DISTRITO FEDERAL
Administração "camarão"
Francisco Dutra, Jornal de Brasília
A partilha de cargos no próximo governo do Distrito Federal não será de porteira fechada. Na divisão de secretarias, empresas públicas e administrações regionais entre os 13 partidos da base aliada, o governador eleito Agnelo Queiroz não descarta a possibilidade de que mais de um partido tenha espaço garantido dentro de uma mesma pasta ou órgão público.
Isto significa que o partido que ganhar o comando de uma determinada secretaria não necessariamente poderá lotear todos os cargos da mesma pasta, com suas próprias indicações. O mesmo vale para os demais órgãos do DF. Segundo o presidente regional do PT, Roberto Policarpo, a estratégia tem o objetivo de garantir que todos 13 partidos da base aliada tenham não apenas espaço no próximo governo, mas estejam também satisfeitos com as posições conquistas na máquina pública do DF.
"Não tem porteira fechada na cabeça de Agnelo. Um partido pode ficar com uma secretaria, mas nada impede que outro partido também participe dela. Agnelo está pensando a mesma coisa para empresas públicas e administrações regionais. Isso não será uma coisa imposta. Agnelo vai conversar com os partidos. Mas a ideia de não ter porteira fechada é para garantir que todos os partidos tenham espaço e possam continuar a apoiar o governo", revelou
Policarpo.
Os próximos dias serão marcados por intensas conversações e negociações sobre a partilha de cargos entre Agnelo e os líderes da base aliada. Nos bastidores, comenta-se que o PT já apresentou para Agnelo a lista de cargos e posições que gostaria de receber no próximo governo. A relação mira nas secretarias de Educação, Transportes, Desenvolvimento Social, Justiça e Cidadania, Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Esportes. Há menção também à Pasta de Obras.
Quanto às empresas públicas, os petistas teriam apresentado nomes para ocupar as presidências da Companhia de Eletricidade de Brasília (CEB), Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). A lista apresentaria nomes para outras empresas, mas estas três seriam as meninas dos olhos nas aspirações políticas da principal sigla governista.
A lista apresentada para o governador já é uma referência para Agnelo nas negociações com os demais partidos. As conversas com as legendas encontram gargalos em diversos pontos. Já é público que a pasta de Cidadania e Justiça é cobiçada por nomes do PT e do PPS. Assim como a Secretaria de Obras é sondada por frentes petistas e pelo PMDB. Dilema semelhante é vivido pela pasta da Agricultura, que está nos planos de PT, PMDB e PSB.
Nos bastidores, lideranças do PT consideram a possibilidade de abrir mão de algumas posições, em nome da manutenção e fortalecimento da base. O sacrifício seria cogitado, inclusive, para as grandes secretarias do GDF. E na queda de braço entre as
indicações de nomes puramente políticos e nomes com histórico técnico, Agnelo estaria priorizando quadros com bagagem técnica no xadrez político da partilha de cargos. "Dificilmente Agnelo dará uma área para alguém que não sabe nada sobre ela. Vai escolher os melhores nomes que os partidos apresentarem", comentou uma fonte da base.
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