DISTRITO FEDERAL
Agnelo dividirá decisões de governo com grupo de seis ‘eleitos‘
Lilian Tahan, Correio Braziliense
Escolhido nas urnas para governar o Distrito Federal pelos próximos quatro anos, Agnelo Queiroz (PT) também tem seus eleitos. Um grupo de amigos, conselheiros e aliados políticos dividirá com o novo chefe do GDF decisões com impacto na vida de 2,5 milhões de pessoas. Na turma mais próxima de Agnelo há vozes que serão ouvidas do alto de cargos oficiais e palpites que serão sussurrados ao pé do ouvido do petista, participações que, públicas ou não, podem ser definitivas para o encaminhamento de questões fundamentais da cidade.
Agnelo está cercado por mais de 100 mil funcionários vinculados à estrutura do governo. Tem nas mãos a caneta com o poder de nomear servidores para mais de 10 mil funções em confiança, os chamados cargos comissionados. Mas o grupo com potencial para influenciar diariamente as atitudes do novo governador é bem mais restrito. Por força das circunstâncias e pelos laços de amizade, Agnelo está cercado de uma meia dúzia de assessores mais próximos (leia arte), a quem certamente pedirá opinião antes de resolver problemas de governo.
Quem optou por Agnelo Queiroz em outubro dificilmente saberia que estava predestinando a condução da saúde pública no DF às mãos do médico Rafael Barbosa. Amigo pessoal do novo governador há mais de duas décadas, Rafael não seguiu a carreira política. Sempre esteve colado a Agnelo, mas nunca entrou no diâmetro dos holofotes que acompanharam a carreira política do agora governador. Com formação médica, o novo secretário de Saúde foi diretor do Hospital de Base, chefiou a Fundação Hospitalar e chegou à Secretaria Executiva do Ministério do Esporte quando Agnelo foi chamado para comandar a pasta. Tornou-se um braço direito do petista, que agora o designou para a missão pública de tirar do colapso o atendimento em hospitais e postos de saúde da capital federal.
Nasceu também de um vínculo de amizade a relação entre Agnelo e o empresário Abdon Henrique Araújo. Observadores da trajetória política do novo governador apostam que a influência de Abdon não se prenderá aos limites geográficos do Lago Sul, para onde foi nomeado administrador na semana passada. Abdon é considerado um amigo de Agnelo, com quem o político dividiu momentos de lazer. Em épocas menos concorridas, eles se arriscavam nas peladas de futebol. Os dois se conhecem há, pelo menos, duas décadas e, desde a primeira candidatura de Agnelo, Abdon o apoiou. Na pré-campanha em 2010, ele foi uma das pessoas mais próximas ao candidato — organizava as reuniões políticas para lançar o nome de Agnelo ao governo. Mas, assim como Rafael, faz um estilo mais discreto: “Agnelo tem o dom de ouvir, mas não tenho a pretensão de influenciar o governador”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário