terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Em seis cidades, administradores lidam com a insatisfação da população




Cerca de 300 pessoas se reuniram ontem em frente ao prédio da Administração do Núcleo Bandeirante para protestar contra o novo gestor


Foto: Carlos Slva/Esp. CB/D.A Press



A nomeação de seis administradores regionais tem provocado insatisfação entre alguns moradores das respectivas cidades. Desde que o governador, Agnelo Queiroz (PT), oficializou os nomes, integrantes de associações comunitárias vem organizando manifestações com direito a carros de som e orações. Há ainda quem promete fazer greve de fome como forma de pressionar o GDF a escolher outros nomes para assumir o comando das regiões administrativas. Até agora, as reclamações estão focadas em Taguatinga, no Núcleo Bandeirante, na Estrutural, em São Sebastião, no Varjão e em Santa Maria.



Entre os motivos da rejeição, está o fato de nenhum dos novos administradores morar na cidade, compromisso firmado por Agnelo durante campanha eleitoral. Em alguns casos, a reclamação se dá em virtude do novo gestor ter sido indicado por algum deputado distrital. Essa foi a motivação que mobilizou ontem alguns moradores de São Sebastião. Na cidade, a policial civil Janine Barbosa foi escolhida pelo governador por indicação do deputado distrital Agaciel Maia (PTC), que, em 2009, foi afastado da diretoria-geral do Senado Federal após ter o nome envolvido em denúncias sobre a evolução patrimonial e nos escândalos dos atos secretos da Casa.



Ontem, por volta das 12h, 30 pessoas fizeram um protesto em frente à administração da cidade. Vestidos de preto, os manifestantes confeccionaram cruzes, usaram nariz de palhaço e estenderam faixas. “Ninguém conhece essa administradora. Ela tomou posse pelos fundos e sem a anuência do povo. Isso representa a morte da democracia. Não somos contra o Agnelo, mas contra a indicação de Agaciel Maia”, afirma Gilberto Pereira, presidente da Associação de Controle Social do Orçamento e Finanças de São Sebastião (Ascontas).



A administradora Janine Barbosa se defendeu dizendo que tem total condições de gerir a cidade, mas entende que as insatisfações fazem parte do processo democrático. Da mesma forma, ela disse ter recebido manifestações de apoio de lideranças da comunidade. Para demonstrar a capacidade para ocupar o cargo, Janine ressaltou que já foi administradora do Itapoã durante um ano, de 2005 a 2006, e destacou que nos últimos quatro anos trabalhou na Secretaria de Segurança Pública. Sobre as críticas a Agaciel Maia, a administradora defendeu o padrinho. “O meu histórico de vida foi o que me colocou aqui e permitiu essa indicação. Não há nenhuma condenação contra ele (Agaciel). Condená-lo antecipadamente seria ferir o princípio constitucional da ampla defesa”, diz.



Importado

No Núcleo Bandeirante, cerca de 300 pessoas se reuniram ontem pela manhã em um salão ao lado da Paróquia João Bosco, na Praça Padre Roque. Por volta das 11h, o grupo foi até a entrada da administração regional para pedir a saída de Bruno Bierrenbach Bonetti. O publicitário e comerciante veio do Rio de Janeiro para assumir a função de gestor da cidade. “Tenho certeza que posso fazer uma boa administração porque tenho sensibilidade para ouvir o povo”, ressaltou ao Correio, após ser recebido com gritos de “fora” na porta do prédio. Entre os manifestantes estava o ex-administrador do Núcleo Bandeirante, Lino Neto. “Não temos nada contra ele, mas não queremos estranhos na nossa cidade”, disse. “Vou fazer greve de fome se for preciso”, prometeu a coordenadora da pastoral da paróquia, Maria Figueiredo. Para pedir a saída de Bruno e para abençoar os políticos, a aposentada Maria de Lourdes da Silva, 69 anos, acendeu velas e rezou.



A secretária de Comunicação Social do GDF, Samanta Sallum, destacou que a composição do governo atendeu a critérios técnicos. “O governo entende que qualquer manifestação faz parte da democracia e respeita a opinião desses moradores. São manifestações pontuais orquestradas por alguns grupos políticos que não se sentiram representados com as indicações. Isso é normal e será encarado com naturalidade”, afirma Samanta.



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