quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

política


O beabá



Antigamente as assessorias dos sindicatos estavam cheias de economistas prontos a provar que os patrões e os governos poderiam sempre pagar mais. Pelo visto, devem ter sido todos demitidos



Blog do Alon



Despertado das festas de fim de ano e diante das ameaças de rebelião na base governista (por outras razões), o movimento sindical brasileiro parece preparar alguma batalha em torno do reajuste do salário mínimo. Parece.



Foi um primeiro serviço prestado ao país pelo PMDB -tão atacado o coitadinho- nesta administração Dilma Rousseff.



As turbulências nas relações intragoverno costumam abrir espaço para a intervenção dos grupos sociais. Daí que governos odeiem quando os conflitos transbordam de dentro dos palácios. Mas é inevitável.



Líderes governistas dizem que o salário mínimo não deve ser objeto de disputa política. Essa abordagem tem o apoio de alguns, sempre prontos a questionar a racionalidade fiscal quando o dinheiro público ameaça ir para o bolso do pobre.



Assim é com o salário mínimo. Já o peso no custeio governamental dos juros desembolsados pelo Tesouro é observado com reverência temerosa, como um fato imutável da natureza. Tipo as chuvas de cada começo de ano.



As lutas políticas ganham em nobreza quando têm pelo menos alguma relação com o interesse das pessoas que não participam diretamente do governo. E quando é para ajudar os mais pobres, então, nobreza multiplicada.



Um exemplo. O país adoraria saber o que PT e PMDB propõem de diferente para assumir a Funasa. Quem sabe Dilma não devesse entregar o cargo a quem se comprometa com metas mais ambiciosas? Se não cumprir o cronograma, rua e assume o grupo rival.



De volta ao mínimo. Tinha mesmo razão o antecessor de Dilma quando dizia que uma coisa sempre complicada no Brasil é o governo tentar dar dinheiro para o pobre. A vida confirma quase diariamente.



A emergência de um debate sobre o salário mínimo mesmo no ambiente de hegemonia absoluta do situacionismo prova também outra coisa: que a dinâmica política não está necessariamente contida nos limites da aritmética institucional.

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