Ainda sem o registro da candidatura, Roriz pede esforço total aos aliados
Ele diz esperar que o Supremo defina sua situação na próxima semana
Juliana Boechat
Publicação: 11/09/2010 08:00
Desde que teve o registro de candidatura barrado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em 4 de agosto último, o postulante ao Buriti Joaquim Roriz (PSC) dedica grande parte do tempo para afirmar a sua participação nas eleições. A frase “sou, sim, candidato” é repetida por ele e pelos aliados em programas de televisão, comícios e carimbadas em milhares de santinhos. A tática da equipe azul foi reunir a militância e os correligionários para passar o recado de união. Desde a última segunda-feira, Roriz passou as tardes reunido com integrantes da Coligação Esperança Renovada para pedir dedicação em busca da sua vitória. A mudança de estilo na reta final da campanha é uma tentativa de rebater o discurso adotado pelos adversários no último mês, de que Roriz está fora da disputa.
O ex-governador depende do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) — previsto para as próximas semanas — para retomar o foco original da campanha. “Preciso desse julgamento para a semana que vem. Essa incerteza dá margem ao partido da oposição confundir o eleitor”, defendeu. Enquanto isso, ele se diz otimista e entusiasmado. “Não tenha dúvida de que o Supremo vai me dar ganho de causa porque é uma questão constitucional. Isso sendo julgado, eu vou para a rua com mais fogo e dedicação”, garantiu ao Correio. Em mais uma tentativa de antecipar a palavra final dos ministros, os advogados do ex-governador protocolaram um novo recurso no STF questionando a decisão do ministro Carlos Ayres Britto, que na quinta-feira indeferiu um recurso, chamado de reclamação, de Roriz.
O novo documento será encaminhado para decisão colegiada. O candidato do PSC, no entanto, ainda aguarda tramitação de outros recursos na Justiça (veja quadro). O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, tem em mãos um Recurso Extraordinário protocolado pela defesa do ex-governador. Na ação, os advogados pedem que a Suprema Corte se posicione sobre a situação. Na última quinta-feira, Lewandowski e o presidente do STF, Cezar Peluso, indicaram que a matéria pode ser definida antes do primeiro turno das eleições.
Reunião
Ontem foi a vez de Roriz se reunir com o DEM e o PSDB, legendas dos candidatos ao Senado pela coligação Alberto Fraga e Maria de Lourdes Abadia, respectivamente. Desde o início, o ex-governador enfrentou divergências com os dois partidos. Fraga, que foi secretário de Transportes do governo de José Roberto Arruda, chegou a abandonar a campanha após ser vaiado em comícios onde aparecia ao lado de Roriz. Já o presidenciável tucano, José Serra, ainda não participou da campanha do candidato do PSC. “O Democratas já teve problemas, mas hoje é limpíssimo. Quem sobrou é de muito valor”, discursou Fraga ao lado do presidente da legenda e candidato a deputado federal, Adelmir Santana.
Ao som de tambores e em meio a muitas bandeiras dos candidatos aliados, em seu escritório político no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), Roriz reforçou o discurso de união. “Uma pessoa ontem veio me dizer que só votaria em mim e não na chapa. E eu disse que se fosse assim, dispensava meu voto. Ou é na chapa toda ou em ninguém”, ressaltou. Abadia seguiu a mesma linha. “Se não quiserem votar em Fraga, também não precisam votar em mim. Não quero ser parceira de Cristovam (Buarque) e (Rodrigo) Rollemberg. Se for assim, prefiro perder”. A deputada distrital Eliana Pedrosa (DEM), candidata à reeleição, esteve presente. Ela costumava criticar a atitude de Roriz de não deixar os distritais discursarem no palanque. E também nunca fez questão de ligar seu nome ao de Roriz nas bandeiras, santinhos e nos adesivos.
DIFERENÇA AMPLIADA
» Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que a vantagem de Agnelo Queiroz (PT) sobre Joaquim Roriz (PSC) subiu de seis para 11 pontos percentuais. De acordo com o levantamento, o candidato petista saltou de 35% para 44% das intenções de votos, enquanto seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Buriti caiu de 41% para 33%. Toninho do PSol manteve 3% da preferência do eleitorado, enquanto Eduardo Brandão (PV), Rodrigo Dantas (PSTU) e Newton Lins (PSL) aparecem com 1% cada. Os indecisos somam 11% e outros 7% pretendem votar em branco ou nulo. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Na simulação de um eventual segundo turno, Agnelo aparece com 50% das intenções de voto, contra 39% de Roriz. A pesquisa, feita nos dias 8 e 9 com 878 eleitores, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 28808/2010.
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