Críticas de Dilma ao Irã agrada ONGs e europeus
Presidente eleita declarou em entrevista que a decisão do Itamaraty de se abster em uma resolução na ONU que condenava o apedrejamento foi um erro
Jamil Chade, Estadão.com
Países europeus e ONGs na ONU comemoram as declarações da presidente eleita, Dilma Rousseff, de que estaria disposta a mudar o padrão de votação do País em resoluções que tratem das violações aos direitos humanos no Irã.
Para governos, os comentários de Dilma ainda mostram o crescente isolamento que vive o Irã. Mas pedem que a mudança não se limite a temas relacionados com a situação da mulher e que todos os temas de direitos humanos recebam uma nova atenção do novo governo.
No domingo, Dilma declarou em uma entrevista ao The Washington Post que a decisão do Itamaraty de se abster em uma resolução na ONU que condenava o apedrejamento foi um erro.
Há apenas uma semana, o chanceler Celso Amorim havia defendido a opção de abstenção do Brasil, alegando que ele não votava "nem para agradar a imprensa e nem certas ONGs".
Pelas declarações, porém, quem não gostou foi a própria presidente eleita.
Na Comissão Europeia, as declarações de Dilma foram também muito bem recebidas e uma mudança na posição do Brasil era esperada há anos.
"O Brasil é uma democracia que tem um papel fundamental hoje nas relações internacionais. Estamos ansiosos para começar a trabalhar com a nova presidente", afirmou Bruxelas, em um e-mail enviado ao Estado.
Nos bastidores, diplomatas europeus esperam que a declaração seja o início de uma mudança no posicionamento do Brasil, admitindo não apenas a necessidade de dialogar com os iranianos, mas também a necessidade de usar esse canal aberto com Teerã para pressionar o governo por modificações na proteção de direitos humanos no país.
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