sexta-feira, 8 de abril de 2011

PSDB e DEM admitem buscar reestruturação interna para fortalecer oposição a Dilma


Da redação em 07/04/2011 11:14:40



O Globo



Era uma vez, dois partidos que durante oito anos se acostumaram a ser situação no governo federal. Derrotados na eleição presidencial de 2002, passaram a sentir o gosto amargo de estar fora do poder. Caminhando para o nono ano de oposição, PSDB e DEM sabem bem a quem pertence esta história. De um lado, os tucanos têm a tarefa de escolher o novo presidente do partido sem provocar divisão de alas e também dar um sentido a José Serra na sigla. Do outro, os democratas tentam conter a sangria provocada pela debandada que se seguiu à saída do prefeito Gilberto Kassab. Em meio a tantas indefinições, uma certeza entre especialistas e políticos das duas legendas: é preciso se organizar internamente para, aí sim, ter um discurso mais uníssono na oposição.



O primeiro a engrossar esta linha de pensamento é o senador José Agripino Maia (RN), eleito novo presidente do DEM.



- Concordo que temos que superar as dificuldades internas o mais rápido possível - disse o senador.



Cumprindo o papel de oposição, Agripino Maia volta a artilharia para os partidos da base, ao comentar a situação do próprio partido.



- Mais preocupante (do que a situação das legendas de oposição) é a relação dos partidos dentro da base. Quem os mantêm é o interesse governista. Nós temos problemas como todos têm problema.



Agripino minimizou o efeito Kassab - o prefeito criou um novo partido, o PSD -, que tem tirado parlamentares do DEM.



- Nada de assustar - garante ele.



Quem troca o DEM pelo partido de Kassab não perde o mandato por infidelidade partidária, já que o PSD é um novo partido. Até por isso, a legenda não deve questionar na Justiça Eleitoral o mandato de quem está de saída.



Ex-presidente do partido, o deputado Rodrigo Maia (RJ) concorda que o DEM passa por um momento de reorganização.



- Esse é um momento difícil em que temos que nos reorganizar, atrair novos quadros, fazer um trabalho conjunto com o PSDB para que possamos unir forças - disse o deputado, afirmando ainda que "é óbvio que o momento da derrota nunca é bom".



Sobre o ex-colega de partido, Maia tem a língua afiada:



- O Kassab chega a dizer que era uma camisa de força estar na oposição . Mas foi na oposição que ele chegou à prefeitura de São Paulo, derrotando a Marta Suplicy, do PT.



Sérgio Guerra admite que discurso de Dilma agrada a parte dos eleitores da oposição



O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, admite que o tempo agora é de reestruturação e reconhece as dificuldades do momento, ao afirmar que a oposição perdeu representantes no Congresso.



- A presidente Dilma Rousseff é mais discreta, de menos comparecimento público e de discurso mais moderado e isso agrada uma parcela dos nossos eleitores. Antes, com o Lula, a oposição tinha o que fazer todo dia porque normalmente tinha um discurso dele todo dia - disse Guerra, lembrando que Lula disparava críticas à oposição, e eles tinham palco para se defender.



Embora reconheça as dificuldades para o PSDB, DEM e PPS, o deputado diz que Dilma não faz um governo convincente. Para ele, a oposição tem que enfrentar agora outros desafios:



.- A oposição terá que ter a capacidade de falar para além do Congresso, com discurso e comportamento que nos leve a ser reconhecidos pela sociedade. A oposição tem que estrututrar na outra base (oposta ao governo), localizar temas de interesse da sociedade. É hora de ajustes.



Guerra fez menção ao discurso do senador Aécio Neves na quarta-feira , no Senado:



- Ele estabelece um padrão para o que pode unificar o campo da oposição.



Especialistas listam motivos para os problemas da oposição



Cientista político pela UFRJ, Paulo Bahia esmiúça os motivos dos problemas da oposição.



- A oposição formada pelo DEM, PSDB e PPS saem da eleição absolutamente destroçados. Perderam as eleições e o projeto político de poder, um projeto de perspectiva do país. Boa parte dos políticos querem aderir (ao governo) e estando no PSDB, DEM e PPS eles não podem fazer isso. A oposição, nesses primeiros cem dias de governo Dilma, também não tinha muito o que fazer na medida em que a presidente imprime uma marca pessoal que não desagrada a eles - disse, lembrando que Dilma leva à frente, na macroeconomia, um modelo muito semelhante ao adotado por Fernando Henrique Cardoso.



.- Eles não têm como atacar isso. Se atacarem, estarão falando mal do próprio modelo que adotaram.



Para o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, a oposição ainda não conseguiu encontrar um caminho após a derrota nas eleições do ano passado. Ele lista ainda outro motivo para a atual situação dos partidos oposicionistas:



- O Brasil vive uma concentração de recursos muito grande nas mãos do governo federal. Estados e municípios ficam muito dependentes e isso faz com que governadores da oposição não queiram embarcar numa campanha de tentar criticar (a presidente) porque precisa-se de parcerias. Aí, diminui muito um discurso oposicionista que possa vir dos governadores.



Para ele, o que tem segurado a oposição é que ela tem conseguido manter-se à frente de governos estaduais muito fortes.

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