domingo, 12 de setembro de 2010

Entrevista - Alberto Fraga






Natasha Dal Molin



natasha.dalmolin@jornaldebrasilia.com.br







Candidato ao Senado pela coligação Esperança Renovada, Alberto Fraga (DEM) rejeita o rótulo de polêmico e afirma que é uma pessoa coerente. Sua formação como policial militar se reflete na postura política agressiva e também nas posições defendidas nos três mandatos como deputado federal. Neles, conseguiu a aprovação de 16 projetos de sua autoria e liderou o movimento contrário à aprovação do Estatuto do Desarmamento. No governo de José Roberto Arruda, teve papel de destaque. À frente da Secretaria de Transportes, implantou modificações estruturais que dividiram opiniões, como o fim das vans – já foi até ameaçado de morte por isso.







Hoje, como candidato, questiona as pesquisas de opinião, que o colocam com menos de 20% e corre contra o tempo para ganhar mais votos depois de uma ruptura de quase três meses com o candidato ao governo da própria chapa, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), com quem tem discordâncias públicas evidentes.







Nessa entrevista, não poupa os adversários e nem deixa de lado os temas polêmicos, como a relação estremecida com Roriz, a falta de união da coligação e a amizade com Arruda.







O senhor está com desempenho baixo nas pesquisas de intenções de voto. O que acha desses levantamentos?



Nós sabemos que tem pesquisas e institutos que pedem dinheiro para os candidatos aparecerem bem. Talvez eu tenha sido um pouco mais duro quando fui para a tribuna da Câmara e disse que isso ocorre. Acho um absurdo. As pesquisas não devem existir. Elas me deixam cada vez mais desmotivado. Tinha que ter regra e regra muito rígida para pesquisa em época de eleição.







Como está a relação do senhor com Joaquim Roriz?



Dentro da coligação a gente tem andado juntos. Eu mantenho os meus pontos de vista e ele os dele. Eu preciso dele, assim como ele também precisa de mim. Não tem mais nenhum problema. O que aconteceu foi que alguns militantes da base dele, inconformados com as ações que nós tivemos que implantar no governo passado, passaram a me vaiar nos comícios. Foi por isso que eu reagi.







O senhor foi uma das poucas pessoas que visitou Arruda enquanto ele esteve preso na Polícia Federal. Qual era – ou é – a sua relação com ele?



Minha relação com ele sempre foi de amizade. Eu lutei pela indicação do DEM para ele ser o candidato. No governo, fui um dos deputados mais votados da coligação, fui um secretário muito atuante no governo dele. No momento de infelicidade da vida dele, eu tinha que estar do lado dele. Eu digo sempre que quem abandona o barco quando está afundando é rato e eu não sou rato. Os amigos entre aspas que apareciam para puxar o saco, para bajular enquanto ele estava no poder, todos desapareceram. Muitos empresários que ganharam muito com contratos bilionários desapareceram.











O que o senhor acha da obstinação de Roriz em concorrer às eleições, recorrendo das decisões no TRE-DF, TSE e agora no STF?



Eu vejo como um direito legítimo dele. Mas a oposição está se aproveitando dessa instabilidade para espalhar pela cidade que ele não é candidato. Quem vai decidir isso é a Justiça, e aí me parece mais um receio de perder a eleição no voto e querer ganhar no tapetão. O PT é campeão em ganhar essas coisas no tapetão.

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