De novo, Kassab diz que culpa foi de chuva. Mas, com caixa cheio, Kassab não usa verba reservada para projetos antienchente em SP
Pessoas morrem e Kassab faz lobby
O prefeito Gilberto Kassab, que em setembro tinha dito que "a cidade está mais bem preparada para as enchentes", ontem culpou a intensidade das chuvas.
Ontem, enquanto São Paulo acumulava problemas devido às enchentes, o prefeito Gilberto Kassab reuniu em almoço deputados federais do DEM-SP para pedir apoio a Marcos Montes (MG) na disputa pela liderança do partido na Câmara.
As enchentes que pararam a capital levaram o ministro Fernando Coelho (Integração Nacional) a programar visita às obras da calha do Tietê amanhã e a telefonar a Alckmin. Hoje chega à cidade o secretário nacional da Defesa Civil, Humberto Viana.
No ano em que a prefeitura bateu recorde de arrecadação de impostos, a gestão Gilberto Kassab (DEM) investiu menos do que estava previsto no Orçamento em projetos antienchente -parte dos locais que receberiam essas intervenções voltou a alagar.
Segundo a Secretaria de Planejamento, no ano passado, as receitas de impostos cresceram 20,4%, puxadas pelo IPTU (alta de 26,2%), que colocou R$ 835 milhões a mais nos cofres da prefeitura em relação ao ano anterior.
O valor extra é quase o dobro do que Kassab gastou com intervenções antienchente (R$ 430 milhões de um total previsto de R$ 504 milhões). Projetos como canalização de córregos e construção de piscinões tiveram gastos abaixo do previsto.
Parte dos locais alagados nos últimos dias tem obras planejadas há anos, mas que continuam no papel. Em um deles, no final de dezembro, morreu a professora Michele Borges, 29, arrastada pelas águas do córrego Ponte Baixa, em M'Boi Mirim, zona sul.
Tivessem prevalecido os planos da prefeitura, o córrego já estaria canalizado. A obra é incluída no Orçamento desde 2005. Em 2010, a prefeitura previa gastar R$ 20 milhões, mas nada foi feito.
Outro local que alagou anteontem foi a praça General Oliveira Álvares, na Vila Madalena (zona oeste), onde deveria ser feito um piscinão. A prefeitura fez a licitação em 2008, contratou a empresa em 2009, mas nada foi feito.
Em uma das regiões que mais alagam, a Pompeia (zona oeste), a prefeitura nunca tirou do papel o piscinão planejado há anos. Recentemente, o projeto mudou para galerias. Sem a solução prometida, o local deixou carros ilhados no temporal.
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Entre a noite de anteontem e ontem, ao menos seis córregos transbordaram. Investimentos nessa área, como limpeza e canalização, fecharam 2010 abaixo do previsto.Em outras áreas, a prefeitura gastou o que previa, como em publicidade -R$ 108,9 milhões, quase o dobro de 2009 (R$ 57,8 milhões), novo recorde da gestão.
Em 2010, a verba foi utilizada, segundo a prefeitura, em campanhas como as de prevenção da dengue e gripe A e na divulgação de eventos como a Virada Cultural.
Serra também cortou verbas para combater enchentes
O investimento estadual nas obras de manutenção dos rios e córregos da bacia do Alto Tietê, como a limpeza da calha dos rios Tietê e Pinheiros, caiu 34% nos últimos três anos. A gestão José Serra (PSDB) investiu R$ 48 milhões, em média, contra R$ 72,9 milhões empenhados no último ano de administração do ex-governador Geraldo Alckmin, do mesmo partido. Somente neste ano, o Estado investiu 40% a menos que o previsto no Orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa.
Os dados a mostram que a gestão Serra também investiu menos em outras obras de combate às enchentes . As informações estão no Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária) e referem-se aos valores liquidados pelos dois governadores.
Mortes na conta de Serra e Kassab
Engenheiro Júlio Cerqueira Cesar Neto explica que as enchentes têm ocorrido em São Paulo, desde setembro de 2008, porque a calha do rio Tietê está assoreada em 4 metros, o que diminui a capacidade de vazão das águas e faltam 91 piscinões de um planejamento que previa para eficiência no combate às enchentes 134 equipamentos. São Paulo conta com 43 piscinões apenas.
Além do abandono de projetos, por parte da Prefeitura e Governo do Estado, nesse ponto, mais um problema agrava o drama dos moradores da região metropolitana: não tem sido feita corretamente e como se previu desde 2005 a limpeza da calha do rio Tietê.
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