segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ainda falta muito trabalho para deixar o DF limpo e em ordem




Apesar da rotina puxada da equipe da Operação Casa Arrumada até nos fins de semana, mato alto incomoda moradores de várias cidades. Segundo o governo, serão necessários 60 dias para deixar tudo em ordem





Leilane Menezes



Publicação: 10/01/2011 07:45 Atualização: 10/01/2011 07:51





Na Península dos Ministros, quem utiliza as pistas de corrida se depara com o mato alto nas redondezas: a situação é a mesma da encontrada na segunda quinzena de dezembro

O novo Governo do Distrito Federal assumiu o comando com a promessa de mudar a cara da cidade. O lixo espalhado pelas quadras e o malto alto que tomaram a paisagem deveriam desaparecer. Dez dias depois, Brasília começa a voltar ao normal. Mas basta circular um pouco pelas ruas da capital para perceber que há muito a fazer. O matagal ainda incomoda moradores do Plano Piloto,dos lagos Sul e Norte, de Taguatinga, de Samambaia, do Guará e de muitas outras regiões, todas previstas no cronograma de limpeza divulgado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).



Durante o fim de semana, era possível ver as máquinas trabalhando na poda. No último dia 2, o GDF anunciou a utilização dos serviços de mais de 3 mil funcionários e de 1.150 máquinas na Operação Casa Arrumada, pensada para limpar a cidade.



Há pelo menos 225 roçadeiras de mato trabalhando exclusivamente para cortá-lo. O prazo para normalizar a situação é de 60 dias, segundo a Novacap. A companhia informou, por meio da assessoria de imprensa, que há equipes em todas as cidades do DF e cada região administrativa deve receber a mesma atenção.



A população, porém, cobra mais agilidade. Na Península dos Ministros, próxima à QL 12, no Lago Sul, o mato chega a mais de 1 metro de altura. O Correio visitou o local há 10 dias e voltou neste sábado. A equipe encontrou os mesmos problemas. No parque ecológico da região, a situação é crítica. É impossível usar a pista de caminhada sem precisar desviar do mato e dos mosquitos. Os cachorros que correm no parque desaparecem em meio ao matagal. Quem esteve ali reclamou.



“Parece que está abandonado. Ver uma área tão nobre desse jeito me deixa preocupada”, queixou-se a estudante Ana Neves, 24 anos, moradora do Guará. Ela foi ao parque no último sábado, ao lado de Eduardo Ribeiro, 23 anos, para passear com os cachorros Zeca e Lúcio. “Não esperava encontrar esse lugar tão cheio de mato. Atrapalha o passeio”, afirmou Eduardo.



No Plano Piloto, a cena repete-se. Na 710/711 Sul, além da grama muito alta, há lixo, o que atrai insetos. “A cidade está com mau cheiro, um horror. Essa arrumação está devagar demais. Não ajeitaram nem a metade ainda”, disse o taxista Marcos Santos, 45 anos, que trabalha no Plano Piloto e mora em Sobradinho. “Até para dirigir está péssimo. O mato toma toda a nossa visão”, complementou.



Cenário semelhante



No Guará, Wagner Müller tem dificuldades para passear com o filho João Lucas, de um ano: "Disseram que iam começar a limpar, mas cadê?"

Perto dali, na 714 Sul, a situação é igual. “Está parecendo uma cidade sem prefeito, mas é a capital do Brasil”, disse a advogada Emilena Amorim, 50 anos. Na 106/107 Sul, a limpeza já começou. A maior parte das quadras já teve a grama cortada. Um dos pontos mais incômodos é a 707 Sul, na Praça 21 de Abril. Ali, o mato já bate na altura da cintura de muitas pessoas que passam por ali.



Há várias escolas na vizinhança e a comunidade já se preocupa com a volta às aulas. “Ainda faltam uns dias, mas nesse ritmo não vão conseguir cortar todo esse mato até o fim do mês”, acredita o porteiro Álvaro Eduardo, 54 anos, que trabalha em um colégio da 908 Sul. De acordo com moradores, o local serve como esconderijo para usuários de drogas e assaltantes. “Têm cobra e escorpião no meio desta mata aí”, disse Álvaro.



Na 508 Sul, próximo ao Espaço Cultural Renato Russo, onde uma moradora encontrou filhotes de cobra recentemente, a vegetação aumenta cada vez mais. “Fica difícil até passear com minha cadelinha, a Nicole. Ela já comeu lixo no meio dessa mata, ficou intoxicada. Isso sem falar nos ratos que estão entrando na casa da gente”, reclamou a estudante Anna Carolina Teixeira, 14 anos, moradora da 708 Sul. O mato ainda está alto, ao longo da maior parte das avenidas W3 Sul e Norte.



Fora do Plano Piloto, a situação é ainda pior. No Guará, passar entre a QE 15/16 com carrinho de bebê, por exemplo, tornou-se algo complicado. “Tem mato pra todo lado, até dar uma volta na rua é difícil, temos que fugir do mato e dos mosquitos. Disseram que iam começar a limpar e cadê?”, indagou o estudante Wagner Müller, 24 anos, pai de João Lucas, 1 ano e cinco meses.



“Moro no Guará desde 1975 e a cidade nunca esteve tão jogada”, constatou o mestre de obras Manuel Luiz da Silva, 47 anos. A Novacap garante que a poda no Guará já começou. O GDF, por meio da assessoria de imprensa, informou que a ordem do governador é trabalhar o tempo que for necessário. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) garante que a coleta está ocorrendo normalmente.



Paralisação

Brasília ficou tomada pelo lixo e pela vegetação depois que os funcionários responsáveis pela poda e pela coleta de lixo entraram em greve na primeira quinzena de dezembro. Foram 15 dias de paralisação, suficientes para deixar a paisagem das cidades completamente desarrumada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário