a Suécia e os Estados Unidos.
Em novembro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o francês Nicolas Sarkozy discutiram sobre o assunto durante rápido encontro em Seul, na Coreia do Sul. Na ocasião, o presidente da França afirmou que estava confiante, mas que a decisão dependia das autoridades brasileiras.
Lula e Sarkozy assinaram, em novembro, um acordo de defesa estratégica incluindo a compra de helicópteros e submarinos convencionais e de energia nuclear.
No domingo (2), Patriota se reúne com o chanceler da Argentina, Héctor Timerman. No encontro, eles deverão rever os principais temas da relação entre os dois países. Timerman disse que, durante a conversa, quer sugerir a realização de uma reunião em Buenos Aires, já no o primeiro trimestre de 2011.
Transmissão ministerial começará durante festa de Dilma no Itamaraty
Agência Brasil
Publicação: 31/12/2010 09:33 Atualização:
Brasília - Após tomar posse como presidenta da República amanhã (1º), Dilma Rousseff empossará seus 37 ministros em cerimônia que acontece entre as 18h e as 18h30 no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Entretanto, a transição ministerial só termina com as transmissões de 28 cargos, que começam ainda no dia 1º e terminam na segunda-feira (3).
A mobilização para as cerimônias varia de acordo com a importância dos ministérios, e os roteiros seguem linhas muito semelhantes: composição da mesa, leitura do decreto de nomeação, discurso de quem deixa o cargo, discurso de quem assume e cumprimentos de convidados.
O primeiro ministro a assumir é o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que chefiará a pasta dos Transportes, em cerimônia agendada para as 20h de amanhã. O dia e horário escolhidos chocam com a recepção que será oferecida em homenagem a Dilma Rousseff no Palácio do Itamaraty. A assessoria de Nascimento afirma que o político faz questão que seus parentes participem da cerimônia, o que não seria possível em outra data pois eles eles retornam ao estado para seus afazeres. Também afirma que o futuro ministro não espera uma cerimônia badalada porque gosta de coisas simples.
O domingo (2) terá a transmissão de cargos de mais seis ministros. Entre eles, Antônio Patriota assume o Ministério das Relações Exteriores às 14h. Uma das finalidades de agendar o evento para o fim de semana é aproveitar a presença dos chanceleres estrangeiros que prestigiarão a posse de Dilma Rousseff. Após a transmissão de cargo dos ministros, 19 autoridades internacionais participarão de encontros bilaterais com Patriota, entre elas, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, e Hilary Clinton, secretária de Estado dos Estados Unidos.
A segunda-feira (3) será o dia de maior movimento na transmissão de cargos ministeriais, com 20 cerimônias. Uma das mais concorridas será do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que ocorre às 15h no auditório do prédio. A assessoria de imprensa do órgão afirma que muitas pessoas são esperadas para a cerimônia, o que motivou a instalação de um telão na frente do ministério e de três TVs na biblioteca, para onde devem ser deslocados alguns convidados. A transmissão também deverá ser feita por TVs localizadas no hall de entrada do prédio.
Em nove ministérios não haverá transmissão de cargos, uma vez que os ocupantes serão os mesmos do governo Lula. São eles: Guido Mantega na Fazenda; Fernando Haddad, na Educação; Luis Inácio Adams na Advocacia-Geral da União; Jorge Hage na Controladoria-Geral da União; Nelson Jobim no ministério da Defesa; Orlando Silva, de Esportes; Wagner Rossi na Agricultura; e Izabella Teixeira no Meio Ambiente.
Ainda não há definição sobre o dia e horário da transmissão de cargo de Moreira Franco, que assume a Secretaria de Assuntos Estratégicos no lugar de Samuel Pinheiro Guimarães.
Agência Brasil
Publicação: 31/12/2010 09:33 Atualização:
Brasília - Após tomar posse como presidenta da República amanhã (1º), Dilma Rousseff empossará seus 37 ministros em cerimônia que acontece entre as 18h e as 18h30 no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Entretanto, a transição ministerial só termina com as transmissões de 28 cargos, que começam ainda no dia 1º e terminam na segunda-feira (3).
A mobilização para as cerimônias varia de acordo com a importância dos ministérios, e os roteiros seguem linhas muito semelhantes: composição da mesa, leitura do decreto de nomeação, discurso de quem deixa o cargo, discurso de quem assume e cumprimentos de convidados.
O primeiro ministro a assumir é o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que chefiará a pasta dos Transportes, em cerimônia agendada para as 20h de amanhã. O dia e horário escolhidos chocam com a recepção que será oferecida em homenagem a Dilma Rousseff no Palácio do Itamaraty. A assessoria de Nascimento afirma que o político faz questão que seus parentes participem da cerimônia, o que não seria possível em outra data pois eles eles retornam ao estado para seus afazeres. Também afirma que o futuro ministro não espera uma cerimônia badalada porque gosta de coisas simples.
O domingo (2) terá a transmissão de cargos de mais seis ministros. Entre eles, Antônio Patriota assume o Ministério das Relações Exteriores às 14h. Uma das finalidades de agendar o evento para o fim de semana é aproveitar a presença dos chanceleres estrangeiros que prestigiarão a posse de Dilma Rousseff. Após a transmissão de cargo dos ministros, 19 autoridades internacionais participarão de encontros bilaterais com Patriota, entre elas, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, e Hilary Clinton, secretária de Estado dos Estados Unidos.
A segunda-feira (3) será o dia de maior movimento na transmissão de cargos ministeriais, com 20 cerimônias. Uma das mais concorridas será do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que ocorre às 15h no auditório do prédio. A assessoria de imprensa do órgão afirma que muitas pessoas são esperadas para a cerimônia, o que motivou a instalação de um telão na frente do ministério e de três TVs na biblioteca, para onde devem ser deslocados alguns convidados. A transmissão também deverá ser feita por TVs localizadas no hall de entrada do prédio.
Em nove ministérios não haverá transmissão de cargos, uma vez que os ocupantes serão os mesmos do governo Lula. São eles: Guido Mantega na Fazenda; Fernando Haddad, na Educação; Luis Inácio Adams na Advocacia-Geral da União; Jorge Hage na Controladoria-Geral da União; Nelson Jobim no ministério da Defesa; Orlando Silva, de Esportes; Wagner Rossi na Agricultura; e Izabella Teixeira no Meio Ambiente.
Ainda não há definição sobre o dia e horário da transmissão de cargo de Moreira Franco, que assume a Secretaria de Assuntos Estratégicos no lugar de Samuel Pinheiro Guimarães.
2010 é um ano para ficar na memória
Após a divulgação de vídeos com políticos embolsando dinheiro, Brasília assistiu à inédita prisão de um governador, à renúncia do vice e a um governo tampão marcado pelo caos em áreas vitais, como saúde e segurança. Por tudo isso, o ano do cinquentenário não pode ser esquecido
Juliana Boechat
Publicação: 31/12/2010 07:52 Atualização:
O ano que termina hoje ficará para sempre marcado na história do Distrito Federal. Justamente quando a capital da República comemoraria seu cinquentenário, os brasilienses assistiram a uma sucessão de escândalos que mancharam a imagem da cidade e afetou diretamente a vida dos cidadãos. Na verdade, 2010 começou 35 dias antes. Mais precisamente em 27 de novembro do ano anterior, quando a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram a Operação Caixa de Pandora, que revelou um organizado esquema de corrupção cristalizado por toda a estrutura de poder. Diversos vídeos mostraram autoridades recebendo maços de dinheiro e escondendo a suposta propina em bolsas, na cueca e até nas meias.
No início de 2010, o governador José Roberto Arruda foi preso por dois meses e cassado — foi a primeira vez que um chefe de Estado foi detido no exercício do cargo em todo o país. O vice, Paulo Octávio, renunciou ao cargo e houve a eleição indireta de Rogério Rosso para um mandato-tampão. Dois deputados distritais renunciaram para escapar da degola e um terceiro — a deputada Eurides Brito — acabou cassada por seus pares. A metástase institucional respingou no próprio Ministério Público, que viu ser afastado por 120 dias o ex-procurador-geral de Justiça Leonardo Bandarra, também acusado de corrupção.
Em meio a essa sucessão de escândalos, o brasiliense enfrentou uma conturbada eleição, dominada não pelo debate de propostas, mas pelo embate jurídico em torno da Lei da Ficha Limpa, que acabou por tirar da política o ex-governador Joaquim Roriz. Impedido de disputar, mas na expectativa de se manter no poder, ele lançou a mulher, Weslian, como candidata ao Buriti. As gafes cometidas pela ex-primeira-dama em debates e entrevistas deram ares de folclore à política de uma cidade já envergonhada.
A crise que fez ruir todo um governo afetou diretamente a vida de cada morador do DF. O governo paralisou centenas de obras, algumas no coração da cidade. Áreas essenciais mergulharam no caos. Na saúde, faltam médicos, leitos de UTI e até esparadrapos nos hospitais. O centro cirúrgico do Hospital Regional de Ceilândia foi interditado por causa de piolhos de pombo. Na segurança, o crack avançou assustadoramente, tomando conta de áreas encravadas no centro da capital. E o ano termina com o Distrito Federal tomado pelo mato alto e pelo lixo, símbolos do abandono da cinquentenária Brasília.
Apesar de tudo, 2010 não é um ano para ser esquecido. Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Correio, Brasília deve buscar amadurecer com a experiência vivida. Para a cientista política Lucia Avelar, os escândalos derrubaram a auto-estima da população, mas também serviram para mobilizar a sociedade. “O brasiliense ficou de cabeça baixa. A população fica mal vista e reafirma a imagem de que ali é o espaço da corrupção”, afirma. Por isso, Lucia defende a participação popular para o fim dos escândalos políticos na capital federal. “Acredito na força da sociedade quando ela se manifesta.”
Na avaliação do professor da UnB David Fleischer, 2010 servirá de exemplo. “O brasiliense não deveria se esquecer deste ano, mas se lembrar para evitar repetições dos mesmos erros. Tem de tentar não eleger ladrões e evitar cair no papo de promessas demagógicas”, afirma. O cientista político Murillo de Aragão também vê um saldo positivo em toda essa crise política. “Foi um ano doloroso por conta de tudo o que aconteceu, mas também foi um ano em que parte dos desvios foram neutralizados. Teve esse lado positivo, com ganhos no aperfeiçoamento da fiscalização. Foi o ano em que se descobriu os esquemas ocorridos nos anos anteriores. Não é um ano para ser esquecido. Agora, a população vai levar tempo para se recuperar e a voltar a confiar na política brasiliense.”
Na avaliação do professor Octaciano Nogueira, a crise vivida em 2010 ajudará Brasília a avançar no processo democrático. “Pela primeira vez um governador foi preso. É um avanço no funcionamento das instituições porque gera a diminuição da taxa de impunidade ou, pelo menos, da percepção da impunidade. É um aviso de que as instituições democráticas estão funcionando e uma advertência para os corruptos”, defende.
O também cientista político João Paulo Peixoto avalia que a cidade ainda não conseguiu se recuperar da crise. “Infelizmente, é isso que vai marcar o ano. Wilson Lima e Rogério Rosso estiveram longe de cumprir minimamente o seu papel de administradores temporários do GDF, o que prejudicou muito a condução e a implementação das políticas públicas que estavam em andamento no GDF. É só olhar a cidade hoje. Ela nunca esteve tão suja e tão descuidada.”
Como a crise afetou a minha vida
Adeilton Lima, 45 anos, ator
Há 23 anos, o ator Adeilton Lima (foto) convive diariamente com o descaso da cultura no Distrito Federal. Os espaços culturais estão abandonados, os artistas locais não contam com incentivo e as manifestações independentes, quando muito, recebem patrocínios do governo federal. “A grande metáfora para este descaso da cidade é o tamanho do mato e a quantidade de lixo nas ruas. A cidade está abandonada”, protesta. A crise afetou diretamente a área cultural. Os repasses do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) foram suspensos e muitos projetos acabaram abandonados por falta de verba. “Muita gente foi prejudicada”, diz Adeilton. Na avaliação do ator, para reerguer a cultura de Brasília é necessário incrementar as condições básicas da população com educação, saúde e segurança. “É tudo interligado e isso reflete diretamente na cultura. As pessoas não vão ao cinema se o sistema de transporte não funciona, se o local não é seguro”, diz.
Raul Cardoso, 23 anos, estudante
O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, Raul Cardoso, 23 anos , participou ativamente do movimento contra a corrupção no Distrito Federal. Logo após a deflagração do esquema de corrupção pela Polícia Federal, ele reuniu o movimento estudantil e saiu às ruas. “Quando começaram a surgir os casos, na primeira semana, decidimos não deixar isso passar batido”, lembra. Aos poucos, o grupo se uniu e chamou a atenção de Brasília. Ocuparam as duas sedes da Câmara Legislativa, fizeram apitaços pela cidade, manifestações bem humoradas e enfrentaram repressões da Polícia Militar. “Tivemos vitórias concretas, como o afastamento do Arruda. É um recado importante para a sociedade: de que a união consegue o que quer”, explica. Para ele, o ciclo ainda não se completou. Ano que vem, pretendem trabalhar com a sociedade para repensar o Distrito Federal. “Brasília não pode se mobilizar só em época de crise política. Com a união, você divide as ansiedades e inquietações. Acima de tudo, foi um aprendizado coletivo.”
Oliveira Fernandes, 74 anos, agricultor
Há 50 anos, o agricultor Oliveira Fernandes, 74, instalou-se em uma área afastada da capital federal. Com o passar dos anos, acompanhou o crescimento de Águas Claras, o desenvolvimento de Vicente Pires e as obras de ampliação da EPTG, hoje denominada Linha Verde. Tanta mudança na região prejudicou o estilo de vida de Oliveira. “Estão aterrando a minha casa. Um córrego de água se forma no meio da passarela (de pedestres) e cai dentro da chácara, trazendo todo o barro da obra”, reclama. Na entrada da casa de Oliveira, há restos de madeira, concreto e piche. O descaso se repete ao longo de toda a EPTG, que foi entregue inacabada à população — a obra era uma das prioridades do ex-governador Arruda e foi lançada meses antes de estourar o escândalo da Caixa de Pandora. O corredor de transporte que estava previsto não entrou em operação e as paradas de ônibus já estão pichadas. A sinalização é deficiente em muitos pontos.
ANÁLISE DA NOTÍCIA
De todos os brasilienses para...
>> Ana Dubeux
São muitos os destinatários que poderiam receber tais notícias de Brasília. Também são muitos os remetentes. Faço minhas, então, as palavras dos quase 2 milhões de brasilienses, que esperam estar de fato iniciando um novo ano. Que 2011 tenha a cara festiva e alegre que a comemoração dos 50 anos merecia ter tido. Que 2011 seja a derrocada de uma corja que se apossou da nossa capital para se apropriar de sua riqueza, de seus impostos, do resultado de seu consumo. Que em 2011 a esperança imponha uma dura derrota ao pessimismo e ao descrédito na política, marcas registradas pós-Operação Pandora que ainda hoje perduram.
Brasília virou o ano com a sujeira e o mato espalhados por suas ruas num triste retrato do descaso a que somos submetidos desde a queda – bem-vinda – do governo Arruda por corrupção. Poderia ser diferente? Sim, mas o mandato tampão de Rogério Rosso não teve exatamente a marca do resgate de cidadania. Terminou tristemente com denúncias de shows superfaturados totalmente dispensáveis – inclusive para a biografia de Rosso. Aos senhores governantes e autoridades de Brasília nos últimos quatro anos, podemos dizer simplesmente que deixaram um legado de abandono jamais visto na cidade planejada para ser exemplo em todos os sentidos. Se tinham um plano de sucateamento geral da capital, podem se orgulhar, pois o cumpriram com maestria. Já foram tarde. E tenho dito.
Eis que amanhã seguiremos sob nova direção. Difícil estarmos em mãos piores do que já estivemos. Logo, acredito que eu e toda a população do Distrito Federal já estamos perigosamente comemorando de véspera. O mandato Agnelo, se não for muito ruim, já terá sido melhor. Mas, é verdade, esperamos muito mais. Aguardamos limpeza, segurança, educação e saúde de qualidade. Depositamos todas as expectativas, as melhores, num governo mais justo, mais capaz e, por favor, honesto, decente, sem roubalheira e corrupção.
Ao longo dos últimos meses, aqui neste espaço, pedi muito que Brasília fosse varrida, lavada e enxaguada. Na verdade, precisávamos de um dilúvio para tirar toda a sujeira depositada durante tantos anos de desmandos. Apenas algumas espécies deveriam ser resguardadas: os cidadãos honestos, com boas ideias e projetos, sem a ganância que sempre nos impõe castigos imensuráveis. Espero que nossas escolhas nos honrem até 2014.
Após a divulgação de vídeos com políticos embolsando dinheiro, Brasília assistiu à inédita prisão de um governador, à renúncia do vice e a um governo tampão marcado pelo caos em áreas vitais, como saúde e segurança. Por tudo isso, o ano do cinquentenário não pode ser esquecido
Juliana Boechat
Publicação: 31/12/2010 07:52 Atualização:
O ano que termina hoje ficará para sempre marcado na história do Distrito Federal. Justamente quando a capital da República comemoraria seu cinquentenário, os brasilienses assistiram a uma sucessão de escândalos que mancharam a imagem da cidade e afetou diretamente a vida dos cidadãos. Na verdade, 2010 começou 35 dias antes. Mais precisamente em 27 de novembro do ano anterior, quando a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram a Operação Caixa de Pandora, que revelou um organizado esquema de corrupção cristalizado por toda a estrutura de poder. Diversos vídeos mostraram autoridades recebendo maços de dinheiro e escondendo a suposta propina em bolsas, na cueca e até nas meias.
No início de 2010, o governador José Roberto Arruda foi preso por dois meses e cassado — foi a primeira vez que um chefe de Estado foi detido no exercício do cargo em todo o país. O vice, Paulo Octávio, renunciou ao cargo e houve a eleição indireta de Rogério Rosso para um mandato-tampão. Dois deputados distritais renunciaram para escapar da degola e um terceiro — a deputada Eurides Brito — acabou cassada por seus pares. A metástase institucional respingou no próprio Ministério Público, que viu ser afastado por 120 dias o ex-procurador-geral de Justiça Leonardo Bandarra, também acusado de corrupção.
Em meio a essa sucessão de escândalos, o brasiliense enfrentou uma conturbada eleição, dominada não pelo debate de propostas, mas pelo embate jurídico em torno da Lei da Ficha Limpa, que acabou por tirar da política o ex-governador Joaquim Roriz. Impedido de disputar, mas na expectativa de se manter no poder, ele lançou a mulher, Weslian, como candidata ao Buriti. As gafes cometidas pela ex-primeira-dama em debates e entrevistas deram ares de folclore à política de uma cidade já envergonhada.
A crise que fez ruir todo um governo afetou diretamente a vida de cada morador do DF. O governo paralisou centenas de obras, algumas no coração da cidade. Áreas essenciais mergulharam no caos. Na saúde, faltam médicos, leitos de UTI e até esparadrapos nos hospitais. O centro cirúrgico do Hospital Regional de Ceilândia foi interditado por causa de piolhos de pombo. Na segurança, o crack avançou assustadoramente, tomando conta de áreas encravadas no centro da capital. E o ano termina com o Distrito Federal tomado pelo mato alto e pelo lixo, símbolos do abandono da cinquentenária Brasília.
Apesar de tudo, 2010 não é um ano para ser esquecido. Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Correio, Brasília deve buscar amadurecer com a experiência vivida. Para a cientista política Lucia Avelar, os escândalos derrubaram a auto-estima da população, mas também serviram para mobilizar a sociedade. “O brasiliense ficou de cabeça baixa. A população fica mal vista e reafirma a imagem de que ali é o espaço da corrupção”, afirma. Por isso, Lucia defende a participação popular para o fim dos escândalos políticos na capital federal. “Acredito na força da sociedade quando ela se manifesta.”
Na avaliação do professor da UnB David Fleischer, 2010 servirá de exemplo. “O brasiliense não deveria se esquecer deste ano, mas se lembrar para evitar repetições dos mesmos erros. Tem de tentar não eleger ladrões e evitar cair no papo de promessas demagógicas”, afirma. O cientista político Murillo de Aragão também vê um saldo positivo em toda essa crise política. “Foi um ano doloroso por conta de tudo o que aconteceu, mas também foi um ano em que parte dos desvios foram neutralizados. Teve esse lado positivo, com ganhos no aperfeiçoamento da fiscalização. Foi o ano em que se descobriu os esquemas ocorridos nos anos anteriores. Não é um ano para ser esquecido. Agora, a população vai levar tempo para se recuperar e a voltar a confiar na política brasiliense.”
Na avaliação do professor Octaciano Nogueira, a crise vivida em 2010 ajudará Brasília a avançar no processo democrático. “Pela primeira vez um governador foi preso. É um avanço no funcionamento das instituições porque gera a diminuição da taxa de impunidade ou, pelo menos, da percepção da impunidade. É um aviso de que as instituições democráticas estão funcionando e uma advertência para os corruptos”, defende.
O também cientista político João Paulo Peixoto avalia que a cidade ainda não conseguiu se recuperar da crise. “Infelizmente, é isso que vai marcar o ano. Wilson Lima e Rogério Rosso estiveram longe de cumprir minimamente o seu papel de administradores temporários do GDF, o que prejudicou muito a condução e a implementação das políticas públicas que estavam em andamento no GDF. É só olhar a cidade hoje. Ela nunca esteve tão suja e tão descuidada.”
Como a crise afetou a minha vida
Adeilton Lima, 45 anos, ator
Há 23 anos, o ator Adeilton Lima (foto) convive diariamente com o descaso da cultura no Distrito Federal. Os espaços culturais estão abandonados, os artistas locais não contam com incentivo e as manifestações independentes, quando muito, recebem patrocínios do governo federal. “A grande metáfora para este descaso da cidade é o tamanho do mato e a quantidade de lixo nas ruas. A cidade está abandonada”, protesta. A crise afetou diretamente a área cultural. Os repasses do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) foram suspensos e muitos projetos acabaram abandonados por falta de verba. “Muita gente foi prejudicada”, diz Adeilton. Na avaliação do ator, para reerguer a cultura de Brasília é necessário incrementar as condições básicas da população com educação, saúde e segurança. “É tudo interligado e isso reflete diretamente na cultura. As pessoas não vão ao cinema se o sistema de transporte não funciona, se o local não é seguro”, diz.
Raul Cardoso, 23 anos, estudante
O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, Raul Cardoso, 23 anos , participou ativamente do movimento contra a corrupção no Distrito Federal. Logo após a deflagração do esquema de corrupção pela Polícia Federal, ele reuniu o movimento estudantil e saiu às ruas. “Quando começaram a surgir os casos, na primeira semana, decidimos não deixar isso passar batido”, lembra. Aos poucos, o grupo se uniu e chamou a atenção de Brasília. Ocuparam as duas sedes da Câmara Legislativa, fizeram apitaços pela cidade, manifestações bem humoradas e enfrentaram repressões da Polícia Militar. “Tivemos vitórias concretas, como o afastamento do Arruda. É um recado importante para a sociedade: de que a união consegue o que quer”, explica. Para ele, o ciclo ainda não se completou. Ano que vem, pretendem trabalhar com a sociedade para repensar o Distrito Federal. “Brasília não pode se mobilizar só em época de crise política. Com a união, você divide as ansiedades e inquietações. Acima de tudo, foi um aprendizado coletivo.”
Oliveira Fernandes, 74 anos, agricultor
Há 50 anos, o agricultor Oliveira Fernandes, 74, instalou-se em uma área afastada da capital federal. Com o passar dos anos, acompanhou o crescimento de Águas Claras, o desenvolvimento de Vicente Pires e as obras de ampliação da EPTG, hoje denominada Linha Verde. Tanta mudança na região prejudicou o estilo de vida de Oliveira. “Estão aterrando a minha casa. Um córrego de água se forma no meio da passarela (de pedestres) e cai dentro da chácara, trazendo todo o barro da obra”, reclama. Na entrada da casa de Oliveira, há restos de madeira, concreto e piche. O descaso se repete ao longo de toda a EPTG, que foi entregue inacabada à população — a obra era uma das prioridades do ex-governador Arruda e foi lançada meses antes de estourar o escândalo da Caixa de Pandora. O corredor de transporte que estava previsto não entrou em operação e as paradas de ônibus já estão pichadas. A sinalização é deficiente em muitos pontos.
ANÁLISE DA NOTÍCIA
De todos os brasilienses para...
>> Ana Dubeux
São muitos os destinatários que poderiam receber tais notícias de Brasília. Também são muitos os remetentes. Faço minhas, então, as palavras dos quase 2 milhões de brasilienses, que esperam estar de fato iniciando um novo ano. Que 2011 tenha a cara festiva e alegre que a comemoração dos 50 anos merecia ter tido. Que 2011 seja a derrocada de uma corja que se apossou da nossa capital para se apropriar de sua riqueza, de seus impostos, do resultado de seu consumo. Que em 2011 a esperança imponha uma dura derrota ao pessimismo e ao descrédito na política, marcas registradas pós-Operação Pandora que ainda hoje perduram.
Brasília virou o ano com a sujeira e o mato espalhados por suas ruas num triste retrato do descaso a que somos submetidos desde a queda – bem-vinda – do governo Arruda por corrupção. Poderia ser diferente? Sim, mas o mandato tampão de Rogério Rosso não teve exatamente a marca do resgate de cidadania. Terminou tristemente com denúncias de shows superfaturados totalmente dispensáveis – inclusive para a biografia de Rosso. Aos senhores governantes e autoridades de Brasília nos últimos quatro anos, podemos dizer simplesmente que deixaram um legado de abandono jamais visto na cidade planejada para ser exemplo em todos os sentidos. Se tinham um plano de sucateamento geral da capital, podem se orgulhar, pois o cumpriram com maestria. Já foram tarde. E tenho dito.
Eis que amanhã seguiremos sob nova direção. Difícil estarmos em mãos piores do que já estivemos. Logo, acredito que eu e toda a população do Distrito Federal já estamos perigosamente comemorando de véspera. O mandato Agnelo, se não for muito ruim, já terá sido melhor. Mas, é verdade, esperamos muito mais. Aguardamos limpeza, segurança, educação e saúde de qualidade. Depositamos todas as expectativas, as melhores, num governo mais justo, mais capaz e, por favor, honesto, decente, sem roubalheira e corrupção.
Ao longo dos últimos meses, aqui neste espaço, pedi muito que Brasília fosse varrida, lavada e enxaguada. Na verdade, precisávamos de um dilúvio para tirar toda a sujeira depositada durante tantos anos de desmandos. Apenas algumas espécies deveriam ser resguardadas: os cidadãos honestos, com boas ideias e projetos, sem a ganância que sempre nos impõe castigos imensuráveis. Espero que nossas escolhas nos honrem até 2014.
POLÍTICA
PT distribui cartilha e pede cuidado com grande imprensa
A nova versão do "Manual do Deputado Petista", destinada aos 88 parlamentares que assumirão o mandato na Câmara em fevereiro, recomenda aos eleitos tomarem cuidado com a grande imprensa, que, segundo a cartilha petista, teria má vontade com o PT e com o governo Lula desde 2003. Mas o livreto, de 51 páginas, faz um alerta ao deputado do partido e recomenda que não polemize com os meios de comunicação: "evite a suposição da existência de conspirações da imprensa contra o Congresso. Não seja corporativista".
Esta é a sexta edição do manual, atualizado a cada nova legislatura. O líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE), apresenta o documento como um mapa dos caminhos do Congresso e classifica as dicas como orientações úteis para a bancada.
Em relação à imprensa, o manual do PT afirma que muitas vezes a pauta do repórter já vem "fechada", que é elaborada pela direção do jornal, "o pessoal da retaguarda", caso de editores, coordenadores e diretores de redação. "São quem moldam a forma final da reportagem". Classificam a reportagem como "tese da redação". E sugerem: "não participe ou tente derrubar (a pauta). É preciso ter paciência e resistência".
Partido diz que população nota as manipulações
E concluem que "não é incomum a reportagem discordar da redação". Diz que há uma diferença clara entre o jornalista, apresentado como trabalhador assalariado, e a empresa para a qual trabalha.
Para o PT, não existe informação neutra ou imparcial. "Uma regra é falar pouco, e entrevista, de preferência, gravada. Em caso de off (sem identificação da fonte), passe-o apenas para um repórter. Jamais para dois". O manual recomenda ao deputado portador de alguma notícia que circule pelo Salão Verde, local próximo ao plenário, onde há intensa movimentação de jornalistas. Mas que tome cuidado com o dead line, que é o horário de fechamento dos jornais: "Se tem algo a divulgar, que o faça até as 16h, no máximo até as 17h".
Para o partido, a população está vacinada contra manipulações. A saída é a internet e as redes sociais, que, segundo o livreto, esvaziaram o poder de manipulação da grande imprensa. Os blogs alternativos são um caminho mais direto, "sem o filtro ideológico".
Na TV, diz o manual, é mais difícil colocar o parlamentar em evidência. O tempo disponível é curto e as emissoras entrevistam os mais conhecidos ou seus parlamentares preferidos, que "vendem" mais a notícia. Mas se for dar entrevista para televisões, recomenda-se, antes, fazer um "media training", uma espécie de treino com o assessor de imprensa.
A imprensa regional - conjunto de jornais, rádios e TVs dos estados de origem dos deputados - é citada como fundamental para o contato com as bases desses políticos, seus eleitores. A sugestão é fazer visitas de cortesia às redações. "Mas são veículos que pertencem a grupos políticos locais, muitos deles hostis ao PT".
Tratar bem jornalistas dos pequenos jornais também é outra dica. O PT diz que a profissão é marcada por alta rotatividade. "Vale lembrar que o jornalista que hoje trabalha no pequeno jornal ou na rádio do interior pode, amanhã, ser contratado por um veículo maior". Se enviar release (material de divulgação do mandato), sugere a cartilha, não esqueça de colocar telefone de contato e estar sempre localizável. Informações de O Globo.
PT distribui cartilha e pede cuidado com grande imprensa
A nova versão do "Manual do Deputado Petista", destinada aos 88 parlamentares que assumirão o mandato na Câmara em fevereiro, recomenda aos eleitos tomarem cuidado com a grande imprensa, que, segundo a cartilha petista, teria má vontade com o PT e com o governo Lula desde 2003. Mas o livreto, de 51 páginas, faz um alerta ao deputado do partido e recomenda que não polemize com os meios de comunicação: "evite a suposição da existência de conspirações da imprensa contra o Congresso. Não seja corporativista".
Esta é a sexta edição do manual, atualizado a cada nova legislatura. O líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE), apresenta o documento como um mapa dos caminhos do Congresso e classifica as dicas como orientações úteis para a bancada.
Em relação à imprensa, o manual do PT afirma que muitas vezes a pauta do repórter já vem "fechada", que é elaborada pela direção do jornal, "o pessoal da retaguarda", caso de editores, coordenadores e diretores de redação. "São quem moldam a forma final da reportagem". Classificam a reportagem como "tese da redação". E sugerem: "não participe ou tente derrubar (a pauta). É preciso ter paciência e resistência".
Partido diz que população nota as manipulações
E concluem que "não é incomum a reportagem discordar da redação". Diz que há uma diferença clara entre o jornalista, apresentado como trabalhador assalariado, e a empresa para a qual trabalha.
Para o PT, não existe informação neutra ou imparcial. "Uma regra é falar pouco, e entrevista, de preferência, gravada. Em caso de off (sem identificação da fonte), passe-o apenas para um repórter. Jamais para dois". O manual recomenda ao deputado portador de alguma notícia que circule pelo Salão Verde, local próximo ao plenário, onde há intensa movimentação de jornalistas. Mas que tome cuidado com o dead line, que é o horário de fechamento dos jornais: "Se tem algo a divulgar, que o faça até as 16h, no máximo até as 17h".
Para o partido, a população está vacinada contra manipulações. A saída é a internet e as redes sociais, que, segundo o livreto, esvaziaram o poder de manipulação da grande imprensa. Os blogs alternativos são um caminho mais direto, "sem o filtro ideológico".
Na TV, diz o manual, é mais difícil colocar o parlamentar em evidência. O tempo disponível é curto e as emissoras entrevistam os mais conhecidos ou seus parlamentares preferidos, que "vendem" mais a notícia. Mas se for dar entrevista para televisões, recomenda-se, antes, fazer um "media training", uma espécie de treino com o assessor de imprensa.
A imprensa regional - conjunto de jornais, rádios e TVs dos estados de origem dos deputados - é citada como fundamental para o contato com as bases desses políticos, seus eleitores. A sugestão é fazer visitas de cortesia às redações. "Mas são veículos que pertencem a grupos políticos locais, muitos deles hostis ao PT".
Tratar bem jornalistas dos pequenos jornais também é outra dica. O PT diz que a profissão é marcada por alta rotatividade. "Vale lembrar que o jornalista que hoje trabalha no pequeno jornal ou na rádio do interior pode, amanhã, ser contratado por um veículo maior". Se enviar release (material de divulgação do mandato), sugere a cartilha, não esqueça de colocar telefone de contato e estar sempre localizável. Informações de O Globo.
ECONOMIA
Dilma vai aceitar concessão privada de aeroportos
Uma das primeiras medidas da presidente Dilma Rousseff quando assumir o Planalto será aceitar a concessão privada de aeroportos. Dilma já bateu o martelo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a mudança, informa Ancelmo Gois na edição desta sexta-feira do jornal O Globo.
Jobim já apresentou decreto com modelo que prevê, entre outras coisas, um leque de opções de concessão, entre elas a por outorga, em que o valor pago seria destinado a um fundo para financiar os aeroportos deficitários e as malhas regionais de aviação sob administração do governo.
Nesta semana, o governador do Rio, Sergio Cabral Filho, defendeu a privatização dos aeroportos no Rio para que a cidade possa receber os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo em 2014. Cabral classificou o problema dos areoportos como a pedra no sapato da cidade.
Dilma vai aceitar concessão privada de aeroportos
Uma das primeiras medidas da presidente Dilma Rousseff quando assumir o Planalto será aceitar a concessão privada de aeroportos. Dilma já bateu o martelo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a mudança, informa Ancelmo Gois na edição desta sexta-feira do jornal O Globo.
Jobim já apresentou decreto com modelo que prevê, entre outras coisas, um leque de opções de concessão, entre elas a por outorga, em que o valor pago seria destinado a um fundo para financiar os aeroportos deficitários e as malhas regionais de aviação sob administração do governo.
Nesta semana, o governador do Rio, Sergio Cabral Filho, defendeu a privatização dos aeroportos no Rio para que a cidade possa receber os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo em 2014. Cabral classificou o problema dos areoportos como a pedra no sapato da cidade.
CABO PASSA O
BASTÃO AO DOUTOR
Cabo Patrício, em franca campanha
para eleger-se presidente da Câmara
Legislativa, foi o escolhido para dar
posse a Agnelo Queiroz (PT). Essa
função caberá a ele por ser o único
remanescente da atual Mesa Diretora
do órgão na próxima legislatura.
Resta saber se esse protocolo será
um bom agouro para os seus planos de
ser confirmado no comando da Câmara
Legislativa para os próximos dois anos.
BASTÃO AO DOUTOR
Cabo Patrício, em franca campanha
para eleger-se presidente da Câmara
Legislativa, foi o escolhido para dar
posse a Agnelo Queiroz (PT). Essa
função caberá a ele por ser o único
remanescente da atual Mesa Diretora
do órgão na próxima legislatura.
Resta saber se esse protocolo será
um bom agouro para os seus planos de
ser confirmado no comando da Câmara
Legislativa para os próximos dois anos.
Buriti está pronto para a posse de Agnelo Queiroz
O Palácio do Buriti está pronto para a solenidade de transmissão de cargos, que será realizada no dia 1° após o governador eleito Agnelo Queiroz (PT) ser empossado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Na tarde desta quinta-feira (30), o cerimonial do GDF realizou o ensaio-geral para ajustar os últimos detalhes da cerimônia. A coordenadora do cerimonial de transição, Tatiana Magalhães, e o futuro chefe da Casa Militar, coronel Leão, participaram do ensaio.
O evento começará às 11h30. Na ocasião, o governador Rogério Rosso e a vice-governadora, Ivelise Longhi, recepcionarão Agnelo na entrada do Palácio do Buriti para passar a faixa do cargo. Rosso e Agnelo farão um pronunciamento, e na sequência o novo governador assinará o termo de posse dos novos secretários de estados e administradores regionais do Distrito Federal. Ao final da solenidade, Agnelo concederá entrevista à imprensa e depois seguirá para a Praça do Buriti para cumprimentar a população.
Segundo o chefe do cerimonial do GDF, Robson Marques, somente convidados e imprensa credenciada terão acesso ao prédio. “Embora os eventos sejam somente para convidados, a população não vai perder nenhum momento. Vamos disponibilizar telões de led na Praça do Buriti para quem quiser acompanhar a cerimônia. Montamos uma estrutura para garantir conforto e segurança para toda a população. Está todo mundo envolvido para proporcionar uma festa bonita para Brasília e para o novo governador”, garante Marques.
O Palácio estará cercado por seguranças. Secretários e administradores atuais e nomeados, presidentes dos tribunais e profissionais da imprensa devidamente credenciados, entre outros convidados, terão acesso à solenidade. O encerramento está previsto para as 13h30.
Praça do Buriti
O cerimonial do GDF providenciou uma ampla estrutura para quem quiser acompanhar tanto a solenidade de posse quanto a cerimônia de transmissão de cargos. Foram montadas 11 tendas de 12m x 12m no local, e serão disponibilizados dois telões de led. Nove tendas serão destinadas à população. As outras duas estão reservadas para Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.
A Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) distribuirá água gratuita, e foram instalados banheiros químicos por toda a praça.
Trânsito alterado
Por volta das 11h, quando Agnelo deve sair da Casa Legislativa rumo ao Palácio do Buriti, o retorno em frente ao Tribunal de Justiça, que dá acesso à sede do Executivo local, será bloqueado para a passagem do comboio. Durante a solenidade de transmissão do cargo, as duas faixas da direita da via N1 serão fechadas.
Fonte: Agência Brasília
O Palácio do Buriti está pronto para a solenidade de transmissão de cargos, que será realizada no dia 1° após o governador eleito Agnelo Queiroz (PT) ser empossado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Na tarde desta quinta-feira (30), o cerimonial do GDF realizou o ensaio-geral para ajustar os últimos detalhes da cerimônia. A coordenadora do cerimonial de transição, Tatiana Magalhães, e o futuro chefe da Casa Militar, coronel Leão, participaram do ensaio.
O evento começará às 11h30. Na ocasião, o governador Rogério Rosso e a vice-governadora, Ivelise Longhi, recepcionarão Agnelo na entrada do Palácio do Buriti para passar a faixa do cargo. Rosso e Agnelo farão um pronunciamento, e na sequência o novo governador assinará o termo de posse dos novos secretários de estados e administradores regionais do Distrito Federal. Ao final da solenidade, Agnelo concederá entrevista à imprensa e depois seguirá para a Praça do Buriti para cumprimentar a população.
Segundo o chefe do cerimonial do GDF, Robson Marques, somente convidados e imprensa credenciada terão acesso ao prédio. “Embora os eventos sejam somente para convidados, a população não vai perder nenhum momento. Vamos disponibilizar telões de led na Praça do Buriti para quem quiser acompanhar a cerimônia. Montamos uma estrutura para garantir conforto e segurança para toda a população. Está todo mundo envolvido para proporcionar uma festa bonita para Brasília e para o novo governador”, garante Marques.
O Palácio estará cercado por seguranças. Secretários e administradores atuais e nomeados, presidentes dos tribunais e profissionais da imprensa devidamente credenciados, entre outros convidados, terão acesso à solenidade. O encerramento está previsto para as 13h30.
Praça do Buriti
O cerimonial do GDF providenciou uma ampla estrutura para quem quiser acompanhar tanto a solenidade de posse quanto a cerimônia de transmissão de cargos. Foram montadas 11 tendas de 12m x 12m no local, e serão disponibilizados dois telões de led. Nove tendas serão destinadas à população. As outras duas estão reservadas para Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.
A Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) distribuirá água gratuita, e foram instalados banheiros químicos por toda a praça.
Trânsito alterado
Por volta das 11h, quando Agnelo deve sair da Casa Legislativa rumo ao Palácio do Buriti, o retorno em frente ao Tribunal de Justiça, que dá acesso à sede do Executivo local, será bloqueado para a passagem do comboio. Durante a solenidade de transmissão do cargo, as duas faixas da direita da via N1 serão fechadas.
Fonte: Agência Brasília
A cerca de 48h da posse de Dilma, últimos detalhes são acertados
Agência Brasil
Publicação: 30/12/2010 14:54 Atualização:
A cerca de 48 horas da posse da presidenta eleita, Dilma Rousseff, os últimos detalhes são acertados. Só para o coquetel no Itamaraty, são esperados 2,5 mil convidados brasileiros e estrangeiros. Os convites nominais foram enviados para todos eles com a orientação para que usem traje passeio ou tradicional e, no caso de militares, o uniforme. No convite, o termo utilizado para se referir a Dilma é “a presidenta”, como ela quer ser chamada.
A expectativa é que ocorra um desfile de roupas típicas de países africanos e muçulmanos. A previsão é que 12 presidentes estrangeiros – principalmente dos países latino-americanos e africanos – compareçam à posse de Dilma. O presidente da Bolívia, Evo Morales, informou que chegará em cima da hora para a posse em 1º de janeiro, assim como o presidente do Uruguai, José Mujica.
Por motivos de segurança, a Embaixada dos Estados Unidos não detalha a chegada da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. No caso dos países parlamentaristas, o destaque na política é para quem ocupa o cargo de primeiro-ministro. Pelo menos dez primeiros-ministros confirmaram que virão a Brasília e dois ex-ministros (Japão e Sri Lanka) também informaram que estarão na cidade para a posse.
Para confeccionar o convite, o Itamaraty optou pela sobriedade e simplicidade. A lista de convidados foi expedida pelas equipes de transição de Dilma com o apoio do atual governo.
O príncipe Felipe de Borbón (da Espanha) também deve ter um lugar de destaque entre os convidados estrangeiros. A última cerimônia de posse a que ele compareceu foi em março, no Chile, do presidente Sebastián Piñera. Na ocasião, o príncipe e todos os presentes ao evento sofreram um susto pois foram registrados dois tremores de terra no país durante a cerimônia.
No fim da tarde desta quinta-feira (30/12), às 17h, Dilma se reúne com o primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Medtodiev Borisov. Filha do búlgaro Petar Rusev (que virou Rousseff no Brasil), a presidenta indica que o país de suas origens integrará os temas da política externa nacional na sua gestão. Para os búlgaros, basta ela ser filha de um cidadão do país para ser considerada também búlgara.
Agência Brasil
Publicação: 30/12/2010 14:54 Atualização:
A cerca de 48 horas da posse da presidenta eleita, Dilma Rousseff, os últimos detalhes são acertados. Só para o coquetel no Itamaraty, são esperados 2,5 mil convidados brasileiros e estrangeiros. Os convites nominais foram enviados para todos eles com a orientação para que usem traje passeio ou tradicional e, no caso de militares, o uniforme. No convite, o termo utilizado para se referir a Dilma é “a presidenta”, como ela quer ser chamada.
A expectativa é que ocorra um desfile de roupas típicas de países africanos e muçulmanos. A previsão é que 12 presidentes estrangeiros – principalmente dos países latino-americanos e africanos – compareçam à posse de Dilma. O presidente da Bolívia, Evo Morales, informou que chegará em cima da hora para a posse em 1º de janeiro, assim como o presidente do Uruguai, José Mujica.
Por motivos de segurança, a Embaixada dos Estados Unidos não detalha a chegada da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. No caso dos países parlamentaristas, o destaque na política é para quem ocupa o cargo de primeiro-ministro. Pelo menos dez primeiros-ministros confirmaram que virão a Brasília e dois ex-ministros (Japão e Sri Lanka) também informaram que estarão na cidade para a posse.
Para confeccionar o convite, o Itamaraty optou pela sobriedade e simplicidade. A lista de convidados foi expedida pelas equipes de transição de Dilma com o apoio do atual governo.
O príncipe Felipe de Borbón (da Espanha) também deve ter um lugar de destaque entre os convidados estrangeiros. A última cerimônia de posse a que ele compareceu foi em março, no Chile, do presidente Sebastián Piñera. Na ocasião, o príncipe e todos os presentes ao evento sofreram um susto pois foram registrados dois tremores de terra no país durante a cerimônia.
No fim da tarde desta quinta-feira (30/12), às 17h, Dilma se reúne com o primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Medtodiev Borisov. Filha do búlgaro Petar Rusev (que virou Rousseff no Brasil), a presidenta indica que o país de suas origens integrará os temas da política externa nacional na sua gestão. Para os búlgaros, basta ela ser filha de um cidadão do país para ser considerada também búlgara.
Visual que Dilma assumirá como presidente ainda é uma incógnita
A presidente eleita nunca teve a vaidade como uma de suas prioridades, mas viu-se obrigada a remodelar o rosto e o cabelo na campanha. Depois de empossada, o desafio será definir um estilo que corresponda à importância do cargo
Olívia Meireles
Publicação: 31/12/2010 08:00 Atualização:
[FOTO1]Eleita pela revista Forbes uma das três mulheres mais poderosas do mundo, a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, já se tornou uma imagem reconhecida globalmente. Uma mudança drástica se comparada à trajetória dessa senhora de 63 anos até 2008. Naquela época, ela era uma ministra de características técnicas com pretensões políticas — se é que existiam — muito mais modestas.
Nos últimos dois anos, Dilma teve de ser repensada como candidata. Não apenas politicamente. Visualmente também. Agora, a 24 horas da posse, ela deve passar por nova transformação — aquela que cabe à presidente do país mais importante da América Latina. O “new look de candidata” — como definiu o governador eleito do Acre, Tião Viana (PT) — está longe de ser unanimidade. E o dilema é saber como a ministra pouco apegada à vaidade vai se vestir a partir de amanhã, na condição de uma das mulheres mais poderosas do mundo.
O que se convencionou como “imagem pública” certamente não estava nas prioridades de Dilma. O anúncio da candidatura a obrigou a encarnar uma série de mudanças. A fama de brava, por exemplo, foi suavizada na marra. Para resolver o problema, primeiro ela tirou os óculos e fez plástica para atenuar as linhas de expressão. Em seguida, emagreceu para ficar mais elegante. O cabelo começou a mudar quando ela precisou passar por um tratamento contra o câncer, até que ela os clareou e os penteou para trás. Tudo em etapas, para que o público não estranhasse.
Dilma, no entanto, modificou nada — ou quase nada — na maneira como se veste. Continua optando por ternos apagados, que pecam não só por falta de grife, mas também por falta de personalidade. As cores que ela escolhe são básicas: azul, vermelho, creme, preto e cinza. E o principal problema: por alguma razão, os tamanhos das peças são sempre maiores que seu corpo. “Nunca se espera surpresas quando a presidente se arruma. Nem na cor da roupa e muito menos no modelo”, analisa Andreia Miron consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo.
A falta de um profissional para auxiliar Dilma a se vestir fez diferença na hora de criar a imagem política. “Parece que são duas pessoas diferentes. Do pescoço para cima, onde a presidente contou com uma ajuda profissional, ela é uma mulher superelegante. Do pescoço para baixo, ela parece alguém lutando para definir um estilo. Ela já é clássica, agora tem que aprender a ser elegante”, analisa Cleuza Ferreira, empresária da moda em Brasília.
Até na Vogue
A imagem de Dilma Rousseff causa tanta intriga no mundo que até a Vogue Itália dedicou um artigo exclusivo para o guarda-roupa da futura presidente brasileira. A jornalisa Alice Capieghi analisa o passado de guerrilheira de Dilma e o compara com os ternos clássicos que ela usa hoje em dia. A publicação tenta avaliar como uma mulher dessa idade, que não é muito bonita,consegue conquistar um país inteiro em uma era que a política virou sinônimo de imagem. “Qual a mensagem que Dilma está querendo passar para um mundo obcecado com imagem?”, indagam.
A equipe dela até tentou reverter o cenário. No início da campanha foi montado um quadro de referências com imagem de várias mulheres que estiveram em posições de poder. Estavam lá fotos de Michelle Obama, Carla Bruni e Hillary Clinton. Dilma, porém, nunca deu atenção à pesquisa. Não achava que o tema tinha importância, e até hoje ela demonstra um certo incômodo quando se aborda, na imprensa, o estilo (ou a busca dele).
Durante a campanha, até houve uma tentativa de reverter esse quadro considerado problemático pelos marqueteiros. O exemplo era a primeira-dama norte-americana, Michelle Obama, que conquistou o eleitorado quando começou a fazer referências à moda e à criação dos filhos em programas femininos. A equipe de Dilma acertou com Alexandre Herchcovitch, o maior estilista nacional, para que ele fosse consultor de estilo durante a campanha. A ideia era montar um apelo visual com roupas de outros estilistas e criações próprias. Semanas depois do anúncio, a dupla comunicou que a parceria nunca foi concretizada por incompatibilidade de agendas.
Rumores, no entanto, indicam que Dilma não teria aceitado os pitacos mais modernos de Herchcovitch. E ele não abriu mão de desenhar roupas com as características arrojadas do seu trabalho. “Ela ainda não acertou o estilo. Mas eu acredito que até o fim do mandato, vai perceber que é um modelo feminino e a sua figura é importante. Se ela quiser, ainda pode surpreender com as roupas”, acredita Cleuza Ferreira.
COM POTENCIAL
Kelly
Em julho do ano passado, quando a candidatura à Presidência ainda estava na categoria “rumores”, Dilma surgiu com uma bolsa Kelly, da Hermés. Nenhum problema, se a peça não custasse, em média, R$ 20 mil. Logo, ela correu para desmentir que não se tratava de um modelo original — teoricamente, era uma cópia comprada em uma lojinha na Itália.
[FOTO2]Cores
Difícil ver Dilma em cores que não sejam azul ou vermelho. A peça não foi unanimidade, mas causou surpresa: um azul chamativo com rendas roxas, na diplomação, há duas semanas. O modelo foi criado por Luísa Standlander, a mesma estilista que desenhou o tailleur branco off-white que ela vai usar na posse.
Crocs
No gabinete, Dilma busca o clássico. Pérolas, terninhos e sapatos tipo chanel. Em casa, naturalmente, ela é um pouco mais descontraída. Pouco antes do primeiro turno, apareceu de Crocs, um sapato canadense emborrachado, que gera amor e ódio entre os apaixonados por moda. Para completar, ela combinou a peça com modernos óculos escuros.
O poder e a indústria
Embora seja óbvio que chefe de Estado tem uma função e primeira-dama, outra, completamente diferente, quando o assunto é estilo, é praticamente impossível não compará-las. E apesar de moda não ser — mesmo — o assunto mais importante do cargo, é natural notar o que essas mulheres usam. “Por mais estranho que pareça, faz parte do trabalho delas impulsionar a indústria da moda. Mulheres poderosas usando roupas brasileiras é uma maneira de ajudar o consumo e a valorização indústria têxtil nacional. Todo mundo fica curioso para saber o que elas estão usando”, argumenta Cleuza Ferreira, empresária de moda.
Nos Estados Unidos, a primeira-dama, Michelle Obama, é conhecida pelo seu estilo. Ela mistura peças de roupas baratas com as de jovens estilistas. Durante a campanha de Barack Obama, o tema foi explorado em suas entrevistas, para tirar a fama de durona. Ela já chegou a ter 76% de aprovação popular, número maior que o do marido. A fama de ícone fashion rendeu mais de US$ 2,7 bilhões de dólares para as 29 empresas que Michelle já foi vista usando roupas por aí. No Brasil, ninguém conseguiu igualar a primeira-dama americana. Mas não é por isso que Dilma deixa de gerar menos expectativa. “Não adianta fugir desse papel. Dilma é uma imagem pública internacional. Cabe a ela saber como vai representar o povo e a moda brasileira no mundo”, conclui a consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron. (OM)
A presidente eleita nunca teve a vaidade como uma de suas prioridades, mas viu-se obrigada a remodelar o rosto e o cabelo na campanha. Depois de empossada, o desafio será definir um estilo que corresponda à importância do cargo
Olívia Meireles
Publicação: 31/12/2010 08:00 Atualização:
[FOTO1]Eleita pela revista Forbes uma das três mulheres mais poderosas do mundo, a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, já se tornou uma imagem reconhecida globalmente. Uma mudança drástica se comparada à trajetória dessa senhora de 63 anos até 2008. Naquela época, ela era uma ministra de características técnicas com pretensões políticas — se é que existiam — muito mais modestas.
Nos últimos dois anos, Dilma teve de ser repensada como candidata. Não apenas politicamente. Visualmente também. Agora, a 24 horas da posse, ela deve passar por nova transformação — aquela que cabe à presidente do país mais importante da América Latina. O “new look de candidata” — como definiu o governador eleito do Acre, Tião Viana (PT) — está longe de ser unanimidade. E o dilema é saber como a ministra pouco apegada à vaidade vai se vestir a partir de amanhã, na condição de uma das mulheres mais poderosas do mundo.
O que se convencionou como “imagem pública” certamente não estava nas prioridades de Dilma. O anúncio da candidatura a obrigou a encarnar uma série de mudanças. A fama de brava, por exemplo, foi suavizada na marra. Para resolver o problema, primeiro ela tirou os óculos e fez plástica para atenuar as linhas de expressão. Em seguida, emagreceu para ficar mais elegante. O cabelo começou a mudar quando ela precisou passar por um tratamento contra o câncer, até que ela os clareou e os penteou para trás. Tudo em etapas, para que o público não estranhasse.
Dilma, no entanto, modificou nada — ou quase nada — na maneira como se veste. Continua optando por ternos apagados, que pecam não só por falta de grife, mas também por falta de personalidade. As cores que ela escolhe são básicas: azul, vermelho, creme, preto e cinza. E o principal problema: por alguma razão, os tamanhos das peças são sempre maiores que seu corpo. “Nunca se espera surpresas quando a presidente se arruma. Nem na cor da roupa e muito menos no modelo”, analisa Andreia Miron consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo.
A falta de um profissional para auxiliar Dilma a se vestir fez diferença na hora de criar a imagem política. “Parece que são duas pessoas diferentes. Do pescoço para cima, onde a presidente contou com uma ajuda profissional, ela é uma mulher superelegante. Do pescoço para baixo, ela parece alguém lutando para definir um estilo. Ela já é clássica, agora tem que aprender a ser elegante”, analisa Cleuza Ferreira, empresária da moda em Brasília.
Até na Vogue
A imagem de Dilma Rousseff causa tanta intriga no mundo que até a Vogue Itália dedicou um artigo exclusivo para o guarda-roupa da futura presidente brasileira. A jornalisa Alice Capieghi analisa o passado de guerrilheira de Dilma e o compara com os ternos clássicos que ela usa hoje em dia. A publicação tenta avaliar como uma mulher dessa idade, que não é muito bonita,consegue conquistar um país inteiro em uma era que a política virou sinônimo de imagem. “Qual a mensagem que Dilma está querendo passar para um mundo obcecado com imagem?”, indagam.
A equipe dela até tentou reverter o cenário. No início da campanha foi montado um quadro de referências com imagem de várias mulheres que estiveram em posições de poder. Estavam lá fotos de Michelle Obama, Carla Bruni e Hillary Clinton. Dilma, porém, nunca deu atenção à pesquisa. Não achava que o tema tinha importância, e até hoje ela demonstra um certo incômodo quando se aborda, na imprensa, o estilo (ou a busca dele).
Durante a campanha, até houve uma tentativa de reverter esse quadro considerado problemático pelos marqueteiros. O exemplo era a primeira-dama norte-americana, Michelle Obama, que conquistou o eleitorado quando começou a fazer referências à moda e à criação dos filhos em programas femininos. A equipe de Dilma acertou com Alexandre Herchcovitch, o maior estilista nacional, para que ele fosse consultor de estilo durante a campanha. A ideia era montar um apelo visual com roupas de outros estilistas e criações próprias. Semanas depois do anúncio, a dupla comunicou que a parceria nunca foi concretizada por incompatibilidade de agendas.
Rumores, no entanto, indicam que Dilma não teria aceitado os pitacos mais modernos de Herchcovitch. E ele não abriu mão de desenhar roupas com as características arrojadas do seu trabalho. “Ela ainda não acertou o estilo. Mas eu acredito que até o fim do mandato, vai perceber que é um modelo feminino e a sua figura é importante. Se ela quiser, ainda pode surpreender com as roupas”, acredita Cleuza Ferreira.
COM POTENCIAL
Kelly
Em julho do ano passado, quando a candidatura à Presidência ainda estava na categoria “rumores”, Dilma surgiu com uma bolsa Kelly, da Hermés. Nenhum problema, se a peça não custasse, em média, R$ 20 mil. Logo, ela correu para desmentir que não se tratava de um modelo original — teoricamente, era uma cópia comprada em uma lojinha na Itália.
[FOTO2]Cores
Difícil ver Dilma em cores que não sejam azul ou vermelho. A peça não foi unanimidade, mas causou surpresa: um azul chamativo com rendas roxas, na diplomação, há duas semanas. O modelo foi criado por Luísa Standlander, a mesma estilista que desenhou o tailleur branco off-white que ela vai usar na posse.
Crocs
No gabinete, Dilma busca o clássico. Pérolas, terninhos e sapatos tipo chanel. Em casa, naturalmente, ela é um pouco mais descontraída. Pouco antes do primeiro turno, apareceu de Crocs, um sapato canadense emborrachado, que gera amor e ódio entre os apaixonados por moda. Para completar, ela combinou a peça com modernos óculos escuros.
O poder e a indústria
Embora seja óbvio que chefe de Estado tem uma função e primeira-dama, outra, completamente diferente, quando o assunto é estilo, é praticamente impossível não compará-las. E apesar de moda não ser — mesmo — o assunto mais importante do cargo, é natural notar o que essas mulheres usam. “Por mais estranho que pareça, faz parte do trabalho delas impulsionar a indústria da moda. Mulheres poderosas usando roupas brasileiras é uma maneira de ajudar o consumo e a valorização indústria têxtil nacional. Todo mundo fica curioso para saber o que elas estão usando”, argumenta Cleuza Ferreira, empresária de moda.
Nos Estados Unidos, a primeira-dama, Michelle Obama, é conhecida pelo seu estilo. Ela mistura peças de roupas baratas com as de jovens estilistas. Durante a campanha de Barack Obama, o tema foi explorado em suas entrevistas, para tirar a fama de durona. Ela já chegou a ter 76% de aprovação popular, número maior que o do marido. A fama de ícone fashion rendeu mais de US$ 2,7 bilhões de dólares para as 29 empresas que Michelle já foi vista usando roupas por aí. No Brasil, ninguém conseguiu igualar a primeira-dama americana. Mas não é por isso que Dilma deixa de gerar menos expectativa. “Não adianta fugir desse papel. Dilma é uma imagem pública internacional. Cabe a ela saber como vai representar o povo e a moda brasileira no mundo”, conclui a consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron. (OM)
Ensaio da posse de Dilma teve simulação de tiroteio e emboscada
Ensaios de emboscada e de tiroteio fizeram parte do último treinamento dos policiais que cuidarão da segurança de Dilma durante a posse
Alana Rizzo
Publicação: 31/12/2010 08:00 Atualização:
O último treinamento da equipe de segurança e inteligência da posse presidencial deixou de fora os militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O ensaio reuniu apenas policiais federais envolvidos diretamente na escolta da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT). As corporações disputam nos bastidores a competência pelo trabalho. Durante quase três horas, os agentes simularam o trajeto de aproximadamente dois quilômetros da Catedral, quando o comboio vindo da Granja do Torto trocará o carro fechado pelo Rolls Royce, até o Senado. Seis mulheres — três de cada lado — acompanharão o percurso a pé. As agentes precisarão correr a uma velocidade de aproximadamente 15km/h. Vinte agentes homens — 10 de cada lado — completarão a segurança aproximada de Dilma. Foram feitos também ensaios de emboscadas, tiros e resgates aéreos com uma dublê da presidente eleita. Ao todo, 70 policiais federais vão trabalhar nesse grupo.
A equipe destacada há seis meses — desde o início das eleições — para a segurança de Dilma é especializada em segurança de dignitários (autoridades). Todos já trabalharam em visitas de grandes líderes internacionais ao país, como o Papa Bento XVI, o presidente israelense Shimon Peres, e a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton. Mesmo em treinamento, a tensão dos policiais é visível. Para a equipe, a imagem do país está em jogo.
Falhas anteriores
Em 2003, a cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou transparecer falhas na segurança. As ruas de Brasília estavam tomadas por uma multidão e a equipe não conseguiu conter alguns militantes. Um admirador conseguiu romper o cordão de isolamento e se agarrou no pescoço de Lula, quase derrubando o presidente. Um outro manifestante subiu a rampa do Palácio do Planalto para tirar uma foto. Desta vez, grades serão instaladas na Esplanada dos Ministérios para separar a comitiva da presidente eleita do público que acompanhará o desfile.
A Polícia Federal é responsável pela proteção de Dilma da residência oficial até o Congresso, contrariando anos anteriores em que essa competência coube ao GSI. Os militares ficaram insatisfeitos com a decisão tomada pela própria presidente e disputam nos bastidores mais poder.
Neste ano, os Dragões da Independência e as motocicletas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ficarão à frente do carro da presidente eleita. Nas posses anteriores, tanto os cavalos como as motos percorreram o trajeto ao lado do veículo oficial. A decisão desagradou o GSI. A PF defende que a alteração foi feita para garantir mais visibilidade dos militantes e a segurança de Dilma.
Plateia nacional
A posse da primeira presidenta da República da história do país deverá atrair cerca de 20 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios amanhã. Apesar de a expectativa ser bem menor do que a registrada nas festividades para o presidente Lula em 2003, que levaram cerca de 70 mil pessoas ao centro de Brasília, o evento de 1º de janeiro de 2011 promete. “É um momento histórico, né? Eu vim à posse do Lula em 2007 e apertei a mão dele duas vezes na Praça dos Três Poderes depois que ele discursou no parlatório. Agora, vou de novo com a família para ver a Dilma Rousseff”, afirma o comerciante paranaense Antonio Carlos Berbel, 55 anos, que chegou de Rolândia (PR) com a mulher, na última quinta-feira, para visitar a filha e a neta e ir à Esplanada.
Mesmo se chover — e a previsão do tempo indica 90% de chance de tempo nublado com pancadas de chuva —, o eleitor de Dilma pretende marcar presença para ver as solenidades de mudança de governo a partir das 13h30. “Pode fazer o tempo que for, estaremos lá. Vou levar a minha neta de três anos, que nasceu aqui em Brasília, para presenciar esse momento. Minha sogra, que também apertou a mão do Lula em 2007, vai junto”, conta o paranaense, que viajou 1,1 mil quilômetros de carro e recepcionou, ontem, na rodoviária, o resto da família, que veio a Brasília de ônibus.
A partir das 10 horas, várias apresentações deverão ser realizadas na Esplanada e na Praça dos Três Poderes, com entrada franca. “Esperamos ver a Esplanada cheia para prestigiar a posse da primeira mulher eleita presidente do país. Sem dúvida, esse momento estará registrado nos livros de história que minha neta lerá na escola. Espero que a Dilma melhore a qualidade do ensino público brasileiro”, afirma a professora de educação especial Juracides Berbel, mulher de Antonio.
Garçons da posse
Cerca de 3 mil convidados prestigiarão a festa de posse de Dilma e Michel Temer no fim do dia, no Palácio do Itamaraty. Os cearenses João Alberto e Renato Siqueira, irmãos e eleitores da petista, estarão lá. Eles são garçons há mais de 20 anos e fazem parte da extensa lista de profissionais que estarão de serviço em 1º de janeiro. “Eu acho que vai ser muito bom, tudo da melhor maneira possível. Votei na Dilma porque acho que ela vai dar continuidade ao que o Lula fez. A expectativa é boa”, diz João Alberto.
A mulher de Francisco Renato também espera que a petista faça um bom governo, apesar de não ter votado nela, e se orgulha de ver o marido trabalhando na posse. “Chique, né?”, diz.
Mais nomes divulgados
» Tiago Pariz
O futuro ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, indicou ontem o petista Wagner Pinheiro para chefiar os Correios, substituindo Davi José Matos. Pinheiro preside a Petros, fundo de pensão da Petrobras. A decisão diminui ainda mais o espaço do PMDB no governo Dilma. O partido reduziu o volume orçamentário de ministérios que administrará a partir de janeiro. E, agora, começa a perder postos chaves das estatais.
Matos é uma indicação do partido e tem como padrinho político o vice-governador eleito do DF, Tadeu Fillipelli, e o senador Gim Argello (PTB-DF). Pinheiro é economista e comandou a Petros durante todo o mandato de Lula. Além dos Correios, o PMDB perderá o comando da Secretaria de Atenção à Saúde e da Eletrobras.
Já o futuro ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nomeou ontem a advogada Maria Filomena De Luca Miki para a Secretaria Nacional de Segurança Pública e o a-tual presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Junior, para a Secretaria Nacional de Justiça. O atual secretário de Assuntos Legislativos, Pedro Abramovay, chefiará a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Vinícius Marques de Carvalho, que é conselheiro do Cade, foi nomeado para a Secretaria de Direito Econômico.
O ROTEIRO DA CERIMÔNIA
14h30
» Dilma e Temer embarcam em carros abertos na Catedral e seguem, escoltados por batedores e pela cavalaria do Batalhão da Guarda Presidencial, até a rampa do Congresso Nacional.
» No Congresso, Dilma e Temer são recebidos por José Sarney, presidente do Senado, e seguem para o plenário da Câmara dos Deputados.
» Do plenário, Dilma e Temer seguem para a rampa principal na área externa, onde será executado o Hino Nacional pela banda do Batalhão da Guarda Presidencial, com salva de 21 tiros.
» Depois, os dois partem, em carro aberto, para o Palácio do Planalto.
16h30
» Dilma e Temer sobem a rampa do Planalto, são recebidos pelo presidente Lula na área interna e seguem ao parlatório para a cerimônia de passagem da faixa presidencial. Lula passa a faixa a Dilma Rousseff e todos voltam ao interior do palácio para os cumprimentos das delegações estrangeiras.
» Após essa cerimônia, Dilma acompanha o presidente Lula até o alto da rampa e, de lá, se despede do já ex-presidente. Dilma retorna, então, ao parlatório, onde fará o seu pronunciamento. Em seguida, retorna ao interior do palácio e, no Salão Nobre, dá posse ao seu ministério.
18h30
» Dilma e Temer participam de um coquetel no Itamaraty para 2 mil pessoas.
* Em caso de chuva, as cerimônias da rampa e do parlatório serão canceladas. Tudo ocorrerá no interior do Palácio do Planalto.
Ensaios de emboscada e de tiroteio fizeram parte do último treinamento dos policiais que cuidarão da segurança de Dilma durante a posse
Alana Rizzo
Publicação: 31/12/2010 08:00 Atualização:
O último treinamento da equipe de segurança e inteligência da posse presidencial deixou de fora os militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O ensaio reuniu apenas policiais federais envolvidos diretamente na escolta da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT). As corporações disputam nos bastidores a competência pelo trabalho. Durante quase três horas, os agentes simularam o trajeto de aproximadamente dois quilômetros da Catedral, quando o comboio vindo da Granja do Torto trocará o carro fechado pelo Rolls Royce, até o Senado. Seis mulheres — três de cada lado — acompanharão o percurso a pé. As agentes precisarão correr a uma velocidade de aproximadamente 15km/h. Vinte agentes homens — 10 de cada lado — completarão a segurança aproximada de Dilma. Foram feitos também ensaios de emboscadas, tiros e resgates aéreos com uma dublê da presidente eleita. Ao todo, 70 policiais federais vão trabalhar nesse grupo.
A equipe destacada há seis meses — desde o início das eleições — para a segurança de Dilma é especializada em segurança de dignitários (autoridades). Todos já trabalharam em visitas de grandes líderes internacionais ao país, como o Papa Bento XVI, o presidente israelense Shimon Peres, e a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton. Mesmo em treinamento, a tensão dos policiais é visível. Para a equipe, a imagem do país está em jogo.
Falhas anteriores
Em 2003, a cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou transparecer falhas na segurança. As ruas de Brasília estavam tomadas por uma multidão e a equipe não conseguiu conter alguns militantes. Um admirador conseguiu romper o cordão de isolamento e se agarrou no pescoço de Lula, quase derrubando o presidente. Um outro manifestante subiu a rampa do Palácio do Planalto para tirar uma foto. Desta vez, grades serão instaladas na Esplanada dos Ministérios para separar a comitiva da presidente eleita do público que acompanhará o desfile.
A Polícia Federal é responsável pela proteção de Dilma da residência oficial até o Congresso, contrariando anos anteriores em que essa competência coube ao GSI. Os militares ficaram insatisfeitos com a decisão tomada pela própria presidente e disputam nos bastidores mais poder.
Neste ano, os Dragões da Independência e as motocicletas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ficarão à frente do carro da presidente eleita. Nas posses anteriores, tanto os cavalos como as motos percorreram o trajeto ao lado do veículo oficial. A decisão desagradou o GSI. A PF defende que a alteração foi feita para garantir mais visibilidade dos militantes e a segurança de Dilma.
Plateia nacional
A posse da primeira presidenta da República da história do país deverá atrair cerca de 20 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios amanhã. Apesar de a expectativa ser bem menor do que a registrada nas festividades para o presidente Lula em 2003, que levaram cerca de 70 mil pessoas ao centro de Brasília, o evento de 1º de janeiro de 2011 promete. “É um momento histórico, né? Eu vim à posse do Lula em 2007 e apertei a mão dele duas vezes na Praça dos Três Poderes depois que ele discursou no parlatório. Agora, vou de novo com a família para ver a Dilma Rousseff”, afirma o comerciante paranaense Antonio Carlos Berbel, 55 anos, que chegou de Rolândia (PR) com a mulher, na última quinta-feira, para visitar a filha e a neta e ir à Esplanada.
Mesmo se chover — e a previsão do tempo indica 90% de chance de tempo nublado com pancadas de chuva —, o eleitor de Dilma pretende marcar presença para ver as solenidades de mudança de governo a partir das 13h30. “Pode fazer o tempo que for, estaremos lá. Vou levar a minha neta de três anos, que nasceu aqui em Brasília, para presenciar esse momento. Minha sogra, que também apertou a mão do Lula em 2007, vai junto”, conta o paranaense, que viajou 1,1 mil quilômetros de carro e recepcionou, ontem, na rodoviária, o resto da família, que veio a Brasília de ônibus.
A partir das 10 horas, várias apresentações deverão ser realizadas na Esplanada e na Praça dos Três Poderes, com entrada franca. “Esperamos ver a Esplanada cheia para prestigiar a posse da primeira mulher eleita presidente do país. Sem dúvida, esse momento estará registrado nos livros de história que minha neta lerá na escola. Espero que a Dilma melhore a qualidade do ensino público brasileiro”, afirma a professora de educação especial Juracides Berbel, mulher de Antonio.
Garçons da posse
Cerca de 3 mil convidados prestigiarão a festa de posse de Dilma e Michel Temer no fim do dia, no Palácio do Itamaraty. Os cearenses João Alberto e Renato Siqueira, irmãos e eleitores da petista, estarão lá. Eles são garçons há mais de 20 anos e fazem parte da extensa lista de profissionais que estarão de serviço em 1º de janeiro. “Eu acho que vai ser muito bom, tudo da melhor maneira possível. Votei na Dilma porque acho que ela vai dar continuidade ao que o Lula fez. A expectativa é boa”, diz João Alberto.
A mulher de Francisco Renato também espera que a petista faça um bom governo, apesar de não ter votado nela, e se orgulha de ver o marido trabalhando na posse. “Chique, né?”, diz.
Mais nomes divulgados
» Tiago Pariz
O futuro ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, indicou ontem o petista Wagner Pinheiro para chefiar os Correios, substituindo Davi José Matos. Pinheiro preside a Petros, fundo de pensão da Petrobras. A decisão diminui ainda mais o espaço do PMDB no governo Dilma. O partido reduziu o volume orçamentário de ministérios que administrará a partir de janeiro. E, agora, começa a perder postos chaves das estatais.
Matos é uma indicação do partido e tem como padrinho político o vice-governador eleito do DF, Tadeu Fillipelli, e o senador Gim Argello (PTB-DF). Pinheiro é economista e comandou a Petros durante todo o mandato de Lula. Além dos Correios, o PMDB perderá o comando da Secretaria de Atenção à Saúde e da Eletrobras.
Já o futuro ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nomeou ontem a advogada Maria Filomena De Luca Miki para a Secretaria Nacional de Segurança Pública e o a-tual presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Junior, para a Secretaria Nacional de Justiça. O atual secretário de Assuntos Legislativos, Pedro Abramovay, chefiará a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Vinícius Marques de Carvalho, que é conselheiro do Cade, foi nomeado para a Secretaria de Direito Econômico.
O ROTEIRO DA CERIMÔNIA
14h30
» Dilma e Temer embarcam em carros abertos na Catedral e seguem, escoltados por batedores e pela cavalaria do Batalhão da Guarda Presidencial, até a rampa do Congresso Nacional.
» No Congresso, Dilma e Temer são recebidos por José Sarney, presidente do Senado, e seguem para o plenário da Câmara dos Deputados.
» Do plenário, Dilma e Temer seguem para a rampa principal na área externa, onde será executado o Hino Nacional pela banda do Batalhão da Guarda Presidencial, com salva de 21 tiros.
» Depois, os dois partem, em carro aberto, para o Palácio do Planalto.
16h30
» Dilma e Temer sobem a rampa do Planalto, são recebidos pelo presidente Lula na área interna e seguem ao parlatório para a cerimônia de passagem da faixa presidencial. Lula passa a faixa a Dilma Rousseff e todos voltam ao interior do palácio para os cumprimentos das delegações estrangeiras.
» Após essa cerimônia, Dilma acompanha o presidente Lula até o alto da rampa e, de lá, se despede do já ex-presidente. Dilma retorna, então, ao parlatório, onde fará o seu pronunciamento. Em seguida, retorna ao interior do palácio e, no Salão Nobre, dá posse ao seu ministério.
18h30
» Dilma e Temer participam de um coquetel no Itamaraty para 2 mil pessoas.
* Em caso de chuva, as cerimônias da rampa e do parlatório serão canceladas. Tudo ocorrerá no interior do Palácio do Planalto.
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