quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GOVERNO FEDERAL




Em balanço, Lula agradece ‘contribuições extraordinárias‘ de Marina e Dirceu



A duas semanas de passar a faixa para sua sucessora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu no Palácio do Planalto a equipe que o acompanhou ao longo de oito anos de governo, de José Dirceu a Marina Silva. Em cerimônia no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (15), Lula agredeceu a seu atual e antigo staff, afirmando que todos são "sempre ministros". Saudou "companheiros" que já deixaram o governo, citando nominalmente Dirceu (ex-Casa Civil), afastado na esteira do escândalo do mensalão, e Marina (ex-Ambiente), que rachou com o PT após embate com a então ministra Dilma.



Marina se filiou ao PV em 2009 e, candidata à Presidência, ajudou a empurrar as eleições para o segundo turno ao conseguir quase 20 milhões de votos. Eles e outros receberam de Lula gratidão por "contribuições extraordinárias" na "passagem pelo governo".



Entre os ausentes estava Ciro Gomes, que assumiu a pasta de Integração Nacional entre 2003 e 2006 e está sendo sondado para integrar o ministério dilmista.



POPULAR



No começo da cerimônia, Dilma foi mais aplaudida do que o próprio presidente. Lula desceu rampa que leva ao salão do Palácio do Planalto ao lado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e Dilma chegou ao lado da primeira-dama, Marisa Letícia. O mesmo quarteto se sentou em um palco de frente para a plateia.



O presidente foi saudado pela plateia com gritos de "olê, olê, olê, olá... Lula, Lula". Cerca de 800 autoridades foram convidadas para o evento, que tem o tom de despedida. O governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner, foi o escolhido para falar em nome dos ex-ministros. Wagner participou da equipe de Lula, comandando a pasta do Trabalho e, posteriormente, a de Relações Institucionais.



Ele enalteceu o governo Lula, chamando o presidente de "grande líder" e "líder dos oprimidos". "Tenho certeza que o presidente, com sua história e sua energia, não sairá do cenário político", afirmou o governador da Bahia. Em cena que lembrou uma formatura do governo, um a um, ministros e ex-ministros foram chamados por uma locutora para assinar um livro e posar para fotos ao lado de Lula.



‘MUITO MAIS AMIGOS‘



Segundo Lula, coube à Dilma a decisão de manter no próximo governo ministros como Paulo Bernardo e Guido Mantega. Ele afirmou que os ministros que permanecerão no governo são "muito mais amigos" de Dilma, pois estiveram no gabinete dela ao menos "cem vezes mais" do que na sala presidencial, quando ela era ministra-chefe da Casa Civil. "Ela é quem pode tirar e é ela quem escolhe", disse.



As escolhas da eleita, segundo Lula, são "de livre arbítrio da cabeça dela", e não ordens. "Espero que os companheiros da imprensa não digam que estou querendo ensinar você [Dilma] a fazer alguma coisa", disse.



‘DOM GUIDO‘ E ‘DONA DILMA‘



O Brasil deve subir para o posto de quinta maior economia do mundo até 2016, no que depender do trabalho de "Dona Dilma" e "Dom Guido", afirmou Lula. O país ocupa hoje a oitava posição.



O presidente cumprimentou os ministros e relembrou o fato de que o Brasil será a sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014, da Copa das Confederações em 2013 e dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. E afirmou que o trabalho da presente eleita, Dilma Rousseff, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, será fundamental para atingir essa meta.



"Confio no trabalho da Dona Dilma e do Dom Guido para que o Brasil seja a quinta maior economia do mundo em 2016. Vamos receber essa medalha."



VICE



A principal homenagem de Lula foi para o vice-presidente José Alencar, que está em tratamento no hospital. "Um grande empresário e um médio sindicalista fizeram pelo Brasil o que muitos que achavam que sabiam não fizeram", afirmou. "Duvido que algum governante tenha um vice melhor que José Alencar."



Apesar do tom de despedida, Lula afirmou que a apresentação desta quarta-feira se tratava de um "ato de trabalho". "Vamos nos despedir em outros momentos", disse.



TRANSPARÊNCIA



Lula registrou em cartório as realizações de seus oito anos de governo. A publicação, composta por seis volumes e 2.200 páginas, poderá ser acessada também em portal da internet.



"Estamos procurando ser transparentes, como fomos durante todo o governo", disse o ministro das Comunicações, Franklin Martins, que apresentou a versão eletrônica do documento. Minutos depois, em discurso, Lula brincou que o próprio governo vai "vazar" as informações. Assim, "o WikiLeaks não vai precisar clandestinamente".



NUNCA ANTES



Sobre seu famoso bordão, "nunca antes na história deste país", o presidente afirmou: "Muita gente fica incomodada, ‘Lula está descobrindo o Brasil...‘. Não estou descobrindo. Estou apenas fazendo o que os outros não fizeram". Informações da Folha.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário