Implode aliança na prefeitura de Belo Horizonte entre PT-PSDB
Depois da divisão de ministérios no governo Dilma Rousseff, as eleições municipais de 2012 despontam no horizonte como mais um ingrediente a azedar as relações entre PT e o aliado histórico PSB. Embora os socialistas coloquem como uma de suas prioridades a reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), os petistas dão por implodida a aliança que o elegeu em 2008 e só aceitam apoiá-lo se, desta vez, o PSDB do ex-governador Aécio Neves ficar de fora. Mesmo assim, não garantem a ele a cabeça de chapa.
O recado vem do vice-prefeito da capital mineira, Roberto Carvalho (PT), eleito na chapa de Lacerda e interlocutor do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, principal fiador da polêmica composição no PT.
- Queremos o PSB conosco, sem o PSDB. E queremos o PSB, não necessariamente, na cabeça - avisa Carvalho, acrescentando que, do contrário, seu partido está disposto a lançar candidatura própria. Ele admite se colocar no páreo.
O desembarque petista se deve a uma conjunção de circunstâncias nacionais e locais. Costurada por Aécio e Pimentel, a aliança surgiu de uma convergência de interesses dos dois. Em 2008, tucanos mineiros ainda apostavam numa aproximação entre o ex-presidente Lula e Aécio, que já pleiteava a Presidência. Pimentel tentava viabilizar uma candidatura mais fácil ao Palácio da Liberdade, com apoio, mesmo que velado, do popular ex- governador. De lá para cá, os dois se distanciaram.
Aécio mergulhou na campanha do vice, Antônio Augusto Anastasia (PSDB) e Pimentel não conseguiu se viabilizar candidato ao governo. Na campanha ao Senado, enfrentou forte resistência do tucano, que lançou Itamar Franco como segundo candidato (PPS).
- Se você for perguntar a todos do PT, acredito que nenhum deles defenda a aliança com o PSDB. Nem o Pimentel. O Aécio, deliberadamente, o derrotou na campanha. O programa dele e do Itamar eram um só - comenta o vice-prefeito, dizendo que as eleições foram um divisor de águas.
Com a derrota de José Serra (PSDB) para Dilma, Aécio desponta como o principal líder da oposição à presidente, o que é mais um complicador:
- Hoje, as palavras de Aécio são de alguém que tenta se credenciar como o candidato da direita contra Dilma em 2014. É ele quem está dizendo.
No PT de Minas, a dissolução da aliança tem sido vista como um requisito para unificar o partido, rachado entre os grupos de Pimentel e do ex-ministro Patrus Ananias, que foi contra a composição com os tucanos. A tese cresceu após a derrota nas eleições de 2010, quanto os petistas tiveram de ceder o lugar de candidato a Hélio Costa (PMDB), derrotado no primeiro turno por Anastasia.
Embora a aliança ainda exista formalmente - os partidos só devem discutir as eleições em 2012 -, as feridas já estão abertas no comando da cidade. Lacerda vem minando os espaços do PT na prefeitura.
Trabalhou com Anastasia para eleger um candidado do PSDB à presidência da Câmara Municipal. Numa reforma administrativa recente, dividiu a estrutura de duas das principais secretarias ocupadas por petistas: Políticas Urbanas e Planejamento.
Nem mesmo a cúpula do PT aposta que Lacerda, afilhado político de Aécio, saltará do barco do PSDB. O ex-governador tucano tem ligações estreitas com os principais líderes do PSB, entre eles o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o ex-ministro Ciro Gomes, entusiastas da aliança de 2008.
- O dilema está nas mãos do PSB e do Marcio Lacerda. O partido que tem 30% (dos eleitores) na cidade tem toda a legitimidade de, lá na frente, pleitear a cabeça de chapa - avisa Carvalho.
Questionado sobre o cenário desfavorável, o o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que vem conversando com o prefeito e a cúpula do partido, diz que os socialistas vão se esforçar:
- O Lacerda vai se empenhar no sentido de manter a mesma aliança, que foi vitoriosa. É uma aliança polêmica, por conta do radicalismo da política de São Paulo, mas você vê que foi factível em BH. Informações de O Globo
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