Política
'Insatisfeitos' abrem três frentes contra Marco Maia
Apesar do recesso no Congresso, integrantes do chamado "grupo dos insatisfeitos” têm se articulado para tentar fazer frente à candidatura de Marco Maia (PT-RS) à presidência da Câmara.
A eleição ocorre após o fim das férias dos parlamentares, em fevereiro.
Até o momento, mesmo que ainda não oficial, foram abertas três frentes comandadas por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Julio Delgado (PSB-MG) e Sandro Mabel (PR-GO).
Aldo e Delgado fazem parte do chamado “bloquinho” composto por PCdoB, PSB, PMN e PRB. O grupo tenta o ingresso do PV, isolado na Câmara nos últimos anos.
A ideia estudada é a de dividir os votos o que forçaria a um segundo turno, em que o mais votado teria o apoio dos demais contra Maia.
No discurso dos três, o desejo de representar aqueles que foram esquecidos na divisão do governo Dilma e/ou se sentiram atropelados pela forma como PT e PMDB negociaram a presidência da Câmara.
Acordo feito entre os dois partidos, que são os dois maiores na Câmara, prevê que um indicado do PT presidirá a Câmara no biênio 2011-2012 e outro do PMDB no biênio 2013-2014.
“Nós estamos observando as insatisfações que ultrapassam PT e PMDB. Não combinamos esse roteiro porque há insatisfeito de diferentes segmentos na Casa. Por exemplo, o Sandro tem trânsito com os empresários. O Aldo com o DEM e outros. Eu com o bloquinho e parte do PSDB”, explicou Delgado.
“Corremos com o mesmo sentimento que pode formalizar uma soma que pode ser representativa”, avaliou o deputado.
De sua parte, Mabel diz apenas que observa os “movimentos” dos descontentes.
“A princípio vamos com o Marco Maia. Mas estamos medindo o tamanho dessa insatisfação”, ressaltou o parlamentar.
Procurado pelo blog, Marco Maia minimizou a manobra. “Não vejo a possibilidade de isso acontecer. É uma estratégia de quem não está enxergando o futuro da Câmara”.
Apesar do discurso, Maia segue cauteloso e convocou o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), para uma reunião amanhã (11), em Brasília.
Alves prega o princípio da proporcionalidade em que seja respeitado o tamanho das bancadas eleitas em outubro para a escolha do presidente.
“Se a oposição vai respeitar o princípio da proporcionalidade, por que a base não faz o mesmo?”, ponderou o líder.
Do lado da oposição, o líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC), dá como certo o apoio ao PT.
“Tenho autorização da bancada. É uma decisão institucional. É uma forma de não sermos atropelados”, defendeu o parlamentar que entende como “antipatriótico” a candidatura como a de Mabel.
Bornhausen minimizou ainda o fato de alguns integrantes do DEM votarem em Aldo. “Isso é a minoria”.
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