sábado, 13 de novembro de 2010

Agnelo completa semana de visitas protocolares


Governador eleito se encontra com vários setores e já articula para assumir nas melhores condições possíveis

O governador eleito Agnelo Queiroz (PT) antecipou a volta de suas miniférias de menos de uma semana, quando ele foi para Pernambuco, e já começou a trabalhar na transição do governo atual, de Rogério Rosso (PMDB) para o seu. E um dos primeiros desafios, que era a equipe de transição a ser montada, deixou de ser problema a partir do momento em que Agnelo resolveu o início de disputa entre aliados e decidiu quem coordenaria os trabalhos políticos e técnicos: ele mesmo.






Resolvida a questão, Agnelo tomou a iniciativa de procurar diversos setores para trabalhar de modo a que quando assumir, em 1º de janeiro, o petista o faça já com conhecimento sobre as especificidades da máquina do governo e dos principais nós a serem desatados para que os compromissos assumidos sejam cumpridos. Como disse, em diversas ocasiões, o senador reeleito Cristovam Buarque (PDT), que teve papel protagonista na campanha de Agnelo, “não temos o direito de errar”.





Encontro de governadores

Na quinta-feira (11), Agnelo foi ao seu futuro local de trabalho, o Palácio do Buriti, para uma “visita de cortesia” ao governador em exercício. Um dos motivos para a visita foi levar o agradecimento do novo governador a Rosso pela colaboração exemplar que foi demonstrada até agora por ele e sua equipe no GDF. Além disso, eles trataram de assuntos que ficarão pendentes para o próximo governo, especialmente a saúde.



Rombo e intervenção

O tema é dos mais espinhosos. Foi o principal alvo durante a campanha eleitoral, já que se mostrou como a principal preocupação da população. Duas notícias relacionadas ao tema colaboraram para que a saúde se mantivesse em evidência primária na pauta do dia: o anunciado rombo de

R$ 680 milhões que o setor tem e a intervenção estatal no Hospital Regional de Santa Maria.





A saúde foi o principal assunto da equipe de transição de Agnelo. Em reunião na Associação Médica de Brasília a equipe constatou que a falta de remédios, os equipamentos quebrados e a falta de profissionais é apenas a “ponta do iceberg”. Segundo a equipe, ainda não é possível afirmar os motivos que causaram o rombo, já que os dados são preliminares.





Antes do encontro, Rosso havia anunciado a intervenção no Hospital Regional de Santa Maria, que permanecerá sob o comando privado até janeiro. Agnelo aprovou a decisão e disse ter sido consultado pelo atual comandante do Buriti. “A intervenção é correta. A ideia é superar o impasse e manter o funcionamento da instituição sem causar prejuízos às pessoas, já que existe respaldo dos órgãos de fiscalizações que orientaram a medida”.



Mané Garrincha

O projeto do novo Mané Garrincha pode sofrer alterações e ter a capacidade reduzida. Isso por causa do anúncio do novo estádio do Corinthians, que já ganhou os apelidos de “Fielzão” e “Itaquerão”, como local da abertura da Copa do Mundo de 2014. Brasília havia entrado firme na disputa para ser sede do evento, e tanto Rosso quanto Agnelo já haviam tratado disso. Tradicionalmente, a abertura da Copa do Mundo é feita na capital do país sede.





Porém, em coletiva conjunta de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, Alberto Goldman (PSDB), governador de São Paulo e Gilberto Kassab (DEM), prefeito de São Paulo, foi feito o anúncio de que a abertura será mesmo no estádio. Mas ainda restam diversas dúvidas, pois a FIFA não foi comunicada da decisão e ainda faltam R$ 200 milhões para serem cobertos no orçamento que ninguém assumiu. Dessa forma, apesar de haver a intenção das autoridades de dar a certeza de que a abertura será no estádio do Corinthians, ainda há muita incerteza e esperança de que Brasília receba o jogo inaugural da Copa.





Ainda assim, se for confirmada definitivamente para São Paulo a abertura, o governo do DF estuda diminuir a capacidade do Mané Garrincha de 70 mil lugares para 40 mil lugares. Agnelo disse que ainda espera a confirmação de São Paulo para negociar a redução no projeto, o que provocará também toda uma revisão das contas e uma renegociação do financiamento. “Nós vamos buscar outras formas de financiamento, como o do BNDES. Não vamos insistir em um modelo que não tem uma sustentação legal”, disse Agnelo.



Orçamento

Agnelo foi, ainda na quinta-feira, à Câmara Legislativa do DF. O presidente da Casa, Wilson Lima (PR), fez convocação para todos os parlamentares receberem o governador eleito, que chegou acompanhado de Chico Vigilante (PT), um dos distritais que tomarão posse ano que vem, e de Cristiano Araújo (PTB), que conseguiu se reeleger e é da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa e um dos relatores da proposta de Orçamento para 2011. Agnelo se reuniu com 19 dos atuais 24 distritais, além de alguns que vão ocupar uma das cadeiras na Casa.





O governador eleito conseguiu fechar acordo para que a apresentação de propostas de emenda ao orçamento de 2011 possa ser feita até a próxima quinta-feira (18), o que significa um adiamento de quase uma semana para que os parlamentares possam sugerir e colocar em votação alterações ao projeto de orçamento. A votação da matéria é considerada prioritária dentro da Câmara Legislativa.





“A visita teve um resultado muito positivo, pois conseguimos chegar a um entendimento sobre algumas questões, como a necessidade de mais tempo para a equipe de transição apresentar sugestões ao orçamento”, ressaltou o futuro governador do DF. Cristiano Araújo confirmou que o prazo para a votação é de 15 de dezembro.





Segundo o petista, é fundamental que se vote o orçamento de 2011 com a participação do novo governo, que terá pela frente uma das maiores dores de cabeça da história financeira do Distrito Federal. “Nós pedimos a compreensão [dos parlamentares] para que o orçamento seja votado com a participação do novo governo e vamos trabalhar para que seja modificada a Lei Orgânica [do DF] para que os prazos não fiquem tão apertados.



Compromissos estão garantidos

Agnelo negou que uma possível manutenção dos valores do atual orçamento previsto para 2011 possa prejudicar o cumprimento das suas promessas de campanha. “As promessas foram feitas sobre o orçamento anterior e a Câmara está analisando emendas pedidas propostas pela equipe de transição”, afirmou o governador.



Outros encontros

Ainda durante a semana, Agnelo se encontrou com o arcebispo de Brasília, dom João Braz de Avis, além de visitar o Tribunal de Contas do Distrito Federal. Segundo sua assessoria, o novo governador tratou do orçamento para 2011 e pediu a participação do órgão na fiscalização dos valores apresentados durante a transição. Neste primeiro momento, Agnelo não deve ter acesso a dados deficitários do DF a menos que estes sejam “gritantes”, porém o TCDFT deve sim contribuir nos próximos dias com a transição.

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