quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Debater pra quê?


20/10/2010



O segundo turno de uma eleição majoritária é salutar para a democracia. Logo após disputa pulverizada, com vários candidatos tentando “falar ao mesmo tempo”, chega-se ao round decisivo, em que os mais votados se veem na obrigação de tornar claros os projetos de governo. O debate de ideias tende a ser mais objetivo, facilitando a vida do eleitor, que tira suas dúvidas e decide o voto de maneira mais segura.





É hora de colocar a faca entre os dentes. Todo candidato, em tese, deveria contar os minutos para entrar no ringue dos debates televisivos e mostrar a que veio. Principalmente aquele que precisa descontar a desvantagem do primeiro turno. O embate direto com o agora único adversário, diante dos holofotes da mídia eletrônica, pode virar o jogo.



Nesse contexto, soa de forma estranha a postura da candidata do PSC ao Governo do Distrito Federal, Weslian Roriz, que faltou aos dois primeiros debates agendados no calendário do segundo turno. Restou às TVs Bandeirantes e Record a alternativa insossa de transformar o roteiro em sabatina ao petista Agnelo Queiroz.



As explicações apresentadas pela assessoria de Weslian são de um hermetismo medieval. Na primeira ausência, foi alegada “insegurança jurídica” – a própria candidata, no dia seguinte, disse desconhecer o significado do argumento. Já a falta da última segunda-feira se deveu a “questões estratégicas”, de acordo com o assessor de imprensa Paulo Fona.



Sabe-se que Weslian se submete a treinamentos desde que participou dos dois debates finais do primeiro turno. É compreensível que, pelo susto de entrar na eleição ao soar do gongo e pela natural falta de experiência, a candidata sinta insegurança nos confrontos televisivos. O eleitor-telespectador, porém, nada tem a ver com esses percalços.



A memória me traz a imagem do artilheiro Romário e o bordão: “Treinar pra que?” O Baixinho, do alto de sua genialidade e cheio de preguiça, só queria saber de jogo valendo ponto. Não dava bom exemplo, mas o comportamento até fazia sentido. Ao adotar o”debater pra que?”, Weslian Roriz pisa na bola. Resta torcer para que, como a assessoria informou, cada caso seja realmente um caso e os próximos debates contem com a presença da candidata.



Fonte: Correio Braziliense, Paulo Rossi

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