domingo, 28 de novembro de 2010

TRANSIÇÃO




Palocci substituirá Dutra na negociação com aliados



Ao ser oficializado na próxima semana como ministro da Casa Civil, Antonio Palocci assumirá oficialmente as negociações com os partidos aliados no lugar do presidente do PT, José Eduardo Dutra, até então designado para função por Dilma Rousseff.Palocci deve ser auxiliado na tarefa de negociar ministérios com os aliados pelo atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, cotado para seguir no cargo no governo da presidente eleita -Padilha, médico infectologista, chegou a ser cogitado para a Saúde.



Dutra vinha comandando as conversas com os partidos, mas se afastará nessa fase de definição dos espaços de cada legenda.O motivo de seu afastamento é que, na condição de presidente do PT, ele poderia enfrentar conflitos de interesse, já que os petistas estão pleiteando vagas ambicionadas por outras legendas.



PIMENTEL



Dilma decidiu nomear o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel para sua equipe. Sua vaga, porém, depende das negociações com os aliados, mas pode ser o Ministério da Previdência ou o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.Além de ser da cota pessoal de Dilma, Pimentel entra na lista de ministeriáveis do PT mineiro, que reivindica ainda uma pasta para o ex-ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).



No PT, o senador Aloizio Mercadante (SP) deve ter como destino o Ministério de Ciência e Tecnologia, hoje sob comando do PSB -que perderá o controle da pasta em troca do Ministério da Integração Nacional. Além desse ministério, o PSB deve ficar com o do Turismo ou manter a Secretaria Especial de Portos. A tendência, porém, é que o partido fique com a primeira, porque Dilma estuda fundir Portos com o setor aeroportuário.



O novo ministério seria entregue ao PMDB, que deve ainda controlar Cidades, hoje com o PP, como compensação pela possível perda de de Saúde, Integração Nacional e Comunicações. A dificuldade é vencer a resistência do PP, que embora não tenha apoiado oficialmente Dilma, elegeu mais senadores -subiu de 1 para 5.



O nome mais forte entre os peemedebistas para comandar Cidades é o de Moreira Franco, ligado ao vice-presidente eleito, Michel Temer. Já está certo que os peemedebistas vão manter os ministérios da Agricultura (Wagner Rossi) e Minas e Energia (Edison Lobão, senador reeleito, volta a comandar a pasta).



Segue indefinida, porém, a situação da Defesa, que deve continuar com o PMDB. O atual ministro, Nelson Jobim, pode seguir no cargo.Gilberto também Carvalho será oficializado na semana que vem na Secretaria-Geral da Presidência. O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) está sendo indicado pelo partido para comandar o Turismo.A pasta da Cultura, que deve sair das mãos do PV, tem dois nomes cotados: Fernando Morais e Emir Sader.Informações da Folha.





Da redação Blog em 27/11/2010 12:19:39
28/11/2010

00:00

Dilma deve substituir os comandantes militares



Na área militar está definida a substituição dos três comandantes militares. No Exército, um dos mais cotados é o general Antonio Gabriel Esper, atual comandante de Operações Terrestres. Para a Marinha, o mais citado é o almirante Marcos Martins Torres, que, como ministro do Superior Tribunal Militar, tentou impedir, na campanha presidencial, a divulgação do processo da prisão de Dilma Rousseff na ditadura.

sábado, 27 de novembro de 2010

CLDF arquiva processos contra os cinco distritais envolvidos na Caixa de Pandora








Depois de mais de três horas de discussões e de duas suspensões da reunião, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Ética e Decoro Parlamentar decidiu, por três votos favoráveis, um contrário e uma declaração de impedimento, aprovar hoje (26) o arquivamento dos processos contra os cinco deputados cujos nomes foram citados em gravações da Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em novembro do ano passado.







Para chegar a essa decisão, os deputados tiveram de anular a votação realizada em 24 de junho passado por eles próprios, que determinava o sorteio dos relatores para cada um dos processos contra os deputados Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Rôney Nemer (PMDB), Aylton Gomes (PMN) e Rogério Ulysses (PRTB).







Os cinco membros da comissão presentes à reunião - Agnaldo de Jesus (PRB), presidente, Erika Kokay (PT), Raimundo Ribeiro (PSDB), Paulo Roriz (DEM) e Batista das Cooperativas (PRP) - tiveram divergências sobre o que fazer em relação aos processos, considerando que não há mais tempo hábil para a realização do trabalho, uma vez que faltam menos de 15 dias para o encerramento da sessão legislativa.







Para a deputada Erika Kokay (PT), os processos deveriam continuar, com o sorteio dos relatores. O deputado Batista das Cooperativas (PRP) manifestou-se favorável ao arquivamento, considerando que o relatório da PF não indiciou nenhum dos parlamentares que tiveram seus nomes citados. Além disso, todos eles, à exceção de Rogério Ulysses - impedido de concorrer por ter sido expulso do partido (PSB) -, "foram inocentados pelos eleitores do grande tribunal das urnas".







O mesmo argumento foi usado pelo deputado Paulo Roriz (DEM), lembrando que o indiciamento da Polícia Federal recaiu sobre sete pessoas, não estando entre essas nenhum parlamentar. A deputada Erika Kokay (PT) rebateu, esclarecendo que o relatório apresentado pela PF em agosto passado, indicou a existência de "sólidas comprovações da prática de corrupção passiva".







Votaram favoravelmente ao arquivamento dos processos os deputados Agnaldo de Jesus (PRB), Batista das Cooperativas (PRP) e Paulo Roriz (DEM); Raimundo Ribeiro (PSDB) declarou-se impedido, por já ter emitido juízo de valor sobre as questões, ao tempo em que era corregedor ad hoc da Casa, e Erika Kokay (PT) votou contra.
Há um ano, PF e MP iniciavam a operação que abalou a política do DF




Operação Cauixa de Pandora resultou na prisão e na cassação de Arruda, na renúncia do vice e em processos contra o ex-procurador-geral. A maioria dos envolvidos nas denúncias caiu no ostracismo







Lilian Tahan



Publicação: 27/11/2010 08:00 Atualização: 27/11/2010 08:15



Madrugada de 27 de novembro de 2009. Antes de o dia clarear, agentes da Polícia Federal (PF) e integrantes do Ministério Público (MP) iniciavam a operação que traria a público o maior escândalo político da história do Distrito Federal. A Caixa de Pandora, como foi chamada a ação policial, revelou uma teia de corrupção com envolvimento dos poderes Executivo e Legislativo. A contaminação, como se viu com os desdobramentos das investigações, não poupou até quem se pressupunha no papel de guardião da Justiça. Integrantes do MP também estão sob suspeição. Um ano após aberta, a Caixa de Pandora revelou conversas, depoimentos, gravações, imagens, documentos, perícias que colocaram em xeque reputações, destruíram carreiras políticas e alteraram drasticamente o cenário político da capital da República. No entanto, as punições judiciais para os acusados ainda não se concretizaram (leia mais na página 40).



Contrariando as expectativas que predominavam até novembro de 2009, o então governador, José Roberto Arruda, e o então vice, Paulo Octávio, deixaram a vida pública como consequência da crise. Abriram espaço para a oposição, que se consagrou vitoriosa na eleição de outubro, com o petista Agnelo Queiroz, que assume em janeiro e tem o desafio de reerguer o Distrito Federal. Da legislatura atingida pelas denúncias de corrupção, quatro distritais foram para o ostracismo político. Outros, apesar de citados, conseguiram sobreviver às intempéries. Ontem, véspera do aniversário de Pandora, cinco distritais conseguiram o indulto dos colegas da Comissão de Ética da Casa, que sepultou os processos de quebra de decoro parlamentar contra os acusados (confira quem são os principais personagens da Pandora na página 40).



[FOTO2]Apesar de citados no inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que investiga as denúncias de corrupção no DF, Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (PRTB), Benício Tavares (PMDB), Aylton Gomes (PR) e Rôney Nemer (PMDB) se livraram do processo político. Com exceção de Rogério Ulysses, que não tentou se manter na Câmara porque foi expulso do PSB, os outros quatro foram reeleitos, apesar do desgaste com as acusações feitas por Durval Barbosa, o delator do escândalo.



Rotina familiar

Cassado como consequência dos desdobramentos da Caixa de Pandora, o ex-governador Arruda saiu da cena política em 2010. Sem mandato e sem partido, sua rotina passou a ser familiar. Recentemente, admitiu em entrevista que não retornaria à vida pública e que tem tomado remédios para não cair em depressão. Dedica-se à leitura e está escrevendo um livro de memórias.



Nos últimos meses, no entanto, retomou parte do convívio social. Voltou a fazer caminhadas próximas onde mora, no Park Way, foi a alguns casamentos — como o do filho do ex-diretor do Metrô José Dimas —, já foi visto em enterros e tem feito viagens. Em agosto esteve na Praia do Futuro (em Fortaleza) e agora passa uma temporada em Nova York. Nesta semana, Arruda esteve em um outlet de New Jersey, próximo a NY, fazendo compras com a mulher, Flávia, e a filha, Maria Luísa.



O ex-governador viajou um dia após participar de acareação com os delatores de Pandora Durval Barbosa e Édson Sombra em um processo que investiga a participação de ex-procurador-geral de Justiça Leonardo Bandarra e da promotora de Justiça Deborah Guerner em envolvimento com os esquemas criminosos revelados há um ano.



» Veja alguns vídeos gravados por Durval



Assim como Arruda, o ex-vice-governador se afastou dos holofotes da política. Nos últimos meses, Paulo Octávio retomou o controle do grupo empresarial que fundou no DF. Tem dado expediente em seu escritório, no Kubitschek Plaza. Logo após o escândalo de Pandora, o vice se recolheu. Evitou os compromissos sociais dos quais era frequentador assíduo. Aos poucos, tem retomado sua rotina social. Costuma ir ao Shopping Iguatemi, onde vai ao cinema com os dois filhos e mulher. E tem viajado bastante. Nos últimos tempos, foi para a Europa, onde esteve na Itália, e para os Estados Unidos, com a família. Paulo Octávio tem dito a pessoas próximas que tomou abuso da política e não voltará à vida pública.



Astros e estrelas apagados

A divulgação dos vídeos protagonizados por Leonardo Prudente (o que enfiou dinheiro nas meias), Eurides Brito (guardou os maços na bolsa) e Júnior Brunelli (o da oração da propina) potencializou a repercussão da crise no Distrito Federal, que se tornou um escândalo nacional. Temendo a cassação de mandato, Brunelli e Prudente se precipitaram e renunciaram ao cargo. Afastado do meio político, o primeiro ainda tentou viabilizar a candidatura da irmã Lilian fazendo um trabalho de base na igreja evangélica Casa da Benção. Mas ela não se elegeu.



Prudente também cortou o vínculo com a Câmara Legislativa. Ex-presidente do Legislativo local, não conseguiu fazer nenhum representante na Casa onde esteve por duas legislaturas e de onde negociava com conforto os contratos com o GDF para empresas de vigilância e serviços gerais ligadas à sua família. Atualmente, o deputado que ficou famoso depois de flagrado escamoteando dinheiro nas meias e nos bolsos do paletó dedica-se à família e às empresas — algumas delas ainda mantêm contratos com o GDF. No meio do ano, Prudente voltou para escola. Matriculou-se em um curso de gestão financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV).



O ex-distrital tem evitado badalações, até porque tem receio de não ser bem recebido. Mas casou dois filhos em grande estilo. Uma das cerimônias foi na Mansão Unique. O ex-distrital se sente mais à vontade fora de Brasília. Viaja muito, principalmente para o Nordeste. Em setembro, tentou renovar visto para os Estados Unidos, mas teve problemas para conseguir o documento.



Eurides foi a única deputada cassada em função do escândalo da Caixa de Pandora. Como optou por enfrentar o processo de quebra de decoro parlamentar, foi uma das últimas envolvidas na crise a se afastar da mídia. Em 22 de junho, a distrital assistiu de casa à decisão do plenário da Câmara que lhe tirou o mandato. Desde então, tem se dedicado à rotina mais caseira. Nos bastidores, chegou a incentivar as candidaturas a distrital de José Valente e de Luiz Carlos Pitiman para deputado federal. Aos 73 anos, não deve voltar à política. A Lei da Ficha Limpa será um impeditivo.



Investigados



Benício Tavares (PMDB)

Em depoimento, Durval Barbosa disse que ele recebia R$ 30 mil, ainda no governo anterior, para favorecer a candidatura de Arruda. Benício Tavares também foi alvo de um vídeo gravado por Durval, mas não aparece recebendo dinheiro. Foi reeleito com 17.558 mil votos.



Rôney Nemer (PMDB)

O parlamentar foi citado em um diálogo gravado em que o então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, diz a Arruda que ele recebia R$ 11,5 mil do assessor de imprensa Omézio Pontes. Reeleito com 17.778 votos.



[FOTO2]Rogério Ulysses (PRTB)

Citado em conversa em que o então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, disse que pagava R$ 50 mil para o deputado, que ainda recebia R$ 10 mil do assessor de imprensa Omézio Pontes. Além disso, ele foi alvo de ação de busca e apreensão em sua casa e no gabinete na Câmara Legislativa. Foi expulso do PSB em 22 de dezembro do ano passado. Não disputou as eleições em virtude de ter trocado o antigo partido, PSB, pelo PRTB após o prazo exigido pela lei eleitoral.



Aylton Gomes (PR)

O então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, afirmou que pagava a ele R$ 30 mil. O deputado, segundo o diálogo, ainda recebia R$ 10 mil de Omézio Pontes. Reeleito com 13.278 votos.



Benedito Domingos (PP)

Em depoimento, Durval Barbosa disse que Benedito recebeu R$ 6 milhões para apoiar a campanha do governador Arruda. José Geraldo Maciel afirmou que o distrital recebeu dinheiro das mãos do conselheiro do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia. Reeleito com 9.479 votos.
Trabalho impecável da PF


Câmara Legislativa em 27/11/2010 às 10:06



Pandora, Patrício





“A Caixa de Pandora nos deixou muitas lições. Para mim - que acompanhei muito de perto na presidência da Câmara Legislativa - ficou a lembrança de todo o trabalho impecável da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de todas as autoridades envolvidas, que conseguiram resistir às inúmeras pressões e devolver a normalidade ao Distrito Federal. Como cidadão, também ficou a sensação de que o bem venceu o mal. Isso ficará para sempre na minha memória”.



Deputado Cabo Patrício, vice-presidente da Câmara Legislativa.
Partido saiu prejudicado


Partidos em 27/11/2010 às 10:38



Adelmir, Pandora





“Acredito que após a Caixa de Pandora houve uma maior conscientização política dos eleitores. No entanto, é preciso destacar que esses acontecimentos políticos ocorridos no DF há exatamente um ano foram rotulados como um movimento do Democratas. Na verdade, o governador José Roberto Arruda tinha um forte leque de apoio político, com mais de dez partidos que o apoiaram tanto na eleição como na governança. Então, os acontecimentos políticos não poderiam ficar vinculados apenas ao DEM. Teriam de citar as pessoas envolvidas, das mais diversas agremiações partidárias. Essa vinculação certamente prejudicou o partido tanto do ponto de vista local como nacional. Afinal, o eleitor acabou vitimando e rejeitando candidatos do DEM que não tinha nenhuma vinculação com a Caixa de Pandora. Eu mesmo não tinha ligação direta com o Poder Executivo local, tenho a ficha limpa. Minha indicação à presidência do partido na época da crise foi uma escolha feita pela Executiva Nacional, que me deu a incumbência de presidir o partido no DF durante as convenções, as coligações e as eleições. Para mim foi uma surpresa. Nunca pleiteei a presidência do partido, mas tive de aceitar como uma missão, para a celebração do processo eleitoral”.



Senador Adelmir Santana, presidente do DEM-DF.
Muita coisa ainda por vir


GDF em 27/11/2010 às 11:10



Pandora, Sombra





“Ainda não é possível avaliar o legado da crise política no Distrito federal porque o resultado da Operação Caixa de Pandora ainda não é conhecido. A operação ainda não chegou ao fim. O escândalo de um ano atrás revelou apenas o início do problema. Muita coisa ainda está por vir. Vamos continuar nos lembrando desse 27 de novembro por muito tempo ainda”.



Edson Sombra, jornalista



Acostumado a atuar nos bastidores do cenário político local, o jornalista Edson Sombra ganhou os holofotes ao denunciar uma suposta tentativa de suborno por parte de aliados do então governador José Roberto Arruda para que houvesse interferência nas denúncias contra o governo. A acusação de Sombra, que colaborou com a Polícia Federal para que os emissários do suborno fossem pegos em flagrante, acabou levando o ex-governador José Roberto Arruda à prisão. Arruda, seu secretário particular, o ex-secretário de Comunicação Weligton Moraes e o deputado distrital Geraldo Naves (DEM) ficaram presos por mais de dois meses.
Dilma mantém Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula




Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo



A presidente eleita Dilma Rousseff decidiu manter o assessor especial internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, no mesmo cargo que ocupa hoje.



A manutenção da Garcia na cozinha do Planalto é um forte sinal da continuidade de política de boa vizinhança do Brasil com os países vizinhos, como a Venezuela, que rendeu muitas críticas à política externa do presidente Lula. A própria Dilma, embora não tenha explicitado como pretende conduzir a política externa brasileira, já manifestou apoio ao Mercosul e foi celebrada pelo venezuelano Hugo Chávez.



Será uma reedição da dobradinha Garcia-Itamaraty, que o governo considera que deu certo na administração da política externa sob Lula.



Mas, a ajuda de Marco Aurélio à Dilma não se restringe à política externa. Garcia, que foi um dos coordenadores da campanha da petista, ajudará a presidente eleita também na relação com o PT.
Deu no O Estado de S.Paulo


PT se une na disputa por cota na Esplanada



Roberto Almeida e Flávia Tavares



Correntes majoritárias do PT reuniram-se ontem em Guarulhos (SP) para discutir o espaço de poder do partido no futuro governo de Dilma Rousseff.



Os petistas, especialmente os que integram a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), têm a preocupação de garantir redutos conquistados no governo Lula e retomar ministérios ocupados por aliados, como Cidades, Saúde e Comunicações.



Os presentes negaram que o encontro serviria para discutir cargos no governo federal.



Nos bastidores, porém, petistas admitem que há algumas preocupações do grupo, como garantir a volta de José Genoino (PT-SP) à Câmara - ele não foi eleito, mas ficou como suplente - o que exigiria manobra para nomear deputados vitoriosos, abrindo a vaga de parlamentar para o petista.



Os nomes mais ventilados no PT são o do tesoureiro da campanha de Dilma, José de Filippi Júnior, eleito deputado, para o Ministério das Cidades.



Candidato derrotado ao governo de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante teria um posto garantido na Esplanada, provavelmente na Ciência e Tecnologia ou em alguma nova pasta a ser criada.



A indicação de Filippi para Cidades gera confronto com aliados. A pasta é cobiçada pelo PMDB e também chegou a ser cogitada pelo PSB, mas o mais provável é que os pessebistas levem a Integração Nacional.



Genoino admitiu que há uma articulação para que volte à Câmara, mas afirmou que deixou "tudo pronto" para entregar o gabinete em 31 de dezembro. "Se há articulação, não é minha. Até porque candidato derrotado não faz articulação. Se há desejo, não é meu", afirmou.
Convencida por Lula, Dilma irá se reunir com Jobim




Dilma já considera possível mantê-lo no Ministério da Defesa



Gerson Camarotti e Geralda Doca



Depois das recomendações do presidente Lula, a presidente eleita, Dilma Rousseff, já diminuiu as resistências para manter no cargo o ministro da Defesa, Nelson Jobim.



Terá uma conversa definitiva com ele depois do dia 4 de dezembro, quando ele estará de volta ao Brasil de uma viagem a Itália, Sérvia, Polônia e Espanha. Oficialmente, a conversa será para tratar da compra dos caças para a Força Aérea Brasileira.



Lula tem dito a Dilma que Jobim é fundamental para evitar crise numa área delicada.



Na sua avaliação, o presidente vai além: hoje haveria poucos quadros preparados como Nelson Jobim para ter autoridade e conhecimento para comandar as Forças Armadas.



Todos os antecessores de Jobim enfrentaram crise e foram desestabilizados.



Dilma analisou outros nomes para a Defesa. Até o do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que irá para a Justiça, chegou a ser avaliado.



Mas cresce o consenso de que qualquer nome enfrentaria dificuldades. Para diminuir as resistências de Dilma, uma saída seria manter Jobim por um período determinado, até acabar a reestruturação do Ministério da Defesa.



Mas Lula tem dito que o melhor seria mantê-lo por todo o mandato.



Confirmada a permanência de Jobim, devem continuar nos cargos os comandantes das Forças Armadas: brigadeiro Juniti Saito, da Aeronáutica; almirante Moura Neto, da Marinha, e general Enzo Perri, do Exército.



Ontem, a atuação de Jobim no enfrentamento ao crime organizado no Rio foi elogiada no Planalto, o que contou pontos para sua permanência.



Ao saber das resistências ao seu nome, Jobim mandou sinais de que não tinha interesse em permanecer no posto. Isso preocupou Lula, que decidiu priorizar o assunto.



"Até Jobim, a Defesa foi um dos maiores problemas do meu governo", disse Lula para Dilma.



Petistas são contra manter Haddad na Educação



A decisão de Dilma Rousseff de manter no cargo o ministro da Educação, Fernando Haddad, tem provocado reação do PT. Mas Dilma estaria disposta a ignorar as resistências, seguindo a orientação de Lula.



As bancadas do PT na Câmara e no Senado tentaram desestabilizar Haddad durante a crise do Enem, e Lula saiu em seu socorro.



Com isso, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que desejava a Educação, pode ficar com a Previdência ou Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.



Dilma já estuda como compensar o PMDB pela provável perda dos ministérios das Comunicações e da Integração Nacional. Ela deve destinar o Ministério das Cidades para os peemedebistas.



Há pressão do vice-presidente eleito, Michel Temer, para emplacar o ex-governador Moreira Franco (PMDB-RJ). Mas a ideia desagrada ao governador Sérgio Cabral PMDB-RJ), principal cacique do partido no Rio.



Cabral não foi consultado sobre a indicação de Moreira. Dilma está inclinada a destinar para o PSB o Ministério da Integração Nacional, a despeito da ambição do governador Jaques Wagner (PT-BA) de ter o controle da pasta.



O governador Eduardo Campos (PSB-PE), se ganhar a disputa com Wagner, deseja indicar o ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho.



Outro socialista que deve entrar no 1 escalão de Dilma é o senador reeleito Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Mas será pela cota do PT.



Dilma deseja que Dutra, suplente de Valadares, assuma o mandato. Uma das opções seria o novo Ministério de Micro e Pequenas Empresas.
DISTRITO FEDERAL




Batalhões da PM estão há 9 meses sem telefone fixo



Batalhões da Polícia Militar no Gama, em Planaltina e em Ceilândia, no Distrito Federal, estão há nove meses sem telefone fixo. Desde março, o contrato com a operadora responsável pelo serviço não foi renovado. Em junho, o comando da PM disse que a central de compras do Governo do Distrito Federal (GDF) já estava com o processo de licitação pra escolher a nova operadora, mas até agora, nada foi feito.



Para chamar a polícia, nessas localidades, estão disponíveis apenas celulares ou o número 190, que nem sempre funciona. A dificuldade de entrar em contato com a polícia preocupa a população.



- Minha amiga foi assaltada na rua, teve de vir aqui falar com eles, por telefone não conseguiu - relata a estudante Letícia Santos.



A informação foi confirmada pela Ouvidoria da Polícia Militar.



- Não tem nenhum telefone fixo operando hoje na Polícia - diz a atendente.



O número do telefone do 2º batalhão da PM, em Taguatinga, é 3352-5912, mas quando se tenta ligar a chamada não é finalizada. Para os policiais, a alternativa é usar orelhões.



- É um problema para a comunidade, que na necessidade não tem como entrar em contanto com as pessoas que poderiam tomar uma providência - opina a assistente administrativa Tânia França.



A assessoria de imprensa da PM informou que a falta de telefone fixo nos batalhões não atrapalha o atendimento a ocorrências, porque o 190 funciona e as viaturas são acionadas por rádio. A licitação das linhas telefônicas foi feita essa semana e em 30 dias os fixos devem estar funcionando, segundo a corporação. Informações do DFTV.





Da redação Blog em 27/11/2010 00:54:57
TRANSIÇÃO




Ministério de Dilma deve contar com pelo menos oito mulheres



Diante da intenção declarada da presidente eleita, Dilma Rousseff, de ampliar o número de mulheres no primeiro escalão de seu governo, além de Miriam Belchior - já confirmada no Planejamento - e da diretora da Petrobras Graça Foster, que deverá ter nova função, pelo menos outras seis deverão reforçar o time feminino na Esplanada. Ainda assim, o número de mulheres será inferior à quota de 30% que chegou a ser mencionada em reunião entre Dilma, o presidente Lula e o comando do governo de transição.



São citadas ou cotadas como ministeriáveis a deputada Manuela D‘Ávila (PCdoB-RS), para o Esporte; a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres ou a da Pesca; a senadora eleita Lídice da Mata (PSB-BA), que tem o apoio do governador Jaques Wagner e poderia ir para a Integração Nacional; a embaixadora Vera Machado para o Itamaraty; a ministra Márcia Lopes, que pode ser mantida no Desenvolvimento Social; e a deputada Maria do Rosário (PT-RS), para a Secretaria de Direitos Humanos ou das Mulheres. Dilma manterá outra mulher com poder no governo: a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho.





PMDB não deve indicar mulheres



Nas conversas com os aliados, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, pediu a todos nomes de mulheres para o futuro Ministério. Mas não devem surgir muitos outros. O PMDB, maior aliado, não deve indicar nenhum. O PCdoB manifestou a disposição de manter o Esporte, hoje ocupado por Orlando Silva, que pode permanecer no cargo ou abrir espaço para Manuela D‘Ávila, deputada federal mais bem votada no Rio Grande do Sul. Orlando Silva deverá comandar a Autoridade Pública Olímpica, que cuidará da organização dos Jogos Olímpicos de 2016.



Com origem no movimento estudantil, a deputada gaúcha não é estranha no ninho esportivo. No momento, Manuela disputa as eleições para o Conselho Deliberativo do Internacional. Ela tem repetido que não recebeu convite e evita falar sobre eventual participação no Ministério de Dilma, mas apoia a disposição da presidente de aumentar a participação feminina.



- Foi uma pauta que a presidente colocou e vai representar uma mudança na cara do governo. Mas é uma decisão da presidente - disse a deputada gaúcha.



Líder do governo Lula no Congresso, Ideli termina seu mandato de senadora no fim de janeiro e é nome dado como certo na Esplanada, mas ainda não foi definida a pasta. Ideli, que é amiga de Dilma, disputou o governo de Santa Catarina, abrindo palanque para a petista no estado.



A gaúcha Maria do Rosário é outra petista próxima a Dilma e conquistou espaço na Câmara graças à sua atuação em direitos humanos e causas das mulheres. Embora Dilma tenha preferência pelo embaixador Antônio Patriota, o Ministério das Relações Exteriores poderá ficar com uma mulher, e o nome mais forte é o de Vera Machado.



Ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata tem currículo para ter cargo na Esplanada, não se sabe qual ainda. Seu padrinho político, Jaques Wagner, briga para indicar o novo ministro da Integração Nacional, pasta que foi ocupada pelo seu desafeto Geddel Vieira Lima. Mas o petista baiano ainda precisa brigar por essa pasta, disputada pelo PSB. Informações de O Globo





Da redação Blog em 27/11/2010 11:05:37
Taxa de desemprego cai para 6,1%, nível mais baixo da série do IBGE






A taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas teve leve alteração na passagem de setembro para outubro, de 6,2% para 6,1%, a menor leitura já registrada em toda a série da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em março de 2002. Em comparação com outubro de 2009, quando o indicador marcou 7,5%, houve queda de 1,4 ponto percentual.





Das seis áreas pesquisadas, Salvador apresentou a taxa mais elevada, de 9,9%. O resultado, contudo, foi menos marcado que o apurado em setembro, quando a taxa de desocupação correspondeu a 10,3%. Na sequência, apareceu Recife (8%). Na casa de 5%, ficaram São Paulo (5,9%), Rio (5,7%) e Belo Horizonte (5,3%). Porto Alegre verificou a menor marca, de 3,7%.





O contingente de desocupados equivaleu a 1,444 milhão de pessoas em outubro, ante o 1,480 milhão de pessoas de um mês antes e o 1,753 milhão de pessoas do antepenúltimo mês de 2009.





Quanto à população ocupada, o grupo era de 22,345 milhões no mês passado, ante 22,282 milhões em setembro. Em outubro de 2009, o número de pessoas ocupadas estava em 21,505 milhões.





O levantamento do IBGE apontou ainda que o rendimento médio real habitual dos trabalhadores, apurado em outubro, de R$ 1.515,40, ficou estável no comparativo mensal, mas teve elevação de 6,5% perante outubro de 2009.





A taxa de desocupação este ano deverá ser menor do que nos anos anteriores, de acordo com o acumulado já registrado em 2010. "Podemos concluir, então, que este ano deve fechar com uma taxa mais baixa do que nunca, na série iniciada em 2002", disse o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Em todo o ano passado, o índice de desocupação foi de 8,1%.





O mercado de trabalho havia sido afetado por causa da crise econômica e, segundo Azeredo, a taxa agora volta a se recuperar. "Já é possível ter noção do que vai ser o fechamento do ano. Foi o terceiro mês seguido de recorde de taxa baixa", disse.





A média dos dez meses de 2010 está em 7%, isso sem incluir os meses de novembro e de dezembro, que registram historicamente taxas de desemprego mais baixas devido aos trabalhos temporários voltados para o fim do ano. No ano passado, de janeiro a outubro, a média ficou em 8,3% e, em 2008, antes da crise, foi de 8,1%.





O ano de 2010 vem mostrando recuperação da geração de empregos formais, com crescimento percentual superior ao registrado no número total de vagas. O número de postos de trabalho com carteira assinada cresceu 8,4% em outubro, em relação ao ano passado, mas o número de vagas sem carteira no setor privado caiu 0,7%, de acordo com dados do IBGE.





A maior alta percentual foi registrada no funcionalismo público, de 7,4%, em relação a outubro de 2009, mas, segundo Cimar Azeredo, se trata de um setor com menor peso em relação aos demais. Enquanto a população em idade ativa avançou 1,1%, a população ocupada registrou alta de 3,9%. Já os postos de trabalho com carteira assinada aumentaram 8,4%.





"O avanço com carteira assinada era de se esperar. Ano passado foi de crise, mas os empregos com carteira de trabalho não haviam deixado de crescer. Embora não houvesse geração de postos de trabalho substancial, houve alta com carteira assinada", disse Azeredo. Valor Econômico