Mais um cabo de guerra
JOSEMAR GONÇALVES
Celina pretende impedir
decisão tomada por
Agnelo na transição, que
seria prejudicial aos
diretores das escolas
lGrupo dos 14
quer dar suas
sugestões à
reforma que
Patrício propõe
Sionei Ricardo Leão
sionei. leao@ jornaldebrasilia. com. br
Otamanho e o modelo de
uma futura reforma administrativa
em elaboração
na Câmara Legislativa do Distrito
Federal (CLDF) tornou-se o novo
foco do Grupo dos 14. Ontem, em
almoço na residência da distrital
Eliana Pedrosa (DEM), os integrantes
do grupo esboçaram
ideias para serem apresentadas
em reunião que ocorrerá com a
Mesa Diretora da Câmara.
"A meu ver, não podemos ir
ao encontro totalmente despreparados",
comentou Eliana.
A articulação reúne parlamentares
que se definem como
defensores da independência
da Casa em assuntos administrativos
e temas políticos. A
preocupação do grupo tem a
ver com a medida adotada segunda-
feira pelo presidente da
Câmara, distrital Patrício (PT).
Ele nomeou comissão de servidores
para apresentar, no
prazo de dez dias, projeto para
redução de gastos na CLDF.
Esse projeto faz parte dos
esforços da Câmara para tentar
reverter a liminar que desde
agosto do ano passado veta novas
contratações na Câmara. A
restrição diz respeito a descumprimento
da Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF).
Eliana foi a anfitriã da reunião
de ontem. No entanto, esforçou-
se para desfazer qualquer
tom de um futuro enfrentamento
ou ambiente de tensão. "O encontro
foi quase informal. As
pessoas vieram para me visitar
porque estou doente. Aí um foi
ligando para chamar os outros",
explicou. Onze distritais estiveram
na residência dela.
COBRANÇA MAIOR
Um desses parlamentares –
que não quis se identificar –
disse que a tendência do grupo
é cobrar mais rigor da Mesa a
respeito da contenção de gastos.
"A Câmara perdeu o controle.
Não vai adiantar esperar
a colaboração do Tribunal de
Contas ou do Tribunal de Justiça
para derrubar a liminar.
Temos que reduzir os gastos
para pelos 1,51% da receita líquida
do DF", analisou.
O Grupo dos 14 protagonizou,
sábado, confronto que
mergulhou a Câmara numa
discussão de sete horas, por
conta da composição dos cargos
na Mesa. Por essa razão,
fontes próximas ao distrital Patrício
salientaram que o presidente
da Casa está atento as
movimentações dos 14.
Enquanto isso, o grupo se
movimenta em outras frentes.
Ontem, a distrital Celina Leão
(PMN), membro dos 14, foi ao
Ministério Público do DF pedir
que questione o fim da gestão
compartilhada na escolas. Em
dezembro, a pedido do então
governo de transição de Agnelo
Queiroz, a Câmara Legislativa
alterou a Lei Distrital 4.036/2007,
que trata do tema.
Para Celina, a modificação
teve o caráter de um "jeitinho",
que deixou um vácuo para a
escolha dos novos diretores de
escolas. A distrital sugeriu à
procuradora-geral de Justiça,
Eunice Amorim Carvalhido,
que a mudança seja contestada
por uma ação de inconstitucionalidade.
Professoras e diretoras que
acompanharam a distrital na audiência
disseram que o que está
em jogo são conquistas obtidas
ao longo de vários governos do
DF na gestão das escolas.
"Várias pessoas que auxiliam
na direção foram exoneradas. E
não sabemos o que será feito",
disse uma das educadoras.
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