política
Reencontro
O Globo
Os primeiros movimentos do novo governo estão explicitando uma situação política tão inusitada quanto estrategicamente previsível, com o petismo e o lulismo se reencontrando depois de alguns anos de separação forçada pelos escândalos protagonizados por uma cúpula partidária que se desmoralizou no processo de controle da máquina governista, ampliando o espaço para a atuação protagonista de Lula.
Esse retorno do petismo sufocou os partidos aliados, notadamente o PMDB, e tirou da presidente Dilma a capacidade de controlar a formação de seu primeiro Ministério.
De um lado o ex-presidente impôs a escolha de grande parte do Ministério, e de outro o partido ampliou sua presença no primeiro escalão, tirando do PMDB ministérios importantes como Saúde e Comunicações, enquanto impedia que aliados como o PSB vissem recompensados na formação do governo os votos que tiveram nas urnas.
Como compensação, num movimento que se mostrou prejudicial e insuficiente, a presidente deixou que os partidos indicassem os nomes para os ministérios, dando força às bancadas no Congresso.
Temos então um governo em que PT e PMDB disputam entre si fatias de poder sem que a presidente tenha até agora conseguido segurar seus radicais.
Para colocar ordem na casa, suspendeu as nomeações dos segundo e terceiro escalões, numa clara demonstração de que não está controlando a situação.
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