domingo, 1 de maio de 2011

0 fugitivo, o ministro e a PF


Da redação em 01/05/2011 08:36:24



Em menos de um mês, investigado pela PF encontra-se com o ministro da saúde, tem a prisão decretada, esconde-se da polícia na sede do PT em Brasília e consegue um habeas corpus para continuar livre

Claudio Dantas Sequeira, ISTOÉ

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No início de fevereiro, a Polícia Federal deflagrou uma operação que desbaratou um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro na Prefeitura de Barra do Corda, no Maranhão. Como ISTOÉ revelou, a quadrilha, formada por membros da família do prefeito Manoel Mariano de Souza, o Nenzim, desviou R$ 50 milhões dos cofres públicos, boa parte dinheiro do Fundeb que deveria ser aplicado nas escolas. Agora, a PF está concluindo um novo inquérito sobre desvios milionários nas contas do Incra maranhense. As duas investigações, embora independentes, têm em comum um mesmo personagem: o lobista João Batista Magalhães, comerciante maranhense, conhecido de políticos e empresários, que nos últimos anos acumulou prestígio e riqueza, tornando-se figura carimbada nos gabinetes de Brasília. No início deste ano, Magalhães chegou a ser recebido pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em seu gabinete, na Esplanada dos Ministérios.




Apesar de não ser a figura central na nova série de escândalos maranhenses, João Batista Magalhães ocupa papel de destaque em cada um deles. Para a Polícia Federal, o lobista é peça importante para entender e desbaratar os esquemas de corrupção perpetrados por prefeitos do Estado. Por isso, ainda em fevereiro, pediu a prisão preventiva de Magalhães, que, mesmo diante de tantas denúncias, continuava na ponte aérea entre São Luís e Brasília. Foi na capital, aliás, que Magalhães se refugiou ao saber da ordem de prisão. Ao descobrir que poderia ser detido a qualquer momento, fez uso de sua rede de contatos no mundo político e conseguiu “asilo” na sede nacional do Partido dos Trabalhadores. Magalhães disparou telefonemas dali mesmo para advogados e amigos, um deles informante da PF. “Vimos no bina do telefone aquela sequência de três números 13. Quando pesquisamos, descobrimos que se tratava de uma linha do PT”, revela o delegado responsável pelo inquérito, Victor Mesquita.






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FUGA


                                                O delegado Marcelo Oliveira nega que a prisão do

                                                lobista foi abortada por decisão da cúpula da PF


A operação havia sido deflagrada no dia 3 de fevereiro, uma quinta-feira. O lobista, que estava hospedado no Hotel Kubitschek Plaza, deixou o local na manhã da sexta-feira. As pistas com base nos telefonemas voltaram a esquentar no sábado, mas a sede do PT não abre nos fins de semana. Como não tinham mandado judicial, os federais tentaram lançar mão de um ofício chamado “consentimento de busca”, pelo qual o responsável pela sede do PT autorizaria a entrada dos agentes. Quando parecia que finalmente conseguiriam prender Magalhães, uma ligação da sede da Polícia Federal em Brasília suspendeu a ação. “Mandaram abortar a missão”, afirma uma fonte ligada à investigação. O chefe da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da PF, delegado Marcelo Oliveira, que comandou a busca, nega a versão. “O fato é que não conseguimos encontrá-lo em Brasília. A última informação foi que ele estava no Kubitschek Plaza”, afirma Oliveira.




Na segunda-feira 7, Magalhães foi beneficiado por habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça. O mesmo ato suspendeu a prisão preventiva do prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Souza, e de sua mulher, Francisca Teles, que também estavam foragidos. O secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas (PR), diz desconhecer o episódio e também o lobista. “Nunca ouvi falar desse sujeito. Mas posso garantir que o diretório não serve de abrigo para ninguém, nem para criminosos nem para inocentes”, disse à ISTOÉ. O inquérito sigiloso, obtido por ISTOÉ, indica que Magalhães movimentou em sua conta e na de sua empresa quase R$ 10 milhões, entre 2007 e 2010. “Aproximadamente 50% destes depósitos são oriundos de cheques da Prefeitura de Barra do Corda”, diz a PF.





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AMIZADE


                                              O vice do Maranhão, Washington Luiz, gosta de

                                               pegar os carros de Magalhães emprestados


Há duas semanas, Magalhães esteve na PF para depor sobre a participação no esquema de fraudes. Porém não deu detalhes de seu périplo em Brasília. Os agentes agora se perguntam se ele passou a noite da sexta-feira 4 de fevereiro para o sábado 5 no diretório do PT ou se alguém lhe entregou as chaves do local pela manhã. As suspeitas dos federais recaem sobre o vice-governador do Maranhão, Washington Luiz de Oliveira (PT), a quem o lobista era extremamente ligado. Não foram poucas as vezes em que os dois foram vistos juntos em Brasília e no Maranhão. Em São Luiz, o vice-governador andava em carros do próprio Magalhães, que também emprestou seu Land Rover para caciques petistas que estiveram naquela cidade na campanha de 2010.




A relação entre o lobista e o vice-governador tornou-se mais forte na época em que Washington Oliveira era assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, na gestão do ministro Luiz Dulci. “Ele levava os prefeitos para Brasília prometendo a liberação de verbas. Já fazia isso havia uns cinco anos, mas nos últimos dois anos ele ficou fortíssimo”, afirma um assessor parlamentar. Oliveira admite que conhece Magalhães, mas nega qualquer envolvimento com as atividades de lobby. Contra a versão do vice há informações de que, dois dias antes da operação da PF, ele apresentou Magalhães ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de quem era colega no governo Lula. Segundo fontes ligadas à investigação, depois de abocanhar verbas da educação e da reforma agrária, o lobista mirava na atual pasta de Padilha, a Saúde. Questionado pela reportagem, o ministro disse não conhecer o lobista, mas confirmou que ele fez parte de um grupo de cinco pessoas que lhe foram apresentadas pelo vice-governador maranhense no dia 1o de fevereiro, dois dias antes da decretação da prisão. Magalhães virou uma espécie de fantasma nas hostes petistas. E as investigações sobre seus negócios ainda vão assombrar muita gente.


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Petistas às turras emperram o GDF


Enviado por Carlos Honorato em 01/05/2011 10:39:13



Andréia Bahia, Jornal Opção





Apesar de não ter votado nenhum projeto de parlamentares e apenas os projetos emergenciais do executivo, como o que cria o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do Distrito Federal (PDTU), aprovado, a toque de caixa, na semana passada, a Câmara Distrital não está parada, afirma um deputado. Segundo ele, as comissões estão funcionando regularmente. Em apenas um dia, oito projetos de parlamentares foram analisados, mas muitos não chegam ao plenário porque não têm a mínima importância. Como o que institui o dia do carroceiro. Entre os projetos aprovados nas comissões está o de autoria do deputado Chico Vigilante (PT), que acaba com a proibição de venda de combustíveis em supermercados da cidade; e o da deputada Celina Leão (PMN), que concede desconto de 5% para quem pagar o IPVA à vista e aos motoristas que não receberem multas de trânsito.




O que na verdade emperra a Câmara Distrital e, consequentemente o governo, é a base do governador Agnelo Queiroz (PT) na Casa, que, em tese, conta com 21 deputados, mas na hora da votação não consegue mais que 13 votos. Os outros votos têm que ser negociados em troca de cargos no Executivo. A dificuldade na relação do governo com o parlamento é tanta que o presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), também passou a fazer o meio de campo com os deputados para aprovar os projetos mais importantes do Executivo, papel do secretário Parlamentar, Wilmar Lacerda (PT), que até hoje não conseguiu cumprir. O problema é que nem o próprio PT se entende na Casa.



Dos cinco deputados do partido, os três com os principais cargos sempre têm posições divergentes. O presidente Cabo Patrício, o líder do bloco PT-PRB, Chico Vigilante, e o líder do governo, Wasny de Roure, vivem às turras e o governador Agnelo Queiroz não tem pulso para colocar a casa em ordem. Resultado: paradeiro e muitas críticas.
Durval Barbosa confirma suspeitas do Ministério Público








Lilian Tahan



Ana Maria Campos



Publicação: 01/05/2011 06:10 Atualização: 01/05/2011 06:14



Em um dos depoimentos que prestou à Polícia Federal, Durval Barbosa contou que Roberto Cortopassi esteve com o então governador José Roberto Arruda no primeiro semestre de 2009 para tratar de um empréstimo que fez com o Banco de Brasília, que tinha como objetivo reunir capital necessário para a construção do Residencial Monet, em Águas Claras. Cortopassi teria ido acompanhado de um amigo antigo de Arruda, Renato Malcotti, que no Inquérito nº 650 é considerado um lobista na engrenagem da corrupção descoberta pela Operação Caixa de Pandora.



Nesse encontro, Cortopassi disse a Arruda, segundo Durval, que conhecia vídeos em que ele aparecia recebendo dinheiro. Para o delator, foi uma tentativa de negociar favorecimentos. Durval contou que entregou os vídeos para Cláudia Marques, amiga de Deborah, que os apresentou à promotora.



Deborah Guerner foi denunciada pelo Ministério Público Federal por extorsão a José Roberto Arruda. Ela procurou o governador na Residência Oficial de Águas Claras e teria exigido dele R$ 2 milhões em troca de reserva sobre as gravações. Em um universo de crimes que vão desde falsidade ideológica, passando por fraude processual e extorsão, o aprofundamento das investigações sobre os interesses empresariais dos Guerner tem potencial para revelar uma trilha de crimes ainda mais extensa do que a já desvelada até agora.
MP investiga se Deborah Guerner usou a influência para alavancar negócios








Lilian Tahan



Ana Maria Campos



Publicação: 01/05/2011 06:06 Atualização: 01/05/2011 06:14



No Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a promotora de Justiça Deborah Guerner escapou de punição pelas suspeitas de que teria cometido tráfico de influência nos milionários contratos de lixo no Distrito Federal. Mas a conclusão no CNMP não livra Deborah e o marido, Jorge Guerner, de uma possível ação penal em função de supostas vantagens atreladas à limpeza urbana. O casal, que já é acusado de extorsão, vazamento de informação em troca de propina, formação de quadrilha e fraude processual, terá os negócios revirados pelos investigadores à frente do caso.



Os procuradores regionais da República Ronaldo Albo e Alexandre Espinosa já ajuizaram três ações penais consideradas periféricas em relação às denúncias avaliadas como mais graves envolvendo o casal: a de que Deborah usou da influência como promotora de Justiça para alavancar negócios de interesse das empresas do ramo de lixo. Concluídas as investigações em curso, os procuradores vão se debruçar sobre as conexões dos Guerner com um negócio que, desde 2000, já movimentou R$ 2 bilhões, dos quais R$ 500 milhões foram despejados em contratos sem licitação.

 (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)Deborah Guerner ficou conhecida como a promotora acusada de crimes de corrupção. Ganhou ainda mais notoriedade recentemente em função de sua personalidade destemperada. Acabou presa, assim como o marido, suspeita de forjar o próprio estado de saúde mental. Para o Ministério Público, a loucura é um teatro. Mas é no campo dos negócios que pode se esconder materialidade ainda mais consistente do que as provas enterradas por Deborah e Jorge no jardim de casa e encontradas pela Polícia Federal e o MP durante operação de busca e apreensão em junho do ano passado.




O casal Guerner tem muitos interesses. Jorge é dono de, pelo menos, três empresas. Uma delas é a Erguisa Construtora e Incorporadora S. A., citada no Inquérito nº 650 em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que apura suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do Executivo, Legislativo e até Ministério Público do Distrito Federal. A incorporadora também chegou a entrar na malha fina da Controladoria-Geral da União (CGU). Não foram encontrados, no entanto, repasses federais feitos diretamente à empresa.

Obras vultosas


A Erguisa trabalha em parceria com outras entidades privadas, tendo sido subcontratada para executar parte de obras vultosas na capital. Em seu portfólio, exibe até empreendimentos fora do país. Entre as construções, a Erguisa participou do consórcio que ergueu a Ponte JK. A construtora também atuou nas fundações do Hospital do Paranoá, de duas estações do metrô em Águas Claras, da recuperação estrutural da Rodoferroviária de Brasília e do Anexo II do Tribunal de Justiça do DF. No site da empresa, ícone de parcerias internacionais, Jorge Guerner posa ao lado de empresários na China. Outra empreendimento vinculado ao casal é a Manufactus Design de Móveis, cuja matriz funciona em São Paulo, no Itaim Bibi. As empresas integram o que casal chama de Grupo Guerner.



O Ministério Público suspeita que Jorge Guerner possui negócios com empresas offshores, normalmente criadas para fazer operações financeiras no exterior e geralmente instaladas em paraísos fiscais para aproveitar benefícios e isenções concedidas pelos governos estrangeiros. Não se trata, necessariamente, de uma operação ilegal, mas as offshores são comumente usadas para enviar recursos ao exterior e lavar dinheiro ilícito. De acordo com a investigação dos procuradores, a Erguisa tinha conexões com empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas.



A investigação também apontou a existência de empresa de nome Solurb International LLP, da qual seriam sócios Jorge Guerner, Renato Cortopassi Salles, Roberto Cortopassi Júnior e Froylan Santos Pinto. A empresa tem o nome atual de WRJ International LLP. No Distrito Federal, a construtora WRJ pertence aos Cortopassis, que tinham interesse em entrar nos negócios do lixo. A intenção dos empresários era construir o aterro sanitário de Brasília, uma obra milionária que desperta a cobiça desse mercado.



Ao depor na Corregedoria-Geral do Ministério Público do DF, o promotor de Justiça Ivaldo Lemos Júnior, da 5ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), disse que foi procurado por Deborah Guerner, em 2006, pouco depois de ela ter retornado ao Ministério Público após uma temporada de licença no trabalho, período em que morou em São Paulo. Na conversa informal, a promotora alertou que tinha interesse e conhecimento no assunto. Responsável pela fiscalização dos contratos de lixo, Ivaldo declarou que a conversa não foi para a frente porque ele não permitiu. Mesmo assim, Deborah, a convite do então procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, participou de reuniões em 2006 nas quais se discutiu uma solução para a limpeza urbana do DF. A intenção do GDF era dividir o mercado — até então encabeçado apenas pela Qualix — em vários lotes, para que outras empresas pudessem participar.



Falta de provas

A comissão processante do CNMP havia sugerido o aprofundamento das investigações nas Promotorias de Defesa do Patrimônio Público e de Meio Ambiente, por considerar que pode ter ocorrido falha do Ministério Público do DF ao permitir as sucessivas prorrogações de contratos emergenciais de lixo, sem licitação, do governo local. Mas o relator do processo no CNMP, Luiz Moreira, considerou que sobre esse aspecto não havia provas suficientes para incriminar Deborah e sugerir punição.



Fraude processual

Deborah; o marido, Jorge Guerner; e os psiquiatras Luís Altenfelder e Carolina de Mello Santos foram denunciados à Justiça porque, segundo o Ministério Público, participaram de uma armação para forjar o estado de saúde mental de Deborah. Eles são acusados de formação de quadrilha, fraude processual, falsidade ideológica. Em função do suposto teatro da loucura, o casal Guerner passou oito dias na prisão. O dois conseguiram habeas corpus na última quinta-feira.
O bullying do Senado




Ruth de Aquino, ÉPOCA



Somos vítimas de bullying político, moral e cívico. E nada fazemos. O país parece anestesiado pela overdose real de William e Kate naquela ilha ao norte do Equador.



Ao sul, em nossa república tropicalista, assistimos passivamente a uma das cerimônias mais vergonhosas do Senado. Renan Calheiros acaba de entrar para a Comissão de Ética. Roberto Requião arranca gravador de repórter para apagar sua própria entrevista. Tudo com o beneplácito do padrinho-mor José Sarney.



Tapa na cara, bofetada na nação, cinismo institucional. Assim cientistas políticos e especialistas em ética classificaram as últimas ações do Senado.



Roberto Romano, da Unicamp, declarou: “Se o Senado fechar amanhã, ninguém vai sentir falta, salvo os lobistas e os políticos que querem atingir o Tesouro Nacional por meio da troca de favores”.



Claudio Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, foi além: “O Senado não precisa existir, não tem função. Não há nada que ele faça que a Câmara não possa fazer. Pode desaparecer sem prejuízo e seria até mais barato”.



Essas reações podem parecer destemperadas numa democracia que atribui seu equilíbrio à existência de duas Casas: a Câmara e o Senado. Mas respeito e credibilidade não são automáticos.



Oito senadores indicados para a Comissão de Ética respondem a inquéritos ou processos no Supremo Tribunal Federal. A missão desse grupo “seleto” é vigiar e garantir o decoro dos 81 senadores.



No novo conselho, muitos são amigos íntimos, alguns conterrâneos, do maranhense Sarney. O próprio Sarney esteve envolvido em 11 processos no ano passado – mas foi entronizado como “homem não comum” pelo ex-presidente Lula.



O presidente da Comissão de Ética, João Alberto, do PMDB, governou o Maranhão em 1990. Nesse ano, uma lei estadual doou um prédio histórico à família Sarney.



Quem é João Alberto para ser o guardião do decoro do Senado? Quais são suas credenciais para o país acreditar em seu slogan “Vamos cortar na nossa própria carne”? Nas três vezes em que ocupou o mesmo cargo, João Alberto engavetou todos os processos abertos na Comissão de Ética.



No Brasil de hoje, “formação de quadrilha” deixou de ser acusação.
Cresce número de executivos estrangeiros no Brasil




Fabiana Ribeiro e Bruno Rosa, O Globo



Aos olhos dos estrangeiros, o Brasil já é mais do que a terra de samba e pandeiro. Pode ser a terra do emprego para executivos.



De um lado, a economia se contrai nos países centrais. Do outro, o Brasil, a despeito de uma inflação alta que ameaça o crescimento sustentável, atrai investimentos, mantém um mercado de trabalho de dar inveja ao clube dos desenvolvidos e vê crescer a renda e o consumo das famílias.



Um cenário que faz com que profissionais qualificados de outros países considerem o Brasil uma opção interessante para a carreira. E deixam empregos nos EUA, na Europa, na distante Austrália para encarar o desafio de trabalhar - e morar - em terras brasileiras.



Tanto que, nas projeções de consultorias especializadas, com base em dados do Ministério do Trabalho, o país recebeu, em média, 30% mais trabalhadores qualificados - ou mais de 15 mil autorizações concedidas a estrangeiros para trabalhar aqui - só nos primeiros três meses de 2011 ante igual período do ano anterior (11.500).



As consultorias calculam que, no caso de gerentes, o crescimento foi ainda maior, de 40%, enquanto a vinda de diretores e presidentes de empresas ficou em 30% maior.
Governo quer evitar que nova classe média volte à pobreza




Vivian Oswald, O Globo



"Galinha dos ovos de ouro", na avaliação do governo, a nova classe média é um dos cinco alvos prioritários da política de longo prazo que está sendo elaborada sob a coordenação do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Wellington Moreira Franco, e de seu braço direito, o economista Ricardo Paes de Barros.



O órgão quer estudar detalhadamente o grupo, que já representa praticamente metade da população, para sugerir ações que funcionem como uma espécie de trava que garanta a sua nova posição na sociedade. A ideia é impedir a perda de poder aquisitivo dos que ascenderam às classes C e D na última década e o retorno dessa fatia da população à situação de pobreza.



Ao mesmo tempo, esta política seria a garantia de uma base sólida para o crescimento econômico sustentado. Para atingir este objetivo, a SAE deverá propor ações específicas a partir de ferramentas nas áreas de crédito, habitação, inclusão bancária, qualificação profissional e educação.



- É preciso estudar mais detalhadamente este grupo de brasileiros, criar uma trava nas políticas social e econômica para que não retornem à situação de pobreza. Queremos definir ações para criar esta trava - disse ao GLOBO Moreira Franco, ao apresentar, pela primeira vez, o plano de trabalho da Subsecretaria de Ações Estratégicas, que está a cargo do economista Paes de Barros.
PT quer financiamento público de campanha




Gerson Camarotti, O Globo



Um dia depois de aceitar a refiliação do ex-tesoureiro Delúbio Soares, pivô do escândalo do mensalão, o Diretório Nacional do PT aprovou, neste sábado, uma resolução sobre reforma política em que defende o financiamento público de campanha, como forma de diminuir a influência do grande capital na política que favorece a corrupção. Delúbio foi expulso do PT em 2005 por causa do episódio. Um dos réus do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ele é apontado por abastecer o caixa dois do partido.
Código Florestal: mais proteção nas margens dos rios




Catarina Alencastro, O Globo



Às vésperas da data marcada para a votação da reforma do Código Florestal, o relator da proposta, Aldo Rebelo (PCdoB- SP), decidiu abrir mão do ponto mais polêmico de seu texto: a redução de 30 para 15 metros do limite mínimo de mata ciliar que deve ser preservada na margem de rios com menos de 5 metros de largura.



Ao GLOBO, o deputado diz que foi convencido de que não há fundamento científico e não haveria outra forma de acordo se não cedesse. Aldo, no entanto, não arredará pé de liberar os donos de propriedades de até quatro módulos fiscais de manter uma reserva legal em suas terras.
Delúbio Soares fez negócios com empresa que atua no Minha Casa, Minha Vida, diz ‘Época‘


Da redação em 30/04/2011 16:30:08



O Globo



O ex-secretário de Finanças do PT Delúbio Soares, refiliado ao partido e um dos principais envolvidos escândalo do mensalão, conduziu seus negócios como empresário sempre à sombra do governo petista, segundo revela reportagem da revista "Época" veiculada neste fim de semana. A reportagem mostra que, desde 2007, durante o tempo em que ficou afastado do PT, Delúbio vem mantendo negócios com a incorporadora Brookfield, que fez negócios com a Previ - o bilionário fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil - e participa do programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, construindo 1.808 imóveis do maior programa habitacional do governo.



Um dos réus do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) e responsável por abastecer o caixa dois do partido, Delúbio voltou ao PT cinco anos e seis meses após sua expulsão e com apoio de 72% do Diretório Nacional, incluindo o aval de Lula e José Dirceu, este último investigado pelo STF por suspeita de corrupção e formação de quadrilha.



A revista relata que, em uma reunião em setembro de 2010 em Brasília, Delúbio teria dito que a vida financeira dele estava melhorando graças a um empreendimento da Brookfield. "Passei momentos difíceis, mas eles estão me ajudando muito", teria afirmado o petista num escritório de negócios em Brasília, onde fazia reuniões que misturavam política com seus negócios. Numa dessas reuniões, Delúbio apontou com um aceno de cabeça para três torres que se erguiam em frente à janela da sala construídas pela incorporadora, diz a revista.



O sindicalista Luiz Egami, amigo de Delúbio e um dos presentes à reunião, confirmou, segundo a "Época", que o petista está prestando consultoria à empresa. Um ano antes dessa reunião, em 2009, a Brookfield vendera duas das três torres para a Previ por R$ 342 milhões. O fundo não investia em imóveis novos havia nove anos, diz a reportagem.



Ainda conforme a revista, a empresa já construiu 1.808 imóveis para o Minha Casa, Minha Vida. O responsável pela transação com a Previ e coordenador do contrato com o programa habitacional do governo federal é o executivo Marcelo Borba, amigo da família de Delúbio.



As relações de Delúbio com a Brookfield não acabam aí. A reportagem mostra que a incorporadora é um dos anunciantes do site criado pelo petista em sociedade com a irmã Delma Soares, o Geral Imóveis, que divulga anúncios publicitários em Goiânia. Até meados de 2009, o site era pobre em ofertas de imóveis, diz a revista. Hoje, há ofertas de lançamentos, alguns com valores superiores a R$ 500 mil.





Borba negou, segundo a "Época", que Delúbio tenha ajudado na venda dos prédios à Previ, mas confirmou ter relações com a família do petista. Em 2004, empresas do executivo doaram R$ 75 mil à campanha de um irmão de Delúbio, Carlos Rubens Soares, candidato a vereador em Goiânia.



A Brookfield, que construiu o prédio vendido à Previ com a ajuda de Delúbio, contou com serviços da empresa Brasil Gerais, de Carlos Rubens Soares, nas obras. Os prédios vendidos à Previ estão localizados no Parque Corporate, em Brasilia.



"Nós costumamos contratar a empresa Brasil Gerais (com sede em Goiânia), de Carlos Rubens Soares, irmão do Delúbio, para prestar serviços de logística nas obras da construtora", disse à revista Marcelo Borba, executivo da Brookfield. Ele disse que o irmão de Delúbio participou da construção não só dos prédios vendidos à Previ, como "de muitos outros", acrescentou o executivo, que não revelou valores pagos à empresa do irmão de Delúbio.



O ex-secretário de finanças do PT ajudou a campanha de Dilma na arrecadação de recursos e, nessa reunião em Brasília, teria afirmado que, assim que Dilma ganhasse a eleição, ele voltaria ao partido, como teria lhe garantido Lula.
Petrobras prevê investir US$ 73 bi no pré-sal de Santos






A Petrobras informou ontem que a previsão dos investimentos para o desenvolvimento dos projetos do pré-sal da bacia de Santos até 2015 é de US$ 73 bilhões, sendo que 74% desse total será aportado diretamente pela estatal.A reavaliação do Plansal, plano instituído em 2008 para coordenar os investimentos nos reservatórios gigantes da bacia de Santos, foi feita em reunião do conselho de administração da estatal.Segundo o novo plano, em 2015 a área do pré-sal de Santos estará produzindo 613 mil barris diários de petróleo, referente à fatia da Petrobras nos campos, volume que representa um acréscimo de 108 mil barris diários em relação ao plano anterior.
Até o jornal de assessoria dos tucano, desmente o PSDB: Ao contrário de dado oficial, latrocínios cresceram em SP






Durante o governo de José Serra(PSDB, a maquiagem no número da violência na capital paulista correu solto e os jornais deram apoio, não relevando corretamente o índice. Agora,a Folha mostra o que nós cansamos de divulgar: Os números apresentados pelos tucanos foram forjados!





Sem contabilizar sete casos, governo divulgou que capital paulista teve uma queda de 12% de roubo seguido de morteEm um dos casos, morte de vítima é relatada no boletim de ocorrência, mas aparece só como roubo em estatística





Ao contrário do que anunciou o governo de São Paulo no dia 15 deste mês, os latrocínios (roubos seguidos de morte) na capital paulista subiram ao menos 16%. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) havia apontado queda de 12% desse tipo de crime.

O chefe da Polícia Civil, delegado Marcos Carneiro Lima, admitiu ontem existir uma falha a ser corrigida nos registros de boletins de ocorrência para evitar distorções.





Segundo a divulgação da Secretaria da Segurança Pública, a cidade de São Paulo teve 22 latrocínios no 1º trimestre deste ano contra 25 no 1º trimestre do ano passado.

Porém, ao menos sete latrocínios ocorridos neste ano ficaram de fora da contabilidade oficial. A maior parte foi registrada só como "roubo".

Com a inclusão dos casos não computados, os latrocínios subiram de 22 para 29 (30 vítimas, pois um caso teve dois mortos) só na capital.





A inclusão dos casos muda também a estatística no Estado. Agora, registra um aumento de 12%, e não de 2,5%, como divulgado.

O latrocínio contra o pizzaiolo José Arteiro Morais, 43, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte, em 2 de março, é narrado com detalhes pelo delegado Thiago Reis no BO n.º 2.028/ 2011, do 72º DP.





"O autor do delito pediu dinheiro para a vítima e, após ela ter falado que não tinha, o autor ordenou que a vítima se ajoelhasse, momento este que desferiu-lhe um tiro no rosto, não levando nenhum pertence da vítima (sic)". Esse caso constava como "roubo" na estatística.





Ao consultar as estatísticas sobre latrocínios na área do 72º DP, na página da Segurança Pública na internet, o número divulgado é zero.





O mesmo ocorreu no caso do estudante de publicidade Nicholas Marins Prado, 20, morto com um tiro na cabeça por um ladrão que roubou seu carro na Vila Mariana, em 4 de março. A estatística oficial da delegacia da área, o 36º DP, onde o crime segue sem solução, aponta só um latrocínio no 1º trimestre deste ano, o de um homem atacado ao sair de um banco.
Ministros do Supremo aceitam denúncia que acusa deputado federal de vender emendas parlamentares






O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma ação penal contra o deputado federal João Magalhães (PMDB-MG), suspeito de envolvimento em um esquema criminoso que desviou verbas públicas de cidades do interior de Minas Gerais e acabou desbaratado pela Operação João-de-Barro, feita pela Polícia Federal em 2008. Em julgamento realizado ontem, os ministros aceitaram, por unanimidade, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), na qual o peemedebista é acusado de vender emendas parlamentares. O deputado é alvo de outro inquérito no Supremo Tribunal Federal, ainda não analisado, que tramita desde 2006 e investiga o envolvimento do parlamentar com venda de emendas parlamentares destinadas a obras de infraestrutura e saneamento em municípios do leste mineiro. Além disso, o deputado é réu em 29 ações de improbidade que tramitam na Justiça Federal pelos mesmos motivos dos processos no STF.





De acordo com a denúncia, Magalhães recebia propina em troca da apresentação de emendas que destinavam verbas federais para obras de infraestrutura em municípios mineiros. Conforme o Correio noticiou em julho de 2008, uma escuta ambiental flagrou um encontro da mulher do deputado, Renata Magalhães, com o lobista João Carlos de Carvalho, apontado pela PF como testa de ferro do deputado e principal articulador do esquema com as prefeituras mineiras. Na ocasião, Renata, também denunciada pelo Ministério Público Federal, foi ao escritório do lobista, em Belo Horizonte, para pegar propina que teria sido paga pelos prefeitos em troca da liberação de emendas do Orçamento da União.





Reportagem do Correio publicada em julho de 2008 trouxe escutas telefônicas que complicam o parlamentar





Na gravação da escuta ambiental no escritório de João Carlos, é possível ouvir comentários e risadas de Renata e do lobista durante a contagem do dinheiro. O áudio captou até o barulho das notas sendo guardadas pela mulher do parlamentar. “A gente coloca na sacola aqui?”, pergunta Renata. “Na rua, ninguém vai imaginar que tem dinheiro”, responde o lobista. De acordo com estimativas da Polícia Federal, somente nesse encontro, João Magalhães teria recebido R$ 20 mil em espécie.





Segundo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o deputado apresentava emendas em que adicionava verbas públicas já previstas em projeto encaminhado pelo Executivo. “Uma assessora informal fazia contato com prefeitos de municípios beneficiados para realizar convênios e para que, confirmada a disponibilidade da verba, fosse confirmado um percentual de 10% a 12% para o parlamentar”, disse Gurgel. Em um dos casos relatados, a prefeitura da cidade de São José do Jacuri (MG) teria recebido R$ 400 mil para obras de infraestrutura.





Réu

Com a abertura da ação penal, João Magalhães passa à condição de réu, em processo que será investigado e julgado pelo STF em data ainda não definida. Ele responderá pelo crime de corrupção passiva. Também por unanimidade, os ministros do STF abriram ação penal contra Renata e João Carlos Carvalho pelo mesmo crime.





O advogado do casal Magalhães, Marcelo Bessa, argumentou em plenário que as acusações são infundadas. Segundo ele, não há provas de que seus clientes tenham envolvimento com qualquer esquema irregular. “A imputação não tem o mínimo respaldo probatório, colide com informações trazidas pela defesa”, alegou.





Os argumentos, porém, não convenceram o ministro Gilmar Mendes, relator do inquérito analisado ontem pelo STF, para quem o conjunto de fatos descritos na denúncia “são indícios razoáveis de prova”. “O ato descrito é típico e existe todo um conjunto probatório apto a sustentar a tese do Ministério Público. Há elementos que dão plausibilidade à denúncia”, afirmou o relator.





As gravações que acarretaram na denúncia apresentada contra Magalhães vieram à tona durante a Operação João-de-Barro, ocasião em que 26 pessoas foram presas, sob acusação de fraudes em licitações de obras públicas, principalmente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). João Carlos Carvalho foi um dos presos.